segunda-feira, 20 de junho de 2011

Capítulo 01 – A Má “trícula” - Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Capítulo 01 – A Má “trícula”



            Hoje eu estou, realmente, muito feliz! Talvez não devesse: nenhum acontecimento especial, mas ainda assim estou me sentindo bem! Quando isso acontece, geralmente duas conclusões surgem em minha mente: ou alguma coisa está errada comigo (felicidade suprema no planeta Terra?) ou admito que é o momento certo de aproveitar ao máximo esse estado de graça, antes que algo de ruim aconteça. Hoje eu fico com a segunda opção, me baseando naquele famoso ditado que diz que tudo o que é bom dura pouco.
            No entanto, há mais ou menos dois meses atrás, uma outra ideia diferente, a respeito da felicidade, surgiu para me animar: “A felicidade não tem morada fixa, então temos que seguir a mesma, para onde ela for”. Assim, como os acontecimentos não estavam tão animadores aqui em Bauru, eu e Cyrinda concluímos que a felicidade poderia estar na grande cidade de Curitiba, com suas ruas verdes e seus bosques acolhedores. Então resolvemos seguir a mesma, ainda que a felicidade não pudesse ser considerada aquele tipo de amiga fiel para com os seus seguidores. Na verdade, ela é ingrata, injusta e, muitas vezes, falsa... Ah, que horrível aquela falsa felicidade, que nos gera falsas esperanças! Em outras ocasiões diferentes, ela entra em nossa vida sorrateiramente, de maneira que não conseguimos perceber a sua presença. Quando ela finalmente vai embora (como sempre), pronunciamos outro ditado popular muito comum: “eu era feliz e não sabia!”. A tristeza é algo desagradável, no entanto é mais honesta e muito mais fiel que a felicidade. Mas por que estou a divagar tanto? Por que não ir direto ao assunto e falar do início dos preparativos da viagem até Curitiba? Não sei, só posso dizer que, ao iniciar essa narrativa, acabo de digitar quase metade de uma página em apenas 10 segundos. E fiquei muito feliz de começar o livro de maneira tão rápida. Assim, devo admitir que a felicidade pode surgir até mesmo em algo comum e banal, como a rapidez do fluxo de ideias e a sua posterior digitação. E, nesse ínterim, acabo de encontrar algo comum entre a tristeza e a felicidade: ambas podem se manifestar a partir de coisas banais.
            Pois é, bem que eu tentei difamar a felicidade nas linhas anteriores, mas, no final das contas, sou obrigado a concluir que ela ainda é muito melhor que a tristeza: ficar triste por banalidades é ridículo, mas ficar feliz com banalidades talvez seja algo sublime. Se o caro leitor está achando esse início um pouco confuso, então vou resumir o que de mais importante eu disse até aqui: o importante é ser feliz (ou pelo menos tentar). Então, “seja feliz e cale a boca!”.
            Marquei com Cyrinda um local, na rodoviária, para nos encontrarmos: perto do boneco “Bauruzinho”. E foi inevitável a lembrança dos meus anos de Unesp e seus acontecimentos marcantes, a partir da visão daquele boneco que causou tanta polêmica no nosso meio acadêmico. Muitas e muitas recordações vieram (ou melhor, voltaram à tona), referentes àqueles anos felizes (sem o “glamour” dos velhos tempos, é verdade, mas ainda assim muito divertidos). Bom, enquanto eu e Cyrinda organizamos os preparativos para a viagem, aproveito para relatar, aqui, as lembranças desse tempo tão feliz, que jamais irá voltar. Aproveito, também, para enxugar as lágrimas (não que eu seja um cara exagerado).
            A minha história na Unesp (e também a história de meus colegas de classe) começou em 2005, quando ingressei na referida universidade, após vários anos de tentativas frustradas no vestibular. Epa, mas peraí! Pensando melhor, posso dizer que a história que irei relatar se iniciou mesmo em 2004, quando os nossos “veteranos” iniciaram o curso (Desenho Industrial ou Design): afinal, os mesmos não deixam de ser personagens (principais e importantes) nos acontecimentos que aqui serão comentados. É aquela velha história, do tipo “seriado”, que já comentei em outras publicações (ah não, você vai falar disso de novo?): a “primeira temporada da série” começou em 2004, onde os personagens principais eram os nossos veteranos (que eram “bixos”, na referida época); na “segunda temporada da série” em 2005, os personagens da minha classe finalmente entraram no seriado (como “bixos”); em seguida, “na temporada de 2006”, se tornaram “veteranos” e vieram novos “bixos”... E assim por diante, até o final dos tempos (ou até as nossas “classes de papelão”, as famosas “cinqüentas”, desabarem por falta de melhores cuidados e o curso vier a ser extinto pelo referido motivo).
            Obviamente, iniciarei a narrativa a partir da temporada em que vivi, ou seja, a de 2005, já que não tenho ideia do que aconteceu antes do referido período... Mas... Veja bem, eu poderia tentar perguntar para o meu amigo Marky o que aconteceu em 2004, mesmo ele tendo ingressado na faculdade em 2005, juntamente com a minha turma... Afinal, já que ele nasceu por volta de 1984 e se lembra perfeitamente da Copa de 1982 (ou seja, nem era vivo ainda), recordar o que aconteceu em 2004, para ele, seria muito mais fácil... Grande Marky!
            Então vamos lá... Como se estivéssemos numa máquina do tempo, vamos recordar o que aconteceu... E o que não aconteceu... E o que poderia ter acontecido...

           
            No início de 2005, em um tradicional salão de cabeleireiro, localizado no centro de Bauru, o professor Mitsu esperava tranquilamente a sua vez de cortar o cabelo quando Gilbert, dono do salão, comenta:
            _ Seu aluno do curso particular de desenho, o Billy, apareceu por aqui semana passada, para cortar o cabelo e arrumar o seu topete estilo “Elvis Presley”!
            O professor Mitsu, indignado, comentou logo em seguida:
            _ Ah, que grande besteira ele fez! A lista de aprovados de Desenho Industrial saiu ontem, e eu vi que ele estava incluído nela! Ele jogou fora o dinheiro do corte de cabelo!
            Pois bem, dias depois eu apareci no salão de Gilbert com o cabelo todo “pitimbado” (que Diana Fish, Hamil e outros amigos de trabalho me fizeram o favor de estragar) e, com cara de besta, disse:
            _ Pois é, Gilbert, pode raspar meu cabelo: o seu belo trabalho no meu topete já era, passei no vestibular!
            O legal foi que Gilbert (por dó) não cobrou para fazer o serviço. Mas confesso que me senti muito mal em ter que me desfazer do meu topete e ficar careca... Só não chorei (como a Carolina Dickman da novela) por motivos de força maior (vergonha)...
            Passaram-se alguns dias e chegou, finalmente, a data da matrícula. Imaginei que os “veteranos” iriam dar aos “bixos” uma bela “pintada” (no bom sentido), utilizando as famosas tintas guache de segunda categoria. No entanto, o que acabamos recebendo foi, na verdade, um verdadeiro banho de tinta. Pois é, concluí, a partir dessa atitude exagerada, que as relações de animosidade (entre “bixos” e “veteranos”) não haviam mudado tanto desde os meus tempos de colegial (sim, quem passava da 8ª série para o primeiro colegial, na década de 80, tinha a cabeça raspada). “Que merda!”, pensei comigo mesmo. Ou seja, até o dia da libertação dos “bixos”, teríamos que nos sujeitar a ouvir, calados, as grosserias dos “veteranos”, aguentar as brincadeiras tontas (medir um prédio utilizando palitos de fósforo, matar formiga no grito e outras babaquices) e (o pior e mais vergonhoso): quando nos tornássemos “veteranos”, esquecer de todas as afrontas recebidas e cometer as mesmas atrocidades com os nossos “bixos”. Resumindo: fazer tudo o que estava contra os meus princípios...
            Bom, o que realmente salvou o dia da matrícula foi poder ter uma ideia das pessoas com quem eu conviveria nos meus próximos anos de Unesp, inclusive alguns que eu já conhecia (John e Marky, por exemplo). Também conheci Lydia que, por ser um pouco mais velha, enganou os “veteranos”, dizendo que estava fazendo a matrícula para alguém, por procuração. Mas a pessoa que estava fazendo o processo da matrícula (cara chato do inferno) revelou toda a mentira e Lydia não escapou do banho de tinta. Pobre Lydia!
            Quando chegou a véspera do início das aulas, meu grande amigo August Richard me telefonou (ele era um dos meus veteranos) para avisar que havia confeccionado um bela fantasia (azul) para mim. Eu utilizaria a mesma no “primeiro dia de aula”, ou seja, eu seria o “bixo” que August iria trajar. Alguns esclarecimentos (para os leitores que não estudaram na Unesp): no primeiro dia, existe uma comemoração realizada pelos “veteranos” de Desenho Industrial, um misto de trote com baile a fantasia, onde cada “bixo” utiliza uma traje diferente. Apesar dos elogios que eu havia ouvido, referentes à tradicional comemoração, aquele horrível banho de tinta (recebido na matrícula) ainda estava em minha lembrança, de modo que eu não tinha boas expectativas em relação ao referido evento. Ainda mais que August, pelo telefone, me alertou: “vá na comemoração com a sua roupa mais velha e com o seu tênis mais vagabundo”. No dia seguinte, eu realmente faria o que ele pediu, em relação à roupa. Mas, infelizmente, me esqueci do detalhe referente ao tênis vagabundo...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Capítulo 13 - O Fim ?

INTRODUÇÃO (Leia, muito importante):

            Em primeiro lugar, muito obrigado pelos acessos, que já estão passando de 600 visitas.

          Muitas pessoas estão com "medo" do Blog, imaginando que, em minhas narrativas reais, eu possa estar citando algum fato constrangedor a respeito das mesmas (afinal, quase todos os meus amigos são personagens). No entanto, mesmo se eu citasse algo de ruim, todos os personagens estão com pseudônimos, ou seja, com a identidade preservada. "Diários de Billy Winston" possui algumas passagens polêmicas, mas acredito que não causará constrangimento a ninguém. Aliás, considero o livro até mesmo otimista, em quase sua totalidade, pois mostra uma história de superação. Mas aceito opiniões e críticas, caso ocorra algum problema.

O Blog "Grass Valley Memorial" tem como seu principal objetivo a publicação de obras pessoais e de amigos.
A primeira obra a ser publicada no presente blog é "Diários de Billy Winston", de minha autoria. A mesma foi escrita entre 7 de setembro de 2010 e 7 de janeiro de 2011, e engloba os acontecimentos de minha própria vida e também de meus amigos, durante o referido período. A narrativa apresentada no livro é 100% real e, portanto, os nomes verdadeiros dos personagens foram substituídos por pseudônimos, no intuito de preservar os mesmos.
Qualquer blog que se preze só se mantém ativo através da postagem de comentários (opiniões, críticas, etc) das pessoas que acessaram o mesmo; quando não ocorre a referida participação, a tendência é que o proprietário do blog (neste caso, eu mesmo) não se sinta mais motivado em manter o mesmo em atividade.
Portanto, não deixem de postar a sua opinião, mesmo que você não seja (ainda) personagem participante dos livros apresentados. E se você já escreveu algum livro e tiver vontade de publicá-lo neste modesto blog, não hesite em pedir. Será uma honra! Bom divertimento a todos.


Trilha Sonora sugerida para o presente capítulo (Cap. 13 – O fim ?):

EM HOMENAGEM AOS MEUS QUERIDOS PERSONAGENS E AMIGOS:

Sentimento e Insensatez  (MINHA BANDA QUERIDA: The Jimball Bilangs

http://www.youtube.com/watch?v=fdVVH7ee3Po

CAPÍTULO 13 – O FIM ?

Escrito entre: 07 de janeiro de 2011
Período: 01 de janeiro a 07 de janeiro de 2011



            Largado no corredor de um hospital, logo no primeiro dia de 2011! Lucia, finalmente, passou dos limites e acabou ferindo ela mesma! E feriu a alma de todos os familiares, inclusive a minha! Mas, ainda assim, não fiquei depressivo por causa disso! A minha “frieza benigna” testada no último nível... E, quem diria, passei no teste!
            Agora, sou apenas eu e o corredor do hospital. Nada de tristeza ou de alegria, nada de estar apaixonado por alguma garota, nada de orgulhos banais. Agora sou só eu e o corredor do hospital. Por um momento, cheguei a confundir o mesmo com o outro hospital, o qual eu havia passado a noite, em 1995, por causa da plástica no nariz. Aliás, a plástica no nariz, como era de se esperar, não mudou quase nenhum aspecto do meu caráter. O que mudou toda a minha maneira de pensar e de agir foi justamente o outro tipo de plástica, a “plástica da alma”, vivenciada nesses últimos meses, a partir, principalmente, da doença de Lucia. Agora sou uma pessoa mais forte e consciente que, até o último dia de vida, vai lutar para que nada mais dê errado. Existiram épocas em que eu não era muito apegado a Deus e, ainda assim, ele estava comigo. Fico imaginando agora...
            O primeiro dia do ano caiu em um sábado e, na quinta-feira seguinte, Lucia foi ao médico. Depois de várias medidas rígidas adotadas, Lucia finalmente começou a seguir rigorosamente o tratamento prescrito pelo seu psiquiatra. Não vou “cantar vitória” antecipadamente, mas ela melhorou muito. Depois de passar a quinta-feira e parte da sexta-feira na casa de minha tia Ida, finalmente fui buscá-la. Quando estávamos no carro, Lucia começou a se queixar de falta de ar (sintoma muito comum nos depressivos) e, assim, juntamente com a minha outra tia (Nancy), a levamos para o pronto-socorro. A partir da medicação ali ministrada, Lucia finalmente começou a cair em si, com a sua mente, aos poucos, voltando à lucidez. Inclusive, chegou até a me pedir desculpas pelas coisas horríveis que ela havia me falado nos últimos meses.
            O sol voltou a brilhar novamente e até mesmo as chuvas que seguiram se tornaram as mais bonitas que eu já havia presenciado. Agora, não sou apenas eu e o corredor do hospital: sou apenas eu e o mundo. Vai ser muito difícil me deixar abalar tanto pelos problemas, como antigamente. E, se depender de mim, nenhuma pessoa que eu amo se tornará escrava da depressão novamente...


Fim de “Diários de Billy Winston” – Considerações Gerais e Agradecimentos

            Estou realmente sem palavras! Que felicidade! Que satisfação! Quando o meu amigo (e personagem) Dezones me sugeriu a criação do Blog (para divulgação dos meus livros), nunca imaginei que teria tamanha receptividade: mais de 600 visitas, em tão curto espaço de tempo (ou seja, um blog com pouquíssimos meses de vida). É claro que muitos, por falta de tempo, apenas deram uma rápida olhada e não chegaram a ler os capítulos. No entanto, tenho a comprovação que outra grande parcela de amigos acompanhou os capítulos, comprovação realizada a partir dos inúmeros comentários postados no próprio blog, Facebook, Orkut, E-mail, Msn, além de muitos elogios feitos pessoalmente. A todos esses amigos, MUITO OBRIGADO!
            Quanto ao Blog, acredito que o fato de eu ser bastante introspectivo (em certas ocasiões) é que me permite relatar de forma tão emocionada os fatos do cotidiano (muitas vezes com bastante precisão). Assim, seria uma pena (e, quem sabe, até um certo egoísmo) eu guardar todos esses escritos comigo secretamente, já que os mesmos registram muitos fatos interessantes envolvendo os meus amigos. Ou seja, acontecimentos de interesse comum, que podem provocar as mais variadas emoções e divertir a todos.
            O livro “Diários de Billy Winston” terminou... E agora? Qual será o futuro do blog? Várias pessoas me pediram para publicar o meu primeiro livro, chamado “Cicatrizar e Recomeçar”, mas eu ainda não me sinto a vontade em divulgar o mesmo. Ele foi escrito há muito tempo atrás, quando eu era mais novo e, por isso, é MUITO polêmico. Depois de uma boa revisão (e de uma boa censura), talvez valha a pena publicá-lo. Mas não agora... Assim, comecei a escrever outro livro (ainda sem título definido) que vai abordar, entre tantas outras coisas, a fase “Unesp” (“bixos”, “bixetes”, “veteranos”), mas sem deixar de mencionar (como sempre) os velhos amigos (e acontecimentos) do passado (década de 80 e 90)...
            Por enquanto, me despeço de vocês, prometendo agilizar os próximos escritos com bastante dedicação... Grande abraço a todos!

domingo, 15 de maio de 2011

Capítulo 12 - Ser bom: onde está o incentivo?

Trilha Sonora sugerida para o presente capítulo (Cap. 12 – Ser bom: onde está o incentivo?):

Ride On  (AC/DC) 

http://www.youtube.com/watch?v=wsDpwb3ILxM

CAPÍTULO 12 – SER BOM: ONDE ESTÁ O INCENTIVO?

Escrito entre: 08 de dezembro 2010
Período: 23 de novembro a de dezembro de 2010



            Sem sombra de dúvida, a bondade é uma das qualidades mais belas e nobres. Mas ser bom neste mundo é difícil! Não é de se estranhar que existe tanta maldade por parte dos homens! Pela lógica terrestre, para que os nossos projetos tenham êxito e, para que fiquemos empolgados com os mesmos, é importante termos um incentivo. E um incentivo para a bondade (direto, “palpável” e presente), infelizmente, não existe. O único consolo é aquela frase da Bíblia (entre outras), que nos diz que os humilhados serão exaltados (na vida eterna). Mas quase ninguém lembra disso: quem vai querer uma recompensa que nos será dada apenas depois da morte? Existem pessoas que nem mesmo acreditam que existe vida após o falecimento! E aquelas frases “animadoras” do tipo “devemos viver o presente”? Se devemos viver o presente, qual a finalidade de ficar pensando em exaltação após a morte? Não estou, de forma alguma, querendo discordar do que a Bíblia ensina (inclusive, concordo com seus ensinamentos). Mas é quase impossível fazer um ser humano entender que a bondade de hoje será recompensada no futuro... Eu mesmo acabo me esquecendo dessa verdade...
            No entanto, existem outras coisas que nos desanimam nesse processo de sempre procurar o caminho do bem, da justiça e da caridade. Apesar daquela “frieza benigna” que citei em capítulos anteriores, confesso que estava me sentindo triste e melancólico nos últimos dias. No entanto, apesar de estar me sentindo péssimo, não foi nada tão traumático, devido à referida frieza. Mas em um determinado momento, finalmente, a voz da consciência me convenceu de que eu deveria voltar para o lado do “bem”: nada de revolta, nada de tristeza. Consequentemente, uma vontade de praticar a bondade invadiu todo o meu ser. Não diria nem vontade, mas sim uma necessidade verdadeira de ajudar as pessoas, uma espécie de satisfação pessoal a serviço do próximo. Inclusive, boas ações que ninguém ficaria sabendo, conforme a Bíblia diz: “que a sua esquerda não saiba o que a sua direita faz”. Então, dessa maneira nobre resolvi proceder e, infelizmente, o que estava ruim, ficou pior ainda.
            É quase certeza que existe alguma força ou entidade que fica infeliz quando tomamos o caminho do bem novamente, depois de um período ruim. Não importa se é o “demônio” do qual os cristãos falam, ou os maus espíritos estudados na doutrina espírita ou, até mesmo, algum coisa pertencente ao nosso próprio planeta. A partir do momento em que resolvi me acalmar e ter fé na vida novamente, tudo começou a dar errado: o meu carro teve problemas (a luz da bateria no painel), Lucia me xingou sem nenhum motivo e, logo em seguida, pessoas que nunca haviam me tratado mal procederam dessa maneira, entre outras coisas horríveis. A situação ficou tão gritante que, em determinado momento, pensei comigo mesmo: “Eu estou sendo tentado”. Relato esses fatos sem nenhum tipo de fanatismo, já que tive a comprovação deles: como poderia tudo começar a piorar de uma hora para outra, do nada, sem razão aparente? E aquela ideia de cultivarmos pensamentos positivos para que tudo dê certo, será que é realmente verdade? Não foi o que eu vivenciei nessa situação.
            No entanto, apesar de tudo, o mais importante da história foi o fato de não me entregar às vontades dessa “entidade do mal”. Quer me prejudicar? Quer me deixar triste? Quer me deixar doente, largado numa cama? Quer “tirar” mais alguém de mim, assim como você fez com Lucia? Pois faça da maneira que lhe convier, mas não conte com a minha obediência, meu caro! A minha obediência é somente para com Deus! E, dessa forma, permaneço atrelado ao caminho do bem, não importa o que de ruim me acontecer.
            É claro que, como ser humano, tenho os meus defeitos. No entanto, nesse caso específico, fiz o que é certo. Mas será que uma pessoa mais amarga e revoltada (muito mais prejudicada do que eu pelas injustiças dessa vida) teria condições de fazer o mesmo? Mesmo que ela resolvesse (a partir da voz da consciência) procurar o caminho do bem e, logo em seguida, fosse “maltratada” por esse motivo, será que não surgiria, em sua mente, aquela idéia de “não adianta ser bonzinho, quem é bonzinho só se dá mal?”. Entenderam porque existem tantas pessoas más nesse mundo? Definitivamente, neste planeta, não existe nenhum incentivo para se praticar o bem. Ainda assim, acredito que devemos continuar insistindo na bondade, por mais que sejamos prejudicados por causa disso.


            Na quarta-feira, Cyrinda ligou para me fazer um convite: quinta-feira, na parte da noite, haveria uma queima de fogos para comemorar a chegada do natal, juntamente com a inauguração da casinha do Papai Noel. Essa comemoração aconteceria na Companhia de Força e Luz de Bauru. Carl e Bibi também compareceriam. Na quinta-feira, então, ao término das aulas de informática ministradas por mim, me dirigi para o local da referida festividade. A queima de fogos foi muito bonita, assim como toda a decoração da casa do Papai Noel. Cyrinda aproveitou para anunciar que havia conseguido um emprego. As coisas não poderiam estar melhores. Quando a festividade terminou, fomos tomar sorvete e, logo em seguida, nos dirigimos ao apartamento de Carl e Bibi, para “jogarmos Nintendo 64”. E uma simples noite de quinta-feira que, normalmente, seria apenas uma noite comum, se transformou em mais um evento maravilhoso! No sábado, na parte da noite, combinamos de reunir a turma novamente e, desta vez, Eugene e Diane também estavam presentes.
            Não vou ficar com falsa modéstia: se este mundo estivesse sob o comando de Carl, Bibi, Cyrinda, Diane, Eugene e Billy, a tristeza não existiria. Com a gente, não existe tempo ruim: não viemos à esse mundo para atrapalhar (como boa a parte das pessoas), mas sim para sermos felizes. E não importa o que de ruim possa nos acontecer: já derrotamos a depressão antes mesmo dela nos atingir.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Capítulo 11 - O Capítulo dos Mortos

Trilha Sonora sugerida para o presente capítulo (Cap. 11 – O Capítulo dos Mortos):

Sludgefeast  (Dinosaur Jr.) 

http://www.youtube.com/watch?v=yi1LrNtVltg

CAPÍTULO 11 – O CAPÍTULO DOS MORTOS

Escrito entre: 18 de novembro de 2010
Período: 11 de novembro a 16 de novembro de 2010


          Domingo à noite, mais uma reunião agradável no apartamento de Carl e Bibi. Levei meu notebook e aproveitamos para jogar alguns jogos. Estávamos até pensando em comprar um velho (e bom) Nintendo 64, para podermos jogar durante as nossas reuniões. Na hora de ir embora, eu e Cyrinda nos despedimos dos amigos (Carl, Bibi, Eugene e Diane) e partimos rumo ao bairro Mary Dota (Cyrinda ficaria na casa de sua prima).
        Não contei para Cyrinda, mas eu estava prevendo que toda a minha “frieza benigna” finalmente iria virar pó durante aquele trajeto até o Mary Dota: o bairro onde meu finado amigo Bret morava. E a lembrança daquela festa de quinze anos (de uma das irmãs do meu amigo Little Lang), realizada em 1995, voltaria com tudo na minha mente e, quem sabe, talvez pudesse até me arrancar algumas lágrimas. Vou relatar alguns detalhes do final da festividade, para a melhor compreensão do leitor.
No ano de 1995, ao terminar a referida festa, eu dei uma carona para Bret e para o meu primo Andrew Gar (que pude rever no casamento de Ann Polly e Marty, recentemente). Não sei explicar como uma coisa tão corriqueira (uma simples carona) acabou me marcando tanto (e isso muito anos antes de Bret morrer). Será que era alguma previsão de que Bret não ficaria com a gente por muito tempo?
Mas não foi só isso: alguns anos antes da festa mencionada, em uma noite sombria do final da década de 80 (mais ou menos uns 13 anos antes de Bret partir), estávamos brincando na rua (juntamente com nossa turma de amigos) e, ao olhar para o rosto de Bret, uma estranha melancolia tomou conta de mim. E acabei perguntando algo do tipo: “Bret, porque a noite é tão triste? Por que as coisas são tão tristes à noite?”. Bret disse, um pouco surpreso com aquela estranha pergunta, que a noite não era triste para ele e não sabia o porquê da noite ser triste para mim. Na verdade, eu também não sabia: só fui descobrir, anos depois, o motivo da noite (às vezes) ser triste, quando ele finalmente partiu para a eternidade.
            Bom, retornando ao ano de 2010: durante o trajeto rumo ao Mary Dota, nenhum tipo de desconforto me atingiu, já que eu e Cyrinda viemos conversando e, consequentemente, nos distraindo com a nossa conversa. Apenas a lembrança da reportagem que vi pela manhã (daquela garota que foi assassinada na cidade de Bauru, em 1970) estava me incomodando um pouco. Cheguei a comentar com Cyrinda que temia sonhar com a pobre garota, durante o meu sono daquela noite. Por fim, depois que me despedi de Cyrinda e tomei o caminho de volta para casa, tive a consciência de que o meu “grau de frieza” estaria sendo testado a partir daquele momento (já que, agora, eu estaria solitário, percorrendo as mesmas ruas por onde eu, Bret e Andrew Gar nos aventuramos, em 1995). Todas as referidas lembranças a respeito do meu amigo (e citadas até aqui) vieram a tona, mas a minha “frieza benigna” permaneceu inalterada! Fiquei impressionado comigo mesmo: nenhum lamento, nenhuma lágrima; apenas um sentimento de respeito para com Bret, nada mais que isso! E, na hora de dormir, não sonhei com a pobre garotinha assassinada!


        Bret não foi o único dos poucos amigos meus que faleceram. Na noite de Segunda para Terça, tive um sonho com a participação de Barral que, talvez, tenha sido o meu segundo amigo que partiu para a eternidade. Foi um sonho totalmente desconexo: Barral estava fazendo uma prova e o tempo previsto para a mesma estava terminando; assim, eu pedi para o responsável deixá-lo terminar a referida prova, ainda que o prazo da mesma estivesse esgotado. Uma possível interpretação do sonho poderia ser o fato de Barral ter partido tão cedo, sem a chance de poder completar as provas que esta vida havia lhe preparado. Acredito que Barral era apenas um ano mais novo que eu, vindo a falecer quando já estava atingindo a casa dos 30 anos.
            Estudei na classe de Barral, praticamente, quase todo o período em que estive no San Joe (9 anos). Quando conheci o mesmo, ainda no primário, ele era uma criança que apresentava uma tendência muito forte em apresentar “explosões” de raiva, podendo até mesmo se tornar violento. Por isso, nessa época, eu não gostava muito dele, não éramos lá muito amigos. No entanto, apesar do seu gênio difícil, Barral era um dos nossos, já que não se misturava aos garotos “casca-grossa” do Colégio, que praticavam até mesmo Bullying. Ou seja, Barral pertencia à turma dos “mocinhos” (eu, Skat, Casey, Ronnie, etc), mais ou menos como o polêmico Wolverine integrando a equipe dos X-men.
       Na quarta série, finalmente, eu e Barral começamos a nos entender e, assim, nos tornamos amigos. E passei a ter uma grande admiração por ele, visto que, apesar de não concordar muito com a sua personalidade agressiva, ainda assim o considerava um exemplo de resistência à autoridade (muitas vezes injusta) imposta no Colégio. Barral era um verdadeiro inconformista diante de tudo o que ele não concordava: por exemplo, a arrogância das meninas (com exceção de Maggie e de uma pequena minoria), citada anteriormente. A partir do ponto de vista que eu apresento na atualidade, considero muitas dessas atitudes de Barral excessivas e sem sentido (já que poderiam ser resolvidas de maneira mais amigável); no entanto, como na época eu era mais novo (e, consequentemente, um pouco mais rebelde), não questionava muito as atitudes polêmicas de Barral, considerando-as, simplesmente, uma questão de justiça (assim como tudo em “Jimball Bilangs”). A última vez que vi Barral foi em 1990, no nosso último ano no San Joe. Depois disso, tive notícias dele por volta da década de 90, quando eu conversava com o seu irmão pelo MIRC, aquele famoso programas de bate-papo via Internet. Segundo ele, Barral, agora, morava em uma chácara, juntamente com a esposa e já tinha um filho.
            Em meados de 2007, meu amigo Ricky posta um comentário na comunidade “Turma de 90”, a qual criei no Orkut, informando que Barral havia falecido. Parece que Barral tinha alguma espécie de problema renal, alguma coisa desse tipo. Fiquei chocado, pois ele era um dos amigos que eu mais desejava rever, algum dia. Inclusive, achei uma pena ele não ter comparecido ao encontro que realizamos em 2006 (não tínhamos informações suficientes para entrar em contato com ele). Então, bastante comovido, postei um poema (escrito por Dezones) na comunidade “Turma de 90”, em homenagem a Barral, além de outros “scraps”.
         Passou algum tempo e, finalmente, pude visitar o meu grande amigo Laurence em seu apartamento (ele também havia se ausentado no encontro de 2006). E foi uma grande satisfação para mim, pois ele ainda era o Laurence dos velhos tempos: a sua aparência, além do seu bom humor, estavam praticamente inalterados. Conversamos sobre vários assuntos: pessoas do passado, os nossos velhos computadores MSX, etc. Num dado momento, Laurence disse que precisava me entregar algo: surpreendentemente, era um livro de jogos de MSX que eu tinha emprestado pra ele, ainda na década de 90. Nunca pensei que iria rever, novamente, aquele livro (um dos meus preferidos), mas Laurence teve todo o cuidado de guardá-lo para mim.
       Então, toda a descontração e o bom humor de Laurence sucumbiram no dado momento em que comentei sobre a morte de Barral. Era do meu conhecimento que os dois nunca se deram muito bem, mas não imaginava que Laurence havia guardado tanto mágoa. E, diga-se de passagem, um tipo de mágoa totalmente justificável, conforme as coisas horríveis que Laurence me contou logo em seguida: o quanto Barral o havia prejudicado no passado e o fato de Barral ter arruinado a vida de milhares de pessoas (incluindo alguns membros de sua família e várias mulheres que ele adulterou). Ou seja, Laurence não tinha nenhum motivo para lamentar a morte do indivíduo.
         Mas, e quanto a mim? Bom, eu acabei ficando totalmente confuso, já que eu desconhecia essas atitudes ilícitas de Barral, ocorridas na década de 90: conforme comentei, foi justamente a época em que eu não tinha muito conhecimento do seu exato paradeiro (referente a isso, Laurence chegou até a comentar: “Sorte sua!”). No entanto, o que mais me incomodou, de início, foi o fato de ter postado vários comentários na comunidade do Orkut, lamentando a morte de Barral (além da poesia de Dezones). Ou seja, eu praticamente estava lamentando a morte de um psicopata! Assim, num primeiro momento, pensei em apagar todas essas postagens feitas no Orkut, pois aquilo não poderia pegar bem para mim. Mas, depois, pensando melhor, resolvi manter todas as minhas opiniões na comunidade, já que eu estava me referindo ao meu amigo Barral da década de 80, e não ao “delinquente juvenil” que eu sequer conheci, na década de 90. E, acrescentando algo ao que Laurence disse, realmente isso foi muita sorte minha, visto que a imagem que ficou de Barral, na minha concepção, foi a daquele amigo que, pela sua personalidade agressiva, poderia ter feito parte da turma dos garotos “casca-grossa”, mas que, ainda assim, optou por fazer parte da turma dos garotos de boa índole.
            Portanto, levando em consideração o sonho que tive, Barral acabou partindo muito cedo desse Planeta, não tendo uma segunda chance de mostrar para todos o quanto ele era uma pessoa especial, ou seja, não teve a oportunidade de voltar a ser aquele cara legal que conheci na década de 80, no San Joe.

domingo, 1 de maio de 2011

Capítulo 10 - Já tive uma "amiga Marilyn Monroe"!

Trilha Sonora sugerida para o presente capítulo (Cap. 10 – Já tive uma “amiga Marilyn Monroe”!):

Caroline No (The Beach Boys) 

http://www.youtube.com/watch?v=QCI5wZRn9iE

CAPÍTULO 10 – JÁ TIVE UMA “AMIGA MARILYN MONROE”!

Escrito entre: 18 de novembro de 2010
Período: 11 de novembro a 16 de novembro de 2010

 
            Na noite de quinta, me dirigi para o Bauru Shopping, a fim de comprar um presépio para montar em meu quarto (sempre gostei de presépios, desde os tempos de infância). Fiz isso com a consciência completamente limpa, mesmo sabendo que, talvez, poderia estar sujeito à acusações de idolatria, pelo fato de estar adquirindo “imagens”. Mas a verdade é bem diferente: durante a minha vida, apesar de gostar de imagens, nunca fiquei adorando as mesmas. Ou seja, encaro as referidas estátuas enquanto obra de arte, longe de qualquer culto idolátrico (o qual não acredito). Por exemplo: sempre tive uma estátua de Moisés no meu quarto e nunca fiquei me ajoelhando perante a mesma, para adorá-la (confesso que, as vezes, até me esqueço que a figura representada é Moisés). Além disso, a partir dos ensinamentos que recebi desde os tempos de infância, a imagens presentes nas igrejas estão ali apenas para lembrar (embora muitas vezes não seja preciso) a presença de Deus, de Jesus , dos santos (sinônimo de pessoas ungidas) e profetas.


            Maggie, a simpática personagem de “Jimball Bilangs”, retornou à minha vida, depois de um longo período de ausência. Sonhei com ela na noite de quinta para sexta, mas não consegui interpretar o significado do referido sonho. Assim, me resta relatar toda a confusão presente no mesmo.
            Bem difícil de expressar o que estava acontecendo: eram trabalhos e mais trabalhos de faculdade “pipocando” de todos os lados, misturados às tarefas de organização de uma mansão, onde os personagens do sonho estavam inseridos. Enquanto eu tentava inutilmente terminar os trabalhos e a arrumação do cômodo onde eu me encontrava, Maggie chegou até a mim “munida” de sua simpatia habitual e de toda a sua “beleza loura” (estilo Marilyn Monroe). Estava usando o vestido vermelho (muito lindo), o mesmo que eu havia idealizado para ela (na verdade, para a sua personagem de “Jimball Bilangs”). Maggie disse que precisava falar comigo e, como seria uma longa conversa, poderia ser depois que eu terminasse todas as minhas tarefas. Se soubesse que tudo não passava de um sonho, consequentemente, eu também teria a consciência de que todas aquelas tarefas (organização da mansão e trabalhos de faculdade) eram pura perda de tempo. Então eu pensaria “Que se dane essas tarefas inúteis” e iria conversar com a minha amiga Maggie, imediatamente. Mas, como eu não tinha conhecimento de que era apenas um devaneio, acabei desperdiçando a única coisa que valia a pena no mesmo: a minha amiga loira, a suposta reencarnação de Marilyn Monroe. Assim, concordei em conversar apenas quando todo o serviço estivesse terminado. Apesar da minha “burrice”, tentei executar as tarefas o mais rápido o possível, pois estava louco para me aproximar de Maggie novamente, me deliciar com toda a sua simpatia e beleza, ver o que ela queria comigo depois de tantos anos. No entanto, quando fui conversar com ela (que estava próxima de um muro, localizado em uma rua sombria), já era muito tarde, conforme provaram as suas palavras: “Billy, você demorou demais! Agora, já estou indo me casar... Adeus!”. Depois, Maggie deu as costas e partiu... E o sonho terminou... Será que Maggie havia me escolhido como marido e, como demorei demais, ela se casou com outro?
            Apesar de nunca ter me apaixonado por Maggie na vida real, casar com ela até que não seria uma má ideia, pelo fato dela ser uma menina linda, inteligente e educada. Na época em que estudei em sua classe (entre 1985 e 1990), era difícil encontrar uma menina que fosse bonita e legal, ao mesmo tempo. No entanto, Maggie era uma das exceções. Recordo que, tanto eu como a maior parte de meus amigos, éramos uns “babacas” naquela época. Assim, Maggie, talvez, tivesse todo o direito de nos odiar, já que tínhamos feito uma coisa muito desagradável com ela, na sétima série. No entanto, ela nos perdoou (talvez, tendo a consciência de que os meninos, na fase de adolescência, são mesmo difíceis) e continuou nossa amiga. Não me lembro com detalhes o que realmente aconteceu na sétima série: apenas me recordo que foi pelo fato de Maggie ter conseguido a maior votação para presidente da classe (provando, mais uma vez, o seu carisma). Acho que os meninos ficaram com inveja (ou algo do tipo) e, por causa disso, começaram a ofender Maggie. Engraçado: nós mesmos a elegemos, então qual o motivo do descontentamento?
            Mas, passando por cima de todas essas coisas desagradáveis, considero Maggie uma das melhores pessoas que eu já conheci (apesar de, infelizmente, não termos sido tão próximos).


            No sábado, aconteceu o casamento da minha prima Ann Polly com o simpático Marty, que agora também é meu primo. Imaginei que, talvez, as mesmas percepções arrebatadoras que tive no casamento de Carl e Bibi pudessem voltar. Mas, felizmente, eu estava enganado: achei muito legal toda a comemoração. Inclusive, pude rever vários parentes que eu não via há muito tempo. Mas algo diferente aconteceu: as percepções não voltaram e a emoção também não tomou conta de mim (pelo menos, da forma que acontecia, antigamente). Fiquei feliz em rever a minha família, mas foi uma felicidade normal e sem excessos. Achei que toda aquela conversa de ser frio (de maneira benigna, comentada no capítulo anterior) iria durar apenas por alguns dias, mas desconfio que vou conseguir incorporar essa tática para o resto da vida. A não ser que apareça alguma garota para amar; nesse caso, vou colocar todo o meu sentimentalismo a disposição dela. Um sentimentalismo que vai tirar o fôlego da mesma... “Come on, baby, light my fire”.

domingo, 24 de abril de 2011

Capítulo 9 - Estrelas são estrelas


Trilha Sonora sugerida para o presente capítulo (Cap. 9 – Estrelas são estrelas):

Stars and Stars (Echo & The Bunnymen) 

http://www.youtube.com/watch?v=mD-6HMHLxzM

CAPÍTULO 9 – ESTRELAS SÃO ESTRELAS

Escrito entre: 08 de novembro de 2010
Período: 04 de novembro a 07 de novembro de 2010


            “E quanto à Vicky? O que eu faria se a encontrasse novamente? Não quero nem pensar nessa possibilidade... Ver a mesma com o seu noivo (na mesma circunstância que encontrei Marry) iria ser muito doloroso para mim. Não pretendo mais ver Vicky, pelo menos nessa vida...”.
            Pois bem, talvez eu tenha encontrado a resposta para esse “enigma”, já citado anteriormente. Qual a minha reação, caso eu visse Vicky mais uma vez? Pela minha atitude apresentada à situação (contrariando o que, antes, eu tinha concluído a respeito), acho que, talvez, esteja começando uma nova fase da minha vida... E, consequentemente, uma nova fase dos “Diários de Billy Winston”.
            Pode até ser que a garota não fosse Vicky, pois não tive tempo de observar com mais calma, já que eu estava dirigindo. Mas, sendo ela ou não, isso não faz a mínima diferença: o mais importante foi a minha reação ao avistamento, ou melhor, a minha frieza diante da garota que eu mais amei, no passado.  Contrariando as expectativas, não senti o menor desconforto ao presenciar Vicky naquela cena tão comum, apenas andando pela rua, despreocupadamente. Para falar a verdade, não senti nada, muito diferente de outros tempos. E acabei concluindo que não existe problema nenhum ao se apresentar o comportamento de uma pessoa fria, em momentos como esse. E aqui estou sugerindo a adoção de uma frieza “verdadeira”, e não de uma indiferença, só para manter o orgulho. Também não estou me referindo àquela “frieza mórbida” de um delinquente ou de um assassino (graças a Deus, isso não tem nada a ver comigo). Estou apenas apresentando o fato de não assumir um comportamento sentimental para qualquer coisinha tola do dia-a-dia e, no caso do exemplo citado, até mesmo inevitável: é claro que Vicky daria um rumo à sua vida, independente de meu amor por ela ser verdadeiro ou apenas uma paixão passageira. Ou seja, qual a vantagem de ficar me lamentando por algo inevitável? Acredito que o nosso sentimentalismo somente deve vir a tona em situações que nos tragam felicidade e não tristeza.
            Em todo caso, não posso simplesmente apagar o que senti por Vicky no passado, mas também não devo ficar sofrendo por causa dela, no presente. O lado bom de toda essa história foi o surgimento de uma das personagens mais queridas, engraçadas e carismáticas do livro “Jimball Bilangs”.


            Tarde de domingo, me encontro sentado em minha cama, com minhas pernas esticadas, uma posição realmente confortável. Meus cabelos compridos atingem boa parte dos meus olhos, dificultando um pouco a minha visão. Meu estômago está dolorido, visto que exagerei um pouco nos alimentos “fortes”, durante esse inesquecível fim de semana. No outro lado da minha cama, Melody (um dos meus gatos, a gatinha de pelagem negra) dorme tranquilamente e, quando me aproximo para acariciá-la, ela começa a ronronar. Logo acima de Melody, na estante, uma visão agradável: a estátua da menina loira, juntamente com a minha coleção de carrinhos em miniatura (incluindo os dois que ganhei de Cyrinda no dia anterior, data do meu aniversário, os quais adorei muito).
            Acabei de ler mais uma parte do livro “Tristessa”, de Jack Kerouac, escritor com quem me identifico muito. Quando comecei a escrever “Cicatrizar e Recomeçar” (no final de 2003), procurei não seguir o estilo de nenhum autor, adotando, assim, uma maneira própria de escrever. Quase 7 anos depois, descubro Kerouac, que escrevia de uma maneira muito parecida com o estilo que utilizo hoje.
            Apesar de tudo estar perfeitamente bem, acho estranho estar sentindo aquela “leve depressão” que surge de tempos em tempos (medo de alguma coisa que eu não sei ao certo o que é), ao mesmo tempo que sinto uma excitação ao observar a maneira “sensual” com a qual o meu corpo abrange quase a totalidade de minha cama. Que coisa! E eu que tinha afirmado (no presente livro) há pouco tempo atrás que não tinha “sex appeal” nenhum! Na verdade, estou começando achar que essa percepção de apelo sexual, talvez, varie de acordo com o nosso senso de humor e que todas as pessoas são sensuais. Cyrinda também havia escrito (em uma das inúmeras correspondências eletrônicas que trocamos) que também se achava desprovida de “sex appeal”. No entanto, depois que ela mudou o seu visual, alisando e arrumando o cabelo de uma maneira diferente (ficou muito linda), acho que essa minha querida amiga está sendo muito modesta ao dizer que também não tem o referido “sex appeal”.
            Bom, a lembrança da comemoração do meu aniversário, realizada no dia anterior, também se encontra “navegando” pela minha mente (juntamente com todo esse papo de “sex appeal”, de Jack Kerouac, de dores de estômago, de “depressões leves”), ao mesmo tempo que Melody permanece em seu “sono felino”. Sabe, meu aniversário de 35 anos foi um daqueles momentos mágicos, começando pelo lugar onde foi realizado: o novo apartamento de Carl e Bibi (ambiente muito agradável, assim como a casa de Eugene e Diane). Mesmo a comemoração sendo realizada na parte da noite, consegui imaginar a visão proporcionada por uma das janelas do apartamento, durante o dia (a qual Bibi e Cyrinda me relataram): uma enorme planície esverdeada, onde as vaquinhas comem grama, tranquilamente. Muito “Pink Floyd”! Vocês se lembram da capa do disco “Atom Heart Mother”?
            Bom, quanto aos amigos presentes no aniversário (Eugene, Diane, Cyrinda, Carl e Bibi), acho que não existe a necessidade de colocar aqui, nesse relato (pois já é de conhecimento de todos) o quanto eu adoro cada um deles. Inclusive, “A amizade”, título de um dos poemas pertencentes ao meu livro “Sentimento e Insensatez”, está se referindo a esses queridos amigos (nova geração) e, também, aos antigos (velha geração). Curiosidade: o poema citado foi escrito em 2009 e teve, como inspiração, aquela festa de aniversário (surpresa) que eles realizaram para mim, na casa da família de Bibi (outro momento inesquecível). E pensar que, no início do século 21, eu caminhava sozinho pelas ruas e não tinha ninguém... Vou recapitular essa época (triste) de minha vida com mais calma.
            Entre 2001 e 2002, os meus amigos antigos ou tinham se casado, ou tinham se mudado do Grass Valley ou estavam andando com outros amigos. Em 2001, somente eu e Micky ainda estávamos tentando formar bandas e saindo para curtir a noite. No entanto, chegou a época em que Micky teve que tomar o seu caminho (agora não me lembro se ele partiu para Curitiba ou para Joinville). Felizmente, em meados de 2002, ele retornou ao Grass Valley e, com muita dificuldade, formamos a banda “Soma”. Naquela época, Micky já não era somente meu amigo ou, simplesmente, o guitarrista solo da minha banda: mais que isso, ele estava se tornando o meu irmão (e também o irmão de Hal, nosso amigo vocalista). Infelizmente, durante todo esse clima de fraternidade, amizade e criatividade musical, Micky teve que ir embora mais uma vez. E eu acabei mergulhando em uma verdadeira confusão mental: meu melhor amigo havia partido, agora eu não tinha mais ninguém.  Mais detalhes a respeito desses episódios em “Cicatrizar e Recomeçar”.
            Mas, em 2003, tudo iria mudar... Os meus laços de amizade com os integrantes da minha banda mais nova (a “Máfia de Memphis”) estavam se tornando cada vez mais fortes, a medida que novos amigos iam se juntando à nossa “sociedade microcósmica” (termo que eu e Dezones, outro amigo que considero um irmão, usávamos para definir o nosso grupo, durante o cursinho pré-vestibular). Com a mudança de classe, no próprio cursinho (mudança já relatada em capítulos anteriores), a “sociedade microcósmica” se transformou em “sociedade macrocósmica” (ou seja, um grupo de amigos muito maior) e vieram, então, Cyrinda, Bibi, Diane, entre outros. Posteriormente, Bibi trouxe Carl e Diane trouxe Eugene. Mais tarde, boa parte dos amigos pertencentes à “sociedade macrocósmica” tiveram que tomar o seu caminho. Mas, felizmente, Carl, Bibi, Cyrinda, Diane, Eugene e Dezones permanecem comigo até os dias de hoje. Então, posso dizer, com orgulho, que jamais serei, novamente, um “solitário a caminhar pela cidade antiga”... Que alívio! E pensar na solidão do início do século 21... Nossa, doía demais!
            Para terminar todo o assunto (enquanto ainda permaneço em estado de relaxamento, deitado aqui em minha cama), sei que vai ser inevitável o seguinte questionamento, a respeito do presente livro: “Ei Billy, eu também sou seu amigo: então, porque eu apareço tão pouco nos ‘Diários de Billy Winton’? Ao contrário de Cyrinda, Dezones, Eugene, Diane, Bibi e Carl, que aparecem em quase todos os capítulos?”.  Ora essa, se você sumir, eu não tenho culpa da sua modesta participação na narrativa! Apareça em sonhos, pelo menos...