sábado, 31 de agosto de 2019

Capítulo 3 – Bota ortopédica na canela dos Bullies - Livro: O livro do amor para os corações solitários

Livro: O livro do amor para os corações solitários

Capítulo 3 – Bota ortopédica na canela dos Bullies



Existia uma época em que eu atraía multidões. Não, confesso que estou exagerando um pouco (falar de multidões é falar de gente “pra caramba”). Na verdade, eu atraía uma boa quantidade de pessoas quando eu armava algum “rolê”. Já não posso dizer o mesmo hoje em dia. É, os tempos mudaram! Mas isso é apenas um desabafo, não tem nada a ver com o presente capítulo. Pretendo falar disso mais para frente, talvez. Bom, vamos ao assunto principal então.
A segunda garota por quem me apaixonei foi uma francesinha chamada Desiree. Isso foi depois de mais ou menos dois anos em que eu havia me apaixonado pela primeira, que foi Naomi, a minha amiga oriental. Sim, minhas primeiras paixões foram uma japonesa e uma francesa! Dá para acreditar?
Desiree era muito bonita e delicada, assim como Naomi. Me apaixonei por ela depois de um sonho que tive à noite (sim, da mesma maneira como foi com Naomi). Deixo claro, mais uma vez, que o sonho não teve nada de tão espetacular, ou seja, não teve nenhuma “sacanagem”, como os mais safados devem estar pensando. Nem lembro do referido sonho. Aliás, preciso dizer uma coisa para vocês. Uma coisa pela qual já fui tachado de bobo quando relatei a mesma. É o seguinte: não adianta, por mais que as pessoas evitem falar no assunto, todos tem ou já tiveram alguma fantasia relacionada ao amor (sim, aqui estou falando das mais fantasias mais picantes). Mas, no meu caso, tem um pequeno detalhe: eu não consigo pensar em um tipo de fantasia sexual mais picante com garotas que eu amei verdadeiramente. Podem me xingar, mas estou falando a verdade! Eu só consigo enxergar as garotas que eu amei de uma maneira mais romântica, ou seja, em um tipo de fantasia que seja um pouco mais saudável (ou seja, não consigo pensar em sacanagens mais explícitas com garotas amadas). Sim, pode ser que eu não seja desse mundo, como muitos devem estar pensando agora (até mesmo já pensei nessa possibilidade). Mas, pelo menos, ninguém pode dizer que eu não seja um cara sincero. E, também, o que eu tenho a perder relatando essas coisas? Não dizem que, numa relação, os homens fazem simplesmente sexo e as mulheres, corretamente, fazem amor? Se concordo com o ponto de vista das mulheres, nesse sentido, então estou no caminho certo, com certeza.
Bom, voltando ao meu amor por Desiree, não posso dizer que teve aquela leveza, aquela espontaneidade, aquela inocência e, porque não dizer, aquela felicidade dos tempos de convivência com Naomi. E qual o motivo dessa diferença? Simples resposta: a timidez. Enquanto eu só considerava Desiree mais uma garota bonita da minha classe, tudo estava indo muito bem (até chegamos a fazer um trabalho de classe juntos). Porém, a partir do momento em que me apaixonei por ela, fiquei inseguro até mesmo de me aproximar dela para simplesmente conversar. A beleza estonteante de Desiree me intimidava! Por exemplo, a sua estatura majestosa era algo que me deixava prostrado, sem ação (ela era bem mais alta que eu, diferente de Naomi, que tinha a minha mesma estatura). Vou contar uma coisa: naquela época (1986) tinha uma música do programa do palhaço Bozo que dizia que “quando a gente gosta de alguém, nossa vida fica mais feliz”. Eu ouvia aquela música horrível e pensava: “Como assim a nossa vida fica mais feliz? Quando eu amo alguém, minha vida vira um pesadelo!”. Que “musiquinha” mais mentirosa era aquela? O Bozo estava de brincadeira, não é? Era um tapa na minha cara ouvir aquela canção.
Mas... De onde surgiu aquela timidez nefasta? O que aconteceu com toda aquela desenvoltura existente durante os tempos de amizade com Naomi? Já perdi o sono pensando nisso. Mas acredito que tudo começou no ano anterior (1985), durante os tempos de terceira série. Aquele ano foi realmente terrível, em todos os sentidos. Mas vamos focar no período em que realmente passei na escola, pois, se eu for contar tudo o que aconteceu naquele ano, vou precisar de um livro inteiro para relatar tanta história.
            Eu já conhecia Jimmy desde os tempos do pré-primário, mas não tínhamos muito contato, já que estudávamos em classe separadas. Sinceramente, ele não parecia ser um cara desagradável. A coisa mudou quando, finalmente, em 1985, na terceira série, passamos a estudar na mesma classe. Por um motivo de esquecimento dos meus pais, comecei a frequentar as aulas mais ou menos uma semana mais tarde do seu início. A classe era bastante mista, ou seja, uma mistura de vários alunos de várias classes diferentes (estou me referindo às classes de 1984, ou seja, da segunda série). Achei que aquele seria um ano bastante promissor, pois fui recebido muito bem pelos meus colegas de classe, tipo “Poxa, que legal, achávamos que você havia mudado de escola, mas você ainda continua aqui com a gente”. Infelizmente, algo aconteceu: Jimmy desenvolveu uma antipatia muito grande por mim, por um motivo que até hoje não descobri o porquê. Foi um tipo de antipatia zombeteira, principalmente pelo fato de eu ser o garoto mais baixo da turma. E Jimmy, posso até dizer, sem exagero, conseguiu manipular a maioria dos alunos da nossa classe no sentido de que eles também desenvolveram essa antipatia zombeteira em relação à minha pessoa.
O Bullying que eu sofria (termo que ninguém nem sabia da existência) era num sentido mais psicológico, mas de vez em quando eu recebia algumas agressões físicas também (nada muito grave, mas devo relatar que aconteciam alguns “leques na cabeça” às vezes). Porém, quanto às agressões, uma solução surgiu: a bota ortopédica. Eu nem sei se ainda existem nos dias de hoje, mas as referidas botas eram extremamente resistentes e o solado era de madeira maciça, ideal para chutar a canela dos caras folgados que vinham mexer comigo. Confesso, era uma cena linda ver aqueles brutamontes gemendo e chorando depois de tomarem um belo “bicudo” na perna e, o melhor, saber que eram vítimas da sua própria ignorância. Mas a felicidade acabou quando os pais dos Bullies começaram a reclamar das pernas roxas dos seus filhos mal-educados para a professora. Não concordei quando a professora disse que eu tinha a intenção de machucar as pernas dos meus colegas, na verdade a minha intenção era quebrar a perna deles. É diferente! Calma, é só uma ironia, pessoal! Até minha mãe foi alertada para o fato, por parte da professora e, assim, fiquei proibido de chutar os outros. Simples assim!
Atualmente, muitos reclamam da predominância do “politicamente correto”, daquele lance de não pode dizer ou fazer nada mais ousado sem que os outros deixem de ficar ofendidos. Isso é um fato, mas eu tenho que admitir que, apesar de todo esse “mimimi”, as pessoas de hoje em dia possuem muito mais bom senso do que as da década de 80. Sim, se eu estava machucando os meus colegas com botinadas, é claro que eu deveria ser repreendido por causa disso (sou totalmente contra a violência, a não ser no caso de autodefesa, que justamente era o que eu estava praticando). Porém, todavia, contudo, os meus colegas também deveriam ser proibidos de mexerem comigo. Nada mais justo, não? Se ninguém viesse mexer comigo, eu jamais eu teria motivo para chutar alguém. Por exemplo, um amigo meu chamado Barral era um cara muito nervoso, mas se eu não fosse provocar ele, o mesmo jamais teria motivo para me agredir. Mas não foi isso o que aconteceu: só proibiram os meus chutes, ou seja, não existiu nenhuma proibição no caso do Bullying praticado contra a minha pessoa. Eu gostava muito das professoras daquela época (uma delas até deixou de dar aula por algum motivo misterioso que nunca descobri), mas devo confessar que elas não tinham o mínimo bom senso de ver “os dois lados da moeda” (eu sozinho contra os Bullies). Não preciso nem dizer que o acontecimento foi uma glória para o meu rival Jimmy.
O engraçado era que Jimmy era um cara muito querido e popular pelas outras pessoas, até mesmo um cara legal, de bom coração. Seu suposto ódio era somente para comigo. Realmente, me senti muito sozinho naquela época, pois gostaria de ter uma boa relação com as outras pessoas, assim como Jimmy tinha. Provavelmente, toda a minha timidez e insegurança surgiu daí. Lembro que naquele ano eu precisei fazer uma cirurgia para extrair as amígdalas. Quando a enfermeira me pegou no colo para levar na sala de cirurgia (pensem no meu corpinho pequeno, delicado e frágil), eu confesso que chorei. Não só pelo fato de estar com medo da operação, mas também por lembrar, naquele momento, dos meus colegas de classe (que supostamente não gostavam de mim) e imaginar que, se eu morresse ali, no centro cirúrgico, ninguém nem iria se importar.
 Bom, devo ser justo com Jimmy, pois talvez ele não me odiasse tanto assim, visto que, quando retornei às aulas após o período de repouso médico, ele veio conversar comigo, para perguntar se eu estava bem. Foi uma conversa amistosa e, não sei o porquê, contei a ele que eu havia chorado a caminho da sala de cirurgia (só não falei o motivo). Jimmy disse que eu não precisava me envergonhar por causa disso, pois ele também chorava quando, por exemplo, tinha que tomar injeção. Se bem me lembro, após essa conversa, as atitudes ruins de Jimmy para comigo amenizaram um pouco (não creio que chegaram a se extinguir, mas diminuíram bem). Até que tudo culminou no dia do meu aniversário. Era um festival no auditório do colégio, onde teve um momento onde foram chamadas as crianças aniversariantes e, acreditem, subiram no palco, juntos, eu e Jimmy! Sim, havíamos nascido no mesmo dia, no mesmo ano, no mesmo hospital! Algo marcante, nessa ocasião, foi reparar no semblante sereno de Jimmy, olhando para mim, maravilhado, como se estivesse querendo dizer: “Billy, chegamos ao mundo no mesmo dia, cara! Isso é sensacional”. Assim, não devemos guardar mágoa das pessoas, acho que todos merecem uma segunda chance. Reencontrei Jimmy muitos anos mais tarde, em 1994, época em que fizemos o cursinho pré-vestibular na mesma classe. E ele mostrou, finalmente, a pessoa maravilhosa que ele era: educado, simpático, um verdadeiro “gentleman”. E tinha, agora, um grande respeito por mim, que também era recíproco.
Bom, voltando à 1986, quando conheci Desiree, devo reconhecer mais uma vez que, provavelmente, a timidez e insegurança surgiram no referido ano por causa dos problemas do ano anterior. É a única explicação plausível que posso dar. Mas, sabe de uma coisa? Mesmo sofrendo por causa de Desiree (pelo fato de não conseguir me aproximar dela), 1986, no geral, foi um ano maravilhoso! Me tornei um cara mais introspectivo, é verdade, mas foi um fato que resultou no fim de todo e qualquer Bullying. E, a partir daquela época, consequentemente, comecei a me dar muito bem com meus colegas de classe, que acabaram virando meus melhores amigos. Enfim, como sempre digo, nunca é tarde para mudar, nunca é tarde para evoluir, nunca é tarde para amar verdadeiramente.


Nota: Segundo a internet, o nome Desiree “...significa ‘desejada’, ‘a querida’. Desiree é um nome francês que tem origem a partir do latim”.

sábado, 24 de agosto de 2019

Capítulo 2 - O primeiro amor - Livro: O livro do amor para os corações solitários


Livro: O livro do amor para os corações solitários

Capítulo 2 – O primeiro amor



Até os seis anos de idade eu não dava a mínima, mas, a partir dos sete anos, lembro que foi a época em que comecei a gostar das mulheres.
Sou um pouco inseguro no que diz respeito às tatuagens (acho bonito nos outros, mas não tenho coragem de fazer uma em meu próprio corpo). Mas, se eu fosse fazer uma tatuagem, com certeza seria o desenho de uma mulher. Claro, se você vai se tatuar, obrigatoriamente é necessário escolher uma ilustração de algo (no caso, alguém) que você ame muito. E eu amo as mulheres!
 Aproveito para contar um caso, para exemplificar essa adoração: na época da faculdade, tive uma disciplina (não me lembro ao certo o nome, se era modelagem ou materiais plásticos) em que deveríamos esculpir todas as peças de um jogo de xadrez. Mas não no formato tradicional: escolheríamos um universo de personagens que pudessem ter relação entre si e que, também, pudessem representar cada peça do jogo de xadrez. O esculpimento (que termo horrível, mas é assim mesmo que se escreve) deveria ser feito em sabão de pedra (sim, aquele de lavar roupa), em seguida o sabão esculpido seria utilizado para fazer um molde em silicone e, finalmente, o molde de silicone seria utilizado para compor as peças em massa plástica. Um processo bastante trabalhoso, mas o resultado final ficaria muito bom. O meu grupo de trabalho era composto, além de mim, pelos meus amigos Marky e John. Combinamos que, se iríamos passar um semestre inteiro esculpindo, deveríamos escolher um universo de personagens que nós três realmente gostássemos muito (por exemplo, não gosto dos Simpsons, imagine só que horrível ter que ficar esculpindo o Homer ou o Bart durante um semestre inteiro). Depois de muita discussão, decidimos que iríamos esculpir o Batman e os personagens pertencentes ao universo do mesmo. John ficou encarregado de esculpir o próprio Batman (que, das peças do xadrez, seria o rei) e o Batmóvel (que seria o cavalo). Marky ficou com o Alfred (que seria o bispo) e com a Mansão Wayne/Batcaverna (que seria a torre). Eu fiquei com Batsinal (que seria o peão) e, comprovando aquela minha opinião de que eu deveria esculpir aquilo que eu realmente gostava, fiz questão de ficar com a Mulher-gato (a rainha). Não podia ser diferente, não é? Mas o pessoal da minha classe aproveitou para me “zoar”: “Billy, tudo bem que o trabalho vai utilizar silicone, mas você não precisava exagerar tanto no tamanho dos seios da Mulher-gato”. Olha só que mente poluída a dos meus amigos!
Bom, vamos voltar aos meus sete anos de idade. Era 1983, eu estava na primeira série e já curtia muito os Beatles e o Creedence, fato que contribuiu para me deixar uma pessoa muito romântica. O meu primeiro amor foi uma garotinha oriental chamada Naomi. A primeira coisa que me impressionou nela, além do seu rosto bonitinho, foi o seu cabelo negro e comprido. A paixão foi uma novidade para mim, pois nunca havia amado nenhuma garota em toda a minha vida. Antes dela teve Adrian, que eu considerava minha namorada, mas que não amava como eu amei Naomi posteriormente. Considerava Adrian minha namorada, pois meus parentes gostavam de brincar comigo a respeito disso, mas eu não a amava verdadeiramente, apesar de gostar muito dela. Era apenas uma brincadeirinha da minha família esse lance de namoro (claro, eu era muito novo para namorar).
Comecei a amar Naomi imediatamente depois de ter sonhado com ela, uma noite qualquer. Não me lembro ao certo do sonho, só lembro que era uma coisa bem bobinha. Não, não pensem que foi alguma sacanagem que eu sonhei, eu sempre fui uma criança muito pura de coração. Para vocês terem uma ideia, certa vez, minha professora escreveu no meu boletim, naquele campo sobre o caráter do aluno, a seguinte observação a meu respeito: “Têm poucos amigos, às vezes prefere ficar isolado, mas é uma criança boa e carinhosa”. Essa observação foi escrita no ano anterior: agora, em 1983, eu já não era uma criança que vivia tão isolada. Assim, o fato mais legal dessa minha paixão por Naomi é que não existia nenhuma timidez de minha parte. Eu conversava muito com ela, procurava sempre estar junto dela e, o melhor, eu era correspondido: Naomi também gostava muito de mim. Não posso dizer com certeza que ela também me amava, mas pelo menos ela sempre me tratou bem e nunca me ignorou. Nunca! Para minha sorte, na classe, eu sentava perto da carteira de Naomi. Porém, chegou certo momento em que minha professora teve que nos colocar em lugares distantes, pelo fato de eu e Naomi conversarmos muito, atrapalhando a aula. Aquilo acabou comigo, mas não estremeceu nenhum um pouco a nossa amizade.
Cara, outra coisa legal, naquela época, é que não existiam concorrentes. Ou seja, não havia nenhum desgraçado para dar em cima de Naomi e estragar a minha relação com ela. Claro, éramos todos crianças, nem sei se algum de meus colegas também estava apaixonado por alguém nesse período (provavelmente não). A única coisa que achei muito decepcionante, nesse sentido, foi na festa junina, onde minha professora não me colocou para dançar com Naomi: colocou ela para dançar com um dos meus melhores amigos, o Bit. Mas foi um sofrimento aceitável, visto que foi uma escolha da professora e não de Naomi.
Quando o ano terminou, a minha grande preocupação era se Naomi estaria estudando na mesma classe que eu no ano seguinte (no caso, a segunda série). Quando as férias terminaram e as aulas recomeçaram, foi grata a minha surpresa em saber que ela continuaria na minha classe. Mas, aquele amor que eu sentia por ela, tenho que ser sincero, aos poucos foi se esvaindo, apesar de continuarmos amigos. Ainda assim, digo sem a menor sombra de dúvida que Naomi, meu primeiro amor, foi uma das melhores pessoas que eu já conheci nessa vida. Sem querer me gabar, digo que escolhi muito bem a minha primeira paixão: uma garota meiga, delicada, simpática, bonita... E, o melhor: foi minha melhor amiga dos tempos de infância, sem sombra de dúvida. Como sempre digo, é uma sensação muito confortável imaginar que, sendo o nosso planeta tão grande, o nosso destino foi tão generoso em reunir Naomi e eu em uma mesma região do Globo: na mesma cidade, na mesma escola, na mesma classe.

Nota: Para preservar a identidade dos verdadeiros personagens, como já foi dito, sempre escolho nomes fictícios. Escolhi o nome Naomi, pois, segundo a internet, ele “significa ‘meu deleite’, ‘minha doçura’ ou ‘aquela que é bonita e honesta’, ‘a honestidade bela’. O nome Naomi tem origem no hebraico...”. O nome Naomi representa muito bem a garota que foi o meu primeiro amor.

sábado, 17 de agosto de 2019

Capítulo 1 – O essencial - Livro: O livro do amor para os corações solitários


INTRODUÇÃO (Leia, muito importante):
 
            Em primeiro lugar, muito obrigado pelos acessos, que já estão passando de... Nossa, já perdi a conta... Muito obrigado (mesmo) pelo carinho!
 
          Muitas pessoas estão com "medo" do Blog, imaginando que, em minhas narrativas reais, eu possa estar citando algum fato constrangedor a respeito das mesmas (afinal, quase todos os meus amigos são personagens). No entanto, mesmo se eu citasse algo de ruim, todos os personagens estão com pseudônimos, ou seja, com a identidade preservada. Mas aceito opiniões e críticas, caso ocorra algum problema.
 
            O Blog "Grass Valley Memorial" tem como seu principal objetivo a publicação de obras pessoais e de amigos.
            A quarta obra a ser publicada no presente blog é "O livro do amor para os corações solitários", de minha autoria. A narrativa apresentada no livro é 100% real e, portanto, os nomes verdadeiros dos personagens foram substituídos por pseudônimos, no intuito de preservar os mesmos.
            Qualquer blog que se preze só se mantém ativo através da postagem de comentários (opiniões, críticas, etc) das pessoas que acessaram o mesmo; quando não ocorre a referida participação, a tendência é que o proprietário do blog (neste caso, eu mesmo) não se sinta mais motivado em manter o mesmo em atividade.
            Portanto, não deixem de postar a sua opinião, mesmo que você não seja (ainda) personagem participante dos livros apresentados. E se você já escreveu algum livro e tiver vontade de publicá-lo neste modesto blog, não hesite em pedir. Será uma honra! Bom divertimento a todos.
 
Livro: O livro do amor para os corações solitários

Capítulo 1 – O essencial    

   

Sou um solitário. Atualmente, nenhuma mulher teria coragem de ficar comigo, nem se eu fosse o último homem do mundo. Ou, quem sabe, até mesmo se eu fosse o último homem do universo. Não consigo despertar a paixão em ninguém. Não tenho atrativos.
            Atrativos? É, talvez eu tenha exagerado um pouco. Na verdade, eu tenho muitos atrativos (alguns, inclusive, que deixaria qualquer mulher louca, mas não me sinto à vontade em enumerar os mesmos agora). Tudo bem, vou mencionar apenas um: sou quase um cavaleiro medieval (ou seja, fiel e dedicado; casto, já não posso dizer). O grande problema é que elas não conseguem enxergar os referidos atrativos. Talvez o fato possa ser explicado com aquela famosa frase do autor Saint-Exupéry: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.” As mulheres, provavelmente, me enxergam apenas com os olhos e não com o coração (e, consequentemente, acabam não enxergando nada de interessante). Mas, nos dias atuais, em tempos de “lacração”, admito que é exigir muito das mulheres que elas enxerguem os homens com o coração (ou vice-versa, ou seja, os homens enxergarem as mulheres com o coração também). Lacração! Cara, como eu odeio essa palavra! Só usei porque não achei um termo melhor, que facilitasse o entendimento da minha explanação. Acho “Lacração” uma palavra tão ridícula, exprime algo que não tem nada a ver comigo! Na boa, quem foi o desgraçado que inventou o termo “Lacração”? Odeio o mesmo do fundo do meu estômago nauseado! Sério, tenho vontade de vomitar só de ouvir essa palavra!
            Provavelmente, a partir do que eu disse até aqui, alguns podem concluir que eu tive poucos relacionamentos em minha vida. Não é verdade. Houve uma época em que era um fato corriqueiro, até mesmo natural, estar com uma mulher, tanto para sair, como para dançar, beijar e o que quer que fosse. E o mais curioso: eu não era nenhum pouco bonito. Não que eu seja bonito agora (longe disso), mas acho que atualmente possuo uma aparência muito melhor do que no passado. E quer saber a verdade? Gosto muito da minha aparência atual! E recomendo a você, que está lendo esse livro agora, que também ame a sua aparência, mesmo que ela não seja o exemplo da perfeição. Por quê?  Cara, porque o amor próprio é tudo! As pessoas que não possuem amor próprio nem deveriam sair de casa! Amor próprio é estar em paz junto das pessoas e, porque não dizer, em paz quando você está apenas consigo mesmo. Em ambas as situações, jamais me sinto sozinho. Um pouco deslocado, talvez, mas nunca incomodado ou triste por causa disso. Quando, por exemplo, vou sair para comer um lanche (apenas eu e mais ninguém), na minha lanchonete preferida, procuro me sentar em uma mesa que possui um espelho logo à sua frente: fico olhando para a minha cara e não me sinto vítima da solidão. Sério, não estou brincando! Parem de rir, por favor!
            Bom, eu estava falando de aparência, mas, sinceramente, acho que beleza não é um fator essencial para conquistar o coração de alguém. Certo dia um amigo meu estava indignado pelo fato de uma garota que ele considera linda estar namorando com um cara muito feio. Realmente, o cara tinha uma verdadeira cara de fuinha. Mas, ao longo dos anos, tenho percebido que as mulheres adoram as fuinhas. Sério, não estou ironizando! Vou aproveitar para contar uma coisa. Certa vez, em meu antigo emprego, não tendo nada de mais interessante para dizer, perguntei aos meus colegas de trabalho o seguinte: se cada um de nós fosse um bicho (e não um ser humano), que bicho cada um seria? Aí começou aquele festival de humor negro: o mais gordinho seria um elefante, o mais alto seria uma girafa, o de olhos grandes seria uma coruja, o menos inteligente seria um jumento, o mais vira-lata seria o cachorro e assim por diante. E eu, o que eu seria? Responderam: “é fácil, você seria um quati”. Cara, não acredito, um quati! Aí entendi o porquê de estar solteiro naquela época: as mulheres gostam de fuinhas, isso é um fato, mas nunca conheci uma mulher que gostasse de um quati. E é algo bem justificável: recomendo que você faça uma pesquisa na internet e compare a foto de uma fuinha e de um quati. Você vai concluir que as fuinhas, realmente, são mais bonitinhas. Coitado dos quatis! Algum dia pretendo fundar uma “Sociedade protetora dos quatis”, em solidariedade aos mesmos. Caramba! Uma “Sociedade protetora dos quatis”!? Às vezes eu falo umas coisas que nem eu mesmo acredito!
            Falando em internet, gostaria de citar algo que acontece frequentemente naquela rede social chamada facebook. É o seguinte: quanto você manda uma solicitação de amizade para uma garota e ela recusa, pelo fato de ser compromissada. Cara, antigamente, eu ficava muito chateado com isso. Hoje, eu fico muito feliz! Fico até “me achando”, ando pelas ruas com um sorriso de orelha a orelha! Quer dizer que ela acha que eu possa ser um empecilho, um obstáculo ao relacionamento dela com o seu homem? Que o namorado dela possa sentir ciúmes de mim? Então, o que isso significa? Significa que eu sou melhor que o namorado dela? Se eu fosse um nada, um zé-ninguém, um cara sem atrativos, ela me adicionaria numa boa, certo? Calma, não precisam me xingar, não é uma verdade absoluta esse lance de adicionar no facebook, é só uma linha de pensamento. Um pouco irônica, mas apenas uma linha de pensamento. Não fiquem bravos comigo!
            Existe algo que também seria interessante comentar ao meu respeito. Certa vez um amigo me disse que “eu era um cara muito difícil, pois não dava moral para as mulheres”. Bom, eu não acho que a palavra ideal seria difícil, mas sim tímido. Muitas vezes me sinto tentado a elogiar uma mulher, só não faço isso por causa da minha timidez. Me odeio por causa disso! Não me considero difícil, pois, no passado, sempre que uma mulher se interessou por mim e me convidou para sair, por exemplo, sempre aceitei o convite (mesmo não estando apaixonado pela mesma). Aproveito agora para fazer uma crítica que acho extremamente crucial, um hábito muito idiota por parte de algumas pessoas, um pensamento verdadeiramente medíocre. É a ideia de que, pelo fato do cara ser tímido, ele deve aceitar qualquer pessoa para se relacionar e não tenha direito de escolher. Qualquer uma! Sim, é isso mesmo que estou dizendo! Sabe aquele lance “olha você é tímido e está solteiro, vou apresentar alguém para você”. Como se o fato dele deixar de ser solteiro fosse mais importante do que a própria pessoa com quem ele vai se relacionar. Tipo: “o importante é deixar de ser solteiro, não importa com quem seja”. Cara, não é assim que as coisas funcionam! A pessoa tímida também tem o direito de ter as suas preferências! Preciso mencionar ainda algo importante, para não cometer equívocos de entendimento: provavelmente, muitos estão pensando no interesse por pessoas realmente belas, no caso, os tímidos teriam também preferência em se relacionar com pessoas belas. Não necessariamente! É só lembrar das fuinhas, que citei anteriormente. Na verdade, o fator atração conta muito. Existem mulheres que não possuem aquele tipo de beleza considerada ideal pela sociedade (o que é uma grande idiotice), mas que mesmo assim me atraem! Às vezes, me atraem até mais do que as mulheres consideradas bonitas! É importante deixar de ser solteiro? Que seja! Mas é mais importante ainda estar com alguém que te atrai. Uma pessoa que tenha atrativos! Não acredito, voltamos à estaca zero novamente: cara, eu não tenho atrativos (ou melhor, falta um pouco de coração nas mulheres para enxergar os meus atrativos de cavaleiro medieval). É um dilema sem fim!
            Bom, desejo falar do passado nos próximos capítulos. Por que do passado? Talvez me digam que é errado viver de passado: o correto seria pensar mais no presente, certo? Mas a verdade é que o passado, para mim, é a época mais interessante da minha vida. Não posso ignorar esse fato. Acredito que ainda existem muitas coisas que devem ser ditas e registradas aqui. Enquanto não inventarem a máquina do tempo, o que me resta é escrever sobre essa antiga época. Quando o presente se tornar uma época interessante, talvez eu deixe de escrever sobre o passado e me dedique mais ao registro da minha vida atual. E pare de falar um pouco sobre fuinhas e quatis. Sinceramente, ficaria muito honrado em ser uma fuinha (os quatis que me perdoem).

sábado, 18 de junho de 2016

Capítulo 9 – Esteja onde eu estiver - Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Capítulo 9 – Esteja onde eu estiver


            Passaram-se os anos e fui vendo cada vez menos Pam e Lang, até que chegou uma época em que o paradeiro dos dois se tornou desconhecido.
           Isso até que encontrei Lang novamente em meados dos anos 2000, no ônibus, e pudemos recordar juntos os bons momentos que vivemos com a nossa velha turma. Lang disse que foi a melhor época de sua vida, concordando com a mesma opinião que eu tinha a respeito de nosso passado. Depois desse encontro, não vi mais Lang, mas recebi notícias dele por intermédio de outras pessoas: ele trabalhava comprando roupas em São Paulo, depois revendia em outras localidades.
         Por volta de 2013, vi Pam em um escritório que vendia planos de saúde e que fornecia guias médicas para seus associados. Eu já sabia, por intermédio de Cindy, que Pam era casada e que tinha um filho. Não sei se ela me viu e, como eu estava com pressa, não tive a oportunidade de conversar com ela. Na ocasião, também não soube o porquê dela estar naquele escritório, provavelmente adquirindo uma guia médica, como pude constatar da pior forma, no futuro.
            Nessa mesma época, Vicky postou em sua rede social que estava no hospital e precisaria fazer uma cirurgia: estava com pedras na vesícula. Fiquei consternado quando vi a postagem e, sem pensar muito, mandei uma mensagem a ela perguntando como ela estava. Ela respondeu, dizendo que estava tranqüila e que eu não ficasse preocupado, pois era uma cirurgia simples.
            No meio de todos esses fatos, eu já estava trabalhando, na época, em uma assessoria de cobrança e, finalmente, em agosto de 2013, entrei de férias. As férias começaram tranqüilas, Vicky já havia feito a cirurgia e estava bem, mas Cindy me mandou uma mensagem desoladora, dizendo que Pam havia feito uma cirurgia, também na vesícula, porém não tinha sobrevivido. Lembrei na hora da ocasião em que vi Pam, pela última vez, no escritório de planos médicos (com certeza, estava cuidando da documentação referente à cirurgia).
           Depois de dois dias, após a mensagem de Cindy sobre a morte de Pam, algo ruim aconteceu comigo: minha narina direita e meu ouvido direito ficaram obstruídos, de modo que minha face direita ficou totalmente paralisada. Vicky e Pam, as duas garotas que eu mais amei, fizeram a mesma cirurgia e só uma delas sobreviveu: aquela ideia era aterradora. Assim, caí doente. Outro fato que me deixou ainda mais desconcertado foi lembrar que minha amiga Cyrinda também precisaria fazer uma cirurgia na vesícula. Temi pela vida dela, já que o seu plano de saúde estava demorando para marcar a cirurgia.
            Era um sábado e, desesperado, resolvi ir ao pronto socorro. Mas estava tão nervoso que o médico me deu apenas um calmante e nem se preocupou em analisar o problema mais grave, que era a minha paralisia. Ao chegar em casa, pensei em ligar para Cyrinda, para alertá-la da necessidade em fazer a cirurgia o mais rápido o possível. Mas como eu diria a ela que Pam morreu, sem deixá-la assustada? Então resolvi ligar para Carl e Bibi.
            Quando Carl atendeu o telefone, deve ter estranhado o meu desespero, visto que há uma semana atrás nós dois havíamos nos encontrado para comprar e fazer nossas prateleiras para carrinhos em miniatura. E estávamos muito felizes na ocasião. Contei para Carl que eu estava entrando em depressão e que precisaríamos, com urgência, falar para Cyrinda tentar agilizar a cirurgia da vesícula. Carl pediu para que eu me acalmasse, pois ele mesmo conversaria com Cyrinda assim que tivesse oportunidade.
        Na segunda, resolvi marcar uma consulta com uma otorrinolaringologista e foi constatado pela médica que eu estava com uma rinite muito acentuada. No mesmo dia, comprei os remédios e comecei o tratamento, de modo que os sintomas começaram a melhorar com os dias. Somente a depressão não estava melhorando. Eu estava lembrando muito do passado, do passado feliz, e lamentando o fato dele não voltar nunca mais.
            No final das férias, eu já estava completamente curado da rinite e a depressão já havia diminuído bastante a sua intensidade, apesar de ainda sofrer com a morte de Pam. Me lembrei de um cartão que ela me deu de aniversário, onde ela escreveu uma mensagem que nunca entendi direito. Resolvi consultar o cartão, depois de muito tempo, e finalmente entendi o que Pam quis dizer. Estava escrito assim: “Esteja onde eu estiver, eu sempre vou te adorar”.
            Depois de algum tempo, Cyrinda conseguiu fazer a cirurgia e tudo correu bem, para a felicidade de todos. E, em uma noite especial, mais ou menos na mesma época, sonhei com Lang e Pam, sonho onde pude conversar com os dois e dizer o quanto gostava deles. Ao acordar e constatar que tudo não passou de um sonho, fiquei triste. Muito triste. Triste ao sonhar com os anjos.

sábado, 11 de junho de 2016

Capítulo 8 – No colo de uma garota... - Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Capítulo 8 – No colo de uma garota...

            Passaram-se vários meses e o ano de 1995 finalmente chegou, trazendo consigo Pam para perto de mim novamente. Meus laços com Pam e Cindy haviam se estreitado, e agora estávamos sempre juntos. Jim também estava sempre com a gente, e sua rivalidade comigo, pela atenção de Pam, aumentava a cada dia.
            Certa vez, numa tarde ensolarada, estava sozinho no Grass Valley quando Jim chegou carregando um disco de vinil debaixo do braço: era um acústico do Nirvana, que havia sido lançado fazia pouco tempo. Fiquei empolgado em poder ouvir o novo disco e Jim me convidou para realizar referido o procedimento em seu quarto. Quando estávamos no portão de sua casa, Pam e Cindy chegaram e convidamos as mesmas para ouvir o disco com a gente. Um outro amigo nosso, o Alm, chegou um tempo depois.
            Eu e Jim gostamos bastante do acústico, mas Pam queria ouvir algumas músicas mais românticas, para poder dançar. Jim, então, trocou o disco: colocou aquele do Guns em que a capa tem um monte de espaguete espalhado. Ao som da primeira canção do disco, tive a oportunidade de dançar com Pam e Cindy. Em um dado momento, Pam se sentou na cama e pediu para que eu me sentasse no colo dela. Achei estranho, mas fiz o que ela pediu. Ficamos um tempo abraçados, nessa posição e, depois, me sentei na cama e comecei a beijá-la nos lábios. Aquilo era uma grande realização de um momento especial, de modo que nem me veio no pensamento que um dia tudo aquilo iria acabar.
            Eu poderia terminar a narrativa aqui, estabelecendo um final feliz para a mesma, mas prefiro me atentar aos fatos que aconteceram muitos anos depois e não me desviar da verdade, por mais dolorosa que ela seja.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Capítulo 7 – Acabando com o valentão - Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Capítulo 7 – Acabando com o valentão


            Andávamos pelas ruas do Grass Valley (eu, Paul, Jim e Lucy) quando soubemos que Lang havia sido avistado na região. Passado alguns dias, pudemos constatar que nosso amigo realmente havia retornado. A partir daí, nossa amizade voltou com força total.
            Lang, agora reconciliado com a família, estava mais louco do que nunca. Por essa época, ele se apaixonou por Ivy, uma garota que conhecíamos de vista, mas o romance não se desenrolou e Lang acabou esquecendo a mesma rapidamente. Outro fato digno de nota era quando eu acompanhava Lang nas suas idas à “feira do rolo”, onde o mesmo aproveitava a ocasião para trocar peças de bicicleta com os “rolistas” ali presentes.
            Lang era forte e poderia ganhar qualquer briga facilmente, apesar de não ser um cara violento. Porém, quando o inimigo era o valentão Celeste, este intimidava Lang facilmente, por motivos que não sei explicar (já que os dois tinham praticamente o mesmo tamanho e força). Mas Lang resolveu, certa vez, acabar com a valentia de Celeste. Lang era o mais novo de três irmãos, mas tinha uma irmã mais nova que ele também. Um dos irmãos de Lang, o Yano, era o irmão do meio e era muito bom de briga. Lang pediu para o seu referido irmão ficar escondido atrás de uma árvore, enquanto ele provocava Celeste, que vinha se aproximando. Quando Celeste foi agredir Lang, Yano apareceu, de punhos fechados, pronto para a briga. Celeste ficou desesperado, quase chorou mas, para sua sorte, um vizinho que por ali estava não deixou Yano bater em Celeste. Após esse fato, não me lembro de ter visto Celeste mexer com Lang novamente.

            Fiquei sem ver Pam por um tempo. Quando consegui vê-la novamente, foi numa situação muito dolorosa para mim: ela estava ficando com outro garoto, nas proximidades da igreja. Walter e eu estávamos passando por lá e vimos Pam com o outro rapaz. Algum tempo depois, ela acabou ficando com Jim, na igreja mesmo, mas por essa época eu estava aceitando o fato de que Pam, talvez, nunca pudesse ser só minha e acabei não ligando muito para a situação. Porém, o que eu não sabia era que, tempos mais tarde, existiria uma rivalidade muito forte entre eu e Jim em relação ao que sentíamos por Pam. O fato de Jim ter ficado com Pam naquela ocasião foi o início de tudo.

domingo, 21 de junho de 2015

Capítulo 6 - Palhaçadas - Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Capítulo 6 - Palhaçadas


             Lang partiu, mas suas “aprontadas” ficaram gravadas em nossa mente. São tantos fatos que receio me esquecer de algum, mas vou tentar narrar tudo o que lembro, aos poucos.
            Certa vez, Lang resolveu ser uma espécie de “montador” em cavalos, como Paul já era. Paul possuía os apetrechos necessários (como a sela de montaria), ao contrário de Lang, que nada tinha. Assim, Lang montava direto nas próprias costas dos cavalos, “no pêlo”, sem sela nenhuma. Suas primeiras tentativas de montaria até que tiveram um certo êxito: Lang montava, o cavalo dava algumas voltas e, quando se cansava, nosso amigo descia sem problemas das costas do animal. Isso até o dia em que um dos cavalos “disparou”, com Lang em suas costas. Gritando em desespero (“peloamordedeus”, “peloamordedeus”), Lang só foi descer do cavalo quando este trombou em um portão. Por sorte, ninguém se machucou (nem o cavalo, nem Lang). Mas foi sua última tentativa de montaria.
            Lang brincava e “tirava sarro” de todo mundo, mas se deu mal duas vezes ao fazer isso com nosso amigo Chad. A primeira vez foi quando os garotos resolveram empinar suas pipas e Lang, com seu “Cerol”, cortou a linha de Chad, na frente da avó do mesmo. A velhinha ficou possessa e Lang teve que ouvir uma “enorme bronca”.  Na segunda vez, Lang pegou a bola de futebol de Chad e chutou atrás do muro da igreja, onde havia alguns cães ferozes. Enquanto isso, outro amigo nosso, o Wand, aproveitava para imitar a voz da avó de Chad: “O que é que você quer com o Chad? O Chad não está aqui, o Chad morreu!”. Chad ficou furioso com Lang e Wand: correu para sua casa, para avisar os seus familiares que os dois estavam mexendo com ele. Wand aproveitou esse meio tempo para ir embora, pois não queria ouvir os xingos da família de Chad. Lang resolveu ficar e ver o que iria acontecer. Em poucos instantes, foi possível visualizar, virando a esquina, quase a família inteira de Chad: sua mãe, sua avó, seu tio, suas tias... Lang viu que a coisa ficaria feia e, assim que toda a gangue chegou perto dele, já tirou do bolso algumas notas e disse que estava disposto a pagar a bola perdida. O tio de Chad não aceitou, dizendo que jogaria Lang do outro lado do muro, com os cães, se o mesmo não fosse buscar, de livre e espontânea vontade, a bola original. Lang não conseguiu pular o muro (e enfrentar os cachorros). Assim, teve que dar a Chad uma bola de futebol que lhe pertencia.
            Em outra ocasião, Lang entrou em uma discussão durante um jogo de futebol. O cara chato com quem ele discutia não me lembro ao certo, mas o mesmo conseguiu tirar a paciência de Lang. Em um dado momento da discussão, Lang tirou sua própria camisa, ateou fogo na mesma e correu atrás do infeliz, que teve que fugir para não ser “queimado vivo”.
            Os mergulhos na poça d´água (existente no centro do campo de futebol) também se tornaram célebres: Lang tomava distância, vinha correndo e mergulhava de barriga na água imunda. Ele parecia ficar contente quando a bola era chutada na lama, pois era mais uma chance dele dar um bom mergulho, enquanto nosso amigo Cearense Bud protestava: “Não faça isso menino, essa água suja entra no seu pênis e te contamina”. Mas o aviso era em vão, Lang não se intimidava e não tinha medo nenhum de pegar alguma doença (e, por sorte, nunca pegou).
            Falando ainda em futebol, Lang dava duro durante os jogos, transpirava muito, de modo que sua camisa ficava totalmente fétida. Ao final dos jogos, Lang corria atrás dos meninos menores que ficavam lhe provocando e esfregava sua camisa na cara dos mesmos.  “É nitroglicerina pura”, dizia ele. Ou, ao invés disso, pegava aqueles coquinhos melados (que dava nos coqueiros, não me lembro ao certo a sua denominação) e esfregava na cabeça dos menores provocadores, dizendo que era shampoo.
            Lang, realmente, era o rei das “aprontações”, mas não era o único. Lumium, outro amigo nosso, também aprontava bastante. Sua vítima constante era o nosso amigo peso pesado Dudley. Certa vez, o pobre Dudley está sentado na calçada, quando Lumium ajeitou uma bola de futebol na direção do garoto e a chutou direto no seu rosto. Dudley queria acabar com Lumium, que teve de correr para não apanhar (Dudley era muito forte). Mas o caso mais célebre foi quando os dois combinaram de cada um ficar em uma esquina e, em dado momento, virem correndo um na direção do outro (Lumium de bicicleta, Dudley com todo o seu peso) de modo que, no final, tudo resultasse em uma grande “trombada”. Dudley levou uma pancada no joelho, proveniente do pneu dianteiro da bicicleta, enquanto Lumium acabou sendo lançado da mesma, ganhando alguns arranhões.
            Em um mundo onde impera a tristeza e a maldade, é muito bom aproveitar os momentos com os amigos para dar boas risadas. São fatos que ficam para sempre em nossa mente, e não é difícil, mesmo com o passar do tempo, lembrarmos novamente das “aprontações” e ainda acharmos graça de tudo aquilo que aconteceu.