quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Capítulo 24 - E nessa altura eu pensei "...acho que não curto Design tanto assim..." - Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Capítulo 24 - E nessa altura eu pensei "...acho que não curto Design tanto assim..."



            No final de 2007, comecei, de forma modesta, a utilizar o computador para produzir meu próprio som. De início, foi mais uma brincadeira para com meu amigo Dias, feita com a ajuda do pessoal do meu serviço (empresa de autopeças). Ele gostava de garotas mais novas, então o pessoal resolveu compor uma música e eu fiquei encarregado de gravar. Apesar de toda a precariedade da qualidade de gravação, achei que o resultado ficou bem satisfatório, sendo a minha primeira incursão nessa área de “estúdio caseiro” e, também, levando em consideração a falta de equipamentos para gravação. Eu não tinha nem placa de som decente, nem microfones específicos, somente os instrumentos (guitarra, baixo, violão, gaita, teclado e bateria). Porém, fiquei surpreso comigo mesmo em poder tocar ou, melhor dizendo, poder me virar com instrumentos os quais eu não tinha muita familiaridade (sei tocar apenas guitarra). Assim, na sequência, resolvi gravar uma outra música, composta por meu amigo Jim em 1995, chamada “Marcomen Tira”,   que fala de um personagem que só sabia mentir (história verídica, inclusive).  A qualidade da gravação ficou similar à música “do Dias” e resolvi mostrar, com bastante receio, aos meus amigos de faculdade (Abraham e Reynold) que, para minha surpresa, acharam muito legal a minha “empreitada” (a qual eu fiz por brincadeira, sem pensar em nada mais sério). Não que a gravação fosse grande coisa (e não era, conforme relatei), mas sim pelo fato de apenas uma pessoa estar tocando todos os instrumentos em uma canção (Marky e John, que também acharam interessante o trabalho, disseram que eu era “a banda de um homem só”). A partir daí, comecei a pensar mais sério nesse assunto: quem sabe, eu poderia investir em equipamentos mais profissionais e fazer algumas gravações mais “caprichadas”, com músicas mais sérias?
            Antes de prosseguir, eu gostaria de explicar como era o meu procedimento nessa etapa inicial ou, em outras palavras, como eu fiz para gravar a música “Marcomen Tira” e a música “do Dias”. Primeiramente, eu gravava a bateria com o auxílio de um WalkMan (sim, aquele aparelho que tocava fitas cassete), ou seja, ficava todas as partes da bateria (bumbo, caixa, pratos, etc) gravadas juntas, em um “canal” só (no caso, a fita cassete). Nunca fui muito bom na “batera”, por isso eu gravava apenas as partes principais, para poder montar a bateria inteira posteriormente, por meio de “loops. Em seguida, transferia o conteúdo do Walkman para o computador e, cortando um pedaço da bateria aqui, outro ali e mais outro acolá (utilizando um programa de som específico), em algumas horas eu tinha uma faixa de bateria completa. Assim, a bateria ficava pronta para adicionar o restante dos instrumentos: eu gravava o vocal, guitarra e baixo, cada um em uma pista separada. Posteriormente, utilizava alguns programas para tratar o som e colocar os efeitos (reverb, por exemplo). E, finalmente, para a minha alegria, tinha a canção pronta, gravada de maneira “artesanal”, toda “montada” e “planejada” dentro do meu próprio quarto. Mesmo que não ficasse uma gravação perfeita (e realmente não ficou) e, também, levando em consideração as circunstâncias em que o trabalho foi realizado (sem estúdio, sem equipamentos, sem experiência, enfim, “sem nada”), eu esperava que as pessoas, no mínimo, achassem um “esforço louvável” de minha parte ter realizado o referido trabalho de gravação de uma faixa própria. Infelizmente, não foi exatamente isso que aconteceu: recebi várias críticas pelo fato da gravação não ter qualidade perfeita e, principalmente, por eu ter usado muito “eco” na gravação. Quanto à esta última informação, é nítido perceber que a crítica quanto ao “eco” foi dada por pessoas inexperientes e pedantes, pois nunca usei “eco” nas minhas gravações, e sim o efeito de “reverb”, uma espécie de “ambiência” do som (que simula lugares maiores e espaçosos). Cabe ainda mais uma informação: muitas gravações dos anos 50 (Elvis Presley, por exemplo) utilizaram o “reverb” de maneira exagerada e eu sempre gostei disso. Seria necessário mais pesquisa na área musical e menos pedantismo dos críticos, ou seja, antes de criticar, verificar a fonte na qual eu estava me inspirando para gravar as minha músicas. Agora, se a pessoa não gosta de “reverb” e desse tipo de gravação rústica dos anos 50, isso já não é problema meu. Digo categoricamente que o meu som estava totalmente condizente com a minha fonte de inspiração. E “fim de papo”...
            Mas, na época, eu não tive as referidas percepções (de gravar do jeito que eu gosto e “dane-se” os outros), o que, a princípio, foi algo bom, pois, a partir das duras críticas, eu resolvi me especializar no assunto e investir em equipamentos mais profissionais (como eu já planejava). E consegui obter uma qualidade de som muito superior, além de vários conhecimentos a respeito de acústica, gravação e tratamento de som. Deixei de lado as gravações tipo “anos 50” e “maneirei no reverb”, o que foi legal para produzir um som estilo “punk anos 70”. Mas, por incrível que pareça, as críticas (as mesmas críticas que atingiram a minha primeira fase de produção) continuaram ainda mais cruéis. Comecei a pensar que poderia ser inveja do pessoal, já que eu era a única pessoa (quem sabe, de toda a Unesp) a realizar aquele tipo de trabalho (de gravar apenas instrumentos reais). Mas, no final das contas, observei que era uma questão de pedantismo mesmo, pois as pessoas que conheciam (e amavam a música como eu) eram as que mais me elogiavam e faziam críticas construtivas (que muito me ajudaram a melhorar a qualidade das minhas músicas).
            Comecei a trabalhar, a partir de então, para agradar a mim mesmo e as pessoas que realmente gostavam de música, gravando tudo do jeito que eu achava mais convincente. No entanto, foi nessa altura que eu pensei "...acho que não curto Design tanto assim...". Sempre cito o seguinte pensamento: quando você começa a faculdade e já se estabelece como um “designer poderoso”, tudo o que você fizer agradará as pessoas (a capacidade de “transformar qualquer coisa em ouro”, não importa o que você faça, por pior que seja). Não foi o meu caso, pois eu entrei na universidade para aprender: se eu já soubesse de tudo, qual seria o sentido de estudar? O inconveniente é que você nunca tem uma chance de provar que você aprendeu e, quando um trabalho de sua parte fica bom, pensam “foi um golpe de sorte”. É claro que não posso generalizar e dizer que as coisas sempre acontecem dessa exata maneira, mas é fato que muitos trabalhos bons, no decorrer do curso, foram menosprezados pelo fato dos mesmos não terem sido realizados por um “bom designer” e sim por “alunos de design”. Minhas canções próprias (e boas, onde se escuta perfeitamente o contrabaixo, a guitarra, o vocal, a bateria, enfim, todos os arranjos e instrumentos) se encaixam neste perfil.
            Para terminar, quanto à história do “eco” (na verdade, do reverb), há pouco tempo atrás tive o privilégio de escutar o primeiro disco da banda “Jesus and Mary Chain”, de 1985, intitulado “Psychocandy” e, percebendo o exagero na utilização do reverb (e também na distorção), pude concluir que eu não estava tão errado assim em relação à gravação de minhas canções: o disco é uma obra prima (sujo e ao mesmo tempo melódico), justamente por causa do referido exagero no uso do reverb.          


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Capítulo 23 - O azar domina... Digo, Di Domina (ou Zi Zomina)! - Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Capítulo 23 - O azar domina... Digo, Di Domina (ou Zi Zomina)!



            Vou falar de festa novamente... Para falar a verdade, a única festa de Design (“oficial”) que eu realmente gostei foi a primeira (na Vinoma, contrariando as minhas expectativas). Sei lá, achei as outras “mais ou menos”, pois, nas referidas festas, eu me limitava a ficar andando sem rumo, de um lado para o outro, tentando conversar com algum amigo (sem sucesso, por causa do barulho ensurdecedor). Enfim, ficava apenas perdendo o meu tempo nas festividades, para ser mais franco. E estava sempre de “saco cheio” de tudo! “Então, por que você comparecia?”: sei lá, talvez para não dar uma de “chato” ou de “anti social”. Eu realmente nunca soube explicar o que eu estava fazendo por ali.
            A terceira festa “oficial”, de 2007, foi um verdadeiro caos para mim. Foi em uma república localizada próximo à esquina da avenida Duque de Caxias com a rua Araújo Leite. De início, pensei que o “desenrolar” da festa seria exatamente igual à festa ocorrida em 2006: eu andando sem rumo, pessoas embriagadas caindo pelo chão, som ensurdecedor... A única diferença foi que o “azar” estava presente para me fazer companhia. Achei que ficaria interessante eu enumerar os acontecimentos, um por um, utilizando um parágrafo para cada (“eita”, isso é muito “metalingüístico”, hein?).
            Como todos devem saber, os banheiros das festas, geralmente, ficam reservados às meninas. Não que os homens não possam usar: na verdade, é tão lotado que nem vale a pena ficar esperando na fila. Então, o que nós homens fazemos? Exato: improvisamos um banheiro em algum lugar isolado e “não frequentado”. Assim, encontrei um “beco” em uma rua próxima e ali “inaugurei” um banheiro. No entanto, na primeira fez em que fui usar o mesmo, não me perguntem como, consegui fazer “xixi” e meus próprios sapatos”. Fiquei abismado! Não acreditei naquilo! Sorte que eu tinha uns lenços de papel no bolso e consegui “enxugar” os sapatos (que, por sorte, eram impermeáveis). Meu alívio era que existia uma torneira no quintal da república (ou seja, eu poderia umedecer os lenços e limpar os sapatos de maneira mais “profunda”). E assim procedi, mas como uma parte do quintal era de terra e pedriscos, meus sapatos ficaram um pouco “enlameados”.
            Dando prosseguimento, algum tempo depois, fui verificar as “condições” do meu carro (ou, melhor dizendo, se ainda estava no local onde eu havia estacionado). Tudo em ordem! O único problema foi que, ao retornar à festa, passei em frente à uma lanchonete onde vários jovens estavam bebendo e uma garotinha, dizendo que não queria mais beber a sua cerveja (consegui ouvir a mesma dizer algo do tipo), resolveu se livrar da bebida, justamente na hora em que eu passava ao seu lado. E minha jaqueta de motoqueiro foi a vítima! A menina tentou se desculpar, mas eu deixei ela falando sozinha, de tão irritado que eu fiquei. Chegando mais uma vez à festa, fiz uso da torneira. O que mais faltava acontecer?
            Andando por aqui, trombando com alguém por ali, saltando uma poça de vômito acolá, acabei encontrando meu amigo John Vic passando mal. Carolyn, Gi  e David estavam tentando ajudá-lo e eu me ofereci para dar uma carona para eles, até o apartamento onde John Vic residia. Quando chegamos ao meu carro, o que eu temia aconteceu: haviam tentado arrombar a porta! Acredito que o pessoal nem percebeu (e eu não falei nada), já que estávamos preocupados com o John Vic! Assim que todos entraram no carro, fui desentortar a porta com o joelho (uma técnica que um amigo me ensinou), mas acabei dando uma joelhada na porta ao invés disso. Cai na beira da calçada gemendo e meus amigos (Carolyn, Gi, David e acho que até mesmo John Vic) ficaram me olhando sem entender nada, como estivessem querendo me dizer: “Pô Billy, o que você ta fazendo aí, rolando no chão?” Depois que a dor passou, entrei no carro e finalmente levamos John Vic até o seu apartamento. O legal no John Vic é que, mesmo “quase morrendo”, ele é uma pessoa que ainda consegue manter o senso de humor. Ele disse algumas coisas engraçadas que, apesar de não me lembrar (e apesar de toda a minha desgraça), me fizeram dar muita risada na ocasião.
            De volta à festa (já estava amanhecendo), de joelho dolorido, jaqueta cheirando à cerveja e sapatos enlameados, encontrei o óculos de alguém jogado no chão, no meio da poeira. Fui falar com Hughes e alguém que estava com ele (não me lembro quem) disse que era o proprietário do óculos. Por fim, Hughes (naquele papo de bêbado de sempre, do tipo “você é o melhor amigo que eu tenho”) resolveu dar uma “melhorada” no meu topete e “despenteou” todo o meu cabelo (ele disse “seu cabelo assim é que fica bonito, Billy”).  Joelho, jaqueta, sapatos, vidro do carro: agora, eu havia “perdido” meu penteado também.
            Quando a festa acabou, dei uma carona à minha amiga Samantha e outro amigo dela. Eles me ajudaram a desentortar a porta do carro (até que o serviço ficou bom). Cheguei em casa, tomei um “fumo” de minha mãe (preocupada pela minha demora, quase chamou a polícia para me procurar) e em seguida parti para Avaré (era aniversário de algum parente meu). Terminei meu fim de semana de maneira melancólica, na beira da represa, tocando “Boêmia”, do Nelson Gonçalves (na verdade, improvisando qualquer coisa enquanto o pessoal cantava).  E que sono! E que azar! Eu acho que eu toquei umas quatro vezes seguidas a referida canção, até que fiquei de “saco cheio” e decidi que não iria mais “brincar” de tocar violão. É praticamente impossível explicar para as pessoas que a minha “formação em violão” é completamente voltada para o Rock. Porém, as pessoas possuem aquela ideia: “quem sabe tocar violão toca qualquer coisa”! Não, meus amigos, eu toco somente o que eu gosto! É a grande realidade!

            Bom, e assim foi a terceira festa de DI! Mas, o que significa “Zi Zomina”? Realmente, eu mesmo não sei ao certo (cabe uma nota de rodapé aqui, caso alguém saiba). Reza a lenda que foi uma “veteranete” que estava embriagada e não conseguiu pronunciar direito a frase “DI Domina”.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Capítulo 22 - A festa do “trocado” - Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"


Capítulo 22 - A festa do “trocado”


            O presente capítulo teve um “parto” difícil. O desenvolvimento de novos livros de minha autoria, novos diários de viagem e uma gripe que me “quebrou as pernas” foram responsáveis pelo longo intervalo de produção entre o capítulo 21 e o capítulo que o leitor tem agora em mãos (ou na tela do seu computador, para ser mais específico). Além disso, a minha “meta” de leitura (incluindo uns seis ou sete livros de outros autores mais famosos, minha aquisição mais recente) impediu, de maneira considerável, o desenvolvimento de novas páginas do presente livro. Devo admitir que é muito mais “gostoso”, para mim, ler livros de outros autores do que escrever os meus próprios livros (que, talvez, nunca vejam a luz do dia, permanecendo no ostracismo). Mas, ainda assim, é muito bom escrever! Mesmo que meus livros não venham a ser publicados, é muito prazeroso produzir o meu próprio material, ao invés de, apenas, ficar apreciando o dos outros. O referido procedimento de produzir o próprio material não se limita apenas ao ato de escrever: também inclui a composição de músicas, a pintura, o aprendizado de novos instrumentos musicais e os esportes (que eu não pratico, mas admiro quem se dedica à atividade). “Pô, mas eu não faço nada disso, eu apenas trabalho, vou às ‘baladas’ nos fins de semana e fico atrás da mulherada!”. Meu amigo, não deixa de ser uma diversão (uma boa diversão, inclusive), mas e o seu legado? O que você produzirá para contribuir com a sua existência e fazer a diferença nesse mundo? E quando a “pipa não subir mais”?
            Voltando à nossa narrativa, infelizmente, cometi uma “gafe cronológica”: no capítulo anterior, já comecei a falar do ano de 2007, esquecendo de um acontecimento digno de nota, ocorrido ainda em 2006.  Estou me referindo à festa do “trocado”, evento utilizado para comemorar o aniversário de 24 anos de meu amigo Hughes. A saber: a festa do “trocado” consiste em homens se vestirem de mulher e mulheres se vestirem de homem. Simples assim! Tímido do jeito que eu sou, talvez fosse melhor eu ter suprimido conscientemente esse acontecimento de 2006, mas não posso privar meus leitores de um evento tão engraçado! Bom, engraçado agora, pois na época eu fiquei envergonhadíssimo em ter que me vestir de mulher, além das aprontadas de Marky.
            “Eu me recuso a ter que me vestir de mulher”: foi o que eu disse ao David, quando o mesmo me falou da referida “festa do trocado”. Expliquei que eu era muito tímido para fazer isso e “coisa e tal”, que isso não tinha nada a ver comigo. A partir daí, David me alertou: “o pessoal pode achar que você está com medo de se vestir de mulher e acabar gostando disso”. Claro que era pura conversa, uma espécie de “pressão psicológica”, mas na época eu caí na “lábia” do meu amigo. “Tudo bem, David, eu me visto de mulher então”: mudei de ideia quase que instantaneamente. Na mesma hora, minha querida amiga Terry estava com um casaco de veludo rosa em mãos (ela tinha trazido para alguém utilizar na festa) e disse que eu poderia fazer “proveito” dele. Um pouco acanhado, provei o casaco e disse logo em seguida: “Que aperto! Não serve para mim!” As meninas riram de mim e acho que foi a Líria quem comentou algo do tipo “não é que está apertado, é que roupa de mulher foi feita para se adequar às curvas do corpo da própria mulher, entende?” Não, eu realmente não entendia. Nunca tinha provado uma roupa feminina na vida. E, naquela primeira e única vez, eu não curti nem um pouco (contrariando a “conversa” de David). Mas não tenho e nunca tive nada contra quem se veste de mulher, só estou dizendo que não levo jeito, ou seja, não tenho nenhum preconceito.
            No decorrer da semana que antecedeu o fim de semana da festa (repeti a palavra “semana” duas vezes), ainda tive minhas dúvidas se eu compareceria ao evento (vestido de mulher) ou não. Aquilo não fazia o menor sentido para mim. Fiquei pensando no que algum conhecido imaginaria caso me visse me dirigindo até a festa, trajando uma roupa feminina (sem saber que aquilo era só uma brincadeira). Reputação! Era o fator que eu mais levava em consideração! Aquilo poderia acabar com a minha reputação! Por fim, comentei o caso com meu amigo Dezones, e o mesmo disse: “Larga de frescura: bota uma saia e vai se divertir”. Por fim, ele acabou me convencendo!
            Na data marcada, a turma se encontrou no apartamento de minha amiga May, para vestirmos as “fantasias” e, finalmente, “partir” para a festa. Marky não estava conosco, pois chegaria bem mais tarde. John não compareceria, pois tinha um outro compromisso na data. Tudo foi bem esquisito, no começo, quando chegamos à festa. Por outro lado, foi muito engraçado ver todo mundo vestindo roupas do sexo oposto. Várias amigas vieram “acariciar” o casaco de veludo rosa que eu estava utilizando (essa parte eu adorei) e Abraham, querendo “tirar uma” com David, disse que o mesmo tinha ficado muito bem de mulher e que, inclusive, “dava até para ele encarar”. Sem comentários! Eu ri muito, mas acho que David ficou um pouco assustado, achando que Abraham estava falando sério!
            Por fim, Marky chegou, vestido com uma espécie de “moletom feminino”. Juro, ele estava parecendo aquela empregada do desenho do “Tom & Jerry”! Ficou muito bom o traje dele, bem engraçado e criativo... No entanto, era óbvio que a roupa feminina ficou boa para ser utilizada na “festa do trocado”: era questionável a utilização da referida vestimenta fora do ambiente festivo. Achei que não teria necessidade de dizer isso ao Marky, mas eu deveria ter dito! Meu Deus, ou alguém deveria ter dito!
            Quando a festa terminou, eu retirei o casaco rosa e voltei a vestir a minha jaqueta de motoqueiro! Estava chovendo e, pelo que eu me lembro, fui buscar o carro (que estava um pouco longe), pois havia combinado de dar uma carona para Marky. E assim procedi. Quando Marky entrou no carro, eu realmente não percebi nada de diferente (talvez pela “pressa” de me livrar da chuva ou pela ambientação daquelas ruas escuras ou, ainda, pelo fato de estar aliviado por ter me livrado daquela roupa de mulher). Enfim, algo fez com que eu não percebesse que Marky ainda estava trajando a sua roupa feminina. Aí ele vira para mim e diz, naquela sua calma habitual: “Olha Bil, a fome está apertando e seria extremamente necessário você dar uma parada no Habibs, para eu pegar algumas esfiras (ou esfihas ou sfiras, vai saber como é o modo correto de escrever a referida palavra). Aí eu disse “Sem problemas” e... Bem, eu era meio “bocudão” naquela época e, na verdade, devo ter dito: “Porra, cara! Que saco, você come pra c..., hein?”, ou algo do tipo. Mas como o meu “pavio curto” não durava por muito tempo, acabei passando no Habibs (mas não deveria).
            Estacionei o carro bem em frente ao estabelecimento. E quando Marky desceu do veículo, finalmente percebi que o mesmo ainda estava vestido de mulher! E o local estava lotado! Meu Deus! Fiquei pensando na minha reputação, naquele lance de ter pessoas conhecidas no local e alguém ver a “empregada do Tom & Jerry” saindo de dentro do meu carro! Fiquei envergonhado e irado ao mesmo tempo! Para o pessoal que estava no Habib´s, no entanto, deve ter sido algo divertido, pois, por onde Marky passava, sempre era possível avistar alguém “morrendo de rir”. No meu caso, devido as minhas razões já citadas, eu não estava achando a menor graça.
            Depois de todo o “vexame”, finalmente Marky retorna “mó animadão”, trazendo uma embalagem lotada de esfiras (ou esfihas ou sfiras) e me pergunta:
            _ Bil, você está servido?
            Eu olhei para Marky com aquela cara de reprovação e respondi:
            _ Marky, meu filho, você sabe o que é reputação?
            _ Sim, claro! – Marky disse com naturalidade (fato que me deixou mais irritado ainda) – Reputação é o ato de se manter...
            E me explicou a porcaria da palavra “reputação”, nem se “tocando” do que eu realmente me referia.
            _ Marky, “peloamordedeus”, como você tem coragem de entrar no Habib´s vestido de mulher?
            _ Na verdade, não é a primeira vez que eu faço isso: durante o trote, eu me fantasiei de “Daiane dos Santos” e passei por aqui também  - Era verdade! Ele tinha feito isso mesmo, como se fosse a coisa mais natural do mundo!
            O trajeto até à casa de Marky, de carro, somava uns 20 minutos (mais ou menos) e, durante todo esse trajeto, ele foi ouvindo o meu sermão! Falei que, se ele viesse reclamar de mulher para mim (que tava sozinho e “coisa e tal”), tudo seria culpa daquele incidente, que poderia estragar a sua reputação! Ele não concordou, aí eu “chutei o balde”: “Marky, escuta só: se eu fosse um cara bonito, eu usava saia na rua... Quem teria coragem de zombar, me vendo com um monte de mulher a ‘tiracolo’? A gente é feio, cara! A gente tem só a nossa reputação e mais nada, entende? Mais nada!”. Na verdade, esse questionamento foi dito por Dezones em alguma ocasião: eu apenas repeti o mesmo para “tentar” convencer Marky. Não adiantou, pois algumas semanas depois ele sugeriu um trabalho onde ele se vestiria de mulher para fazer compras em algum supermercado, para analisar a reação das pessoas. E, além disso, para o terror de Denis, Marky afirmou que o mesmo possuía umas pernas bem torneadas!
            Posso dizer que hoje, ao me lembrar desses acontecimentos narrados, não ficou nenhum ressentimento de minha parte: pelo contrário, ainda dou muitas risadas das loucuras de Marky, cometidas na festa do “trocado”. No momento que termino essas linhas, espero ansiosamente a chegada dos “correios” com a minha encomenda: os quatro volumes de “Guerra e Paz”, do autor Leon Tolstói. Vem leitura nova por aí, gente! Conforme enfatizei, acho mais divertido ler do que escrever, mas... E o meu legado? Por isso não deixo de registrar minhas memórias... Apesar que, pensando melhor, que “raio” de legado é esse, onde eu conto uma história de um cara que se fantasia de mulher e vai ao “Habibs”?  
           



quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Capítulo 21 - Difícil falar de Design com um Designer - Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"


Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Capítulo 21 - Difícil falar de Design com um Designer



            Enquanto escrevo as presentes linhas, no meu aparelho de som está “rolando” um disco da banda Count Basie  (mais precisamente o disco de 1957). Claro, não é “punk” (meu estilo favorito) nem mesmo rock: trata-se de Jazz. “Quêêêêê!!! Você, escutando Jazz?” Sim, qual o problema? De qualquer forma, pode ser até surpreendente ver um garoto (como eu) que, na adolescência, trajava calças rasgadas e camiseta dos “Ramones”, hoje, escutando (e gostando) de Jazz. Pois é, as coisas mudam... No entanto, meu estilo preferido continua sendo o “Punk” (e o rock em geral): o Jazz, apenas, é mais um estilo que agreguei no meu “repertório musical” (melhor dizendo, “gosto musical”). Talvez seja a famosa “Metamorfose Ambulante” da qual o Raul Seixas falava... Acho que não é justo (comigo mesmo) me apegar a certos conceitos pré-definidos (ou preconceitos, do tipo “rockeiro só pode escutar rock”) e deixar de conhecer outros estilos, outras tendências...
            Mudando um pouco o foco da “narrativa” (mas tentando, ainda assim, estabelecer uma relação), na História da Arte, por exemplo, tivemos vários episódios onde um estilo de uma época qualquer (considerado a “regra absoluta”) ter sido totalmente questionado e substituído pelo estilo da época seguinte. Artistas (considerados “rebeldes”) cansaram de seguir regras pré estabelecidas e começaram a se aventurar em novas perspectivas (perspectivas consideradas, inicialmente, como sendo de “mau gosto”). No entanto, logo em seguida, o que foi considerado de “mau gosto” se transformou na nova tendência e se tornou “belo” (ou “feio”, mas um “feio” que não deixava de fazer parte da nova (e apreciada) tendência). A referida História da Arte faz parte do Design (ou, quem sabe, o Design faça parte dela): assim sendo, será que a disciplina possui regras absolutas e imutáveis? Acredito que não... Um trabalho que foi menosprezado hoje (por não se adequar às “regras atuais” do Design) pode, quem sabe, se tornar “revolucionário” no futuro. Retornando novamente ao foco do primeiro parágrafo, qual o problema de acrescentarmos os nossos conhecimentos pessoais (como, por exemplo, novas descobertas e novas experimentações) no campo do Design? Nos privar da maravilhosa arte de assimilação e experimentação proveniente das nossas novas descobertas? Bobagem...
            Mas nem todo mundo pensa assim...
            Quando 2007 chegou (nosso terceiro ano de Universidade), as disciplinas começaram a ficar cada vez mais interessantes. No entanto, começamos a ficar estudantes cada vez mais ranzinzas e intolerantes com o trabalho dos colegas. É claro que, no geral, as “regras” do Design devem ser respeitadas, mas se alguém desrespeitasse alguma (tanto por inexperiência (ou preguiça) como por ousadia), grandes discussões se iniciavam durante as aulas, muitas vezes provocando um certo desconforto ao pobres colega que havia desenvolvido o trabalho analisado. Passei, várias vezes, pelo referido desconforto, mas fico feliz por não ter causado o mesmo a ninguém (com críticas, construtivas ou não). Devo admitir, porém, que muitas vezes, em minha mente, formulei críticas e menosprezei vários trabalhos de amigos, trabalhos os quais não gostei (sim, não deixei de menosprezar, embora não tenha revelado minha “terrível” opinião publicamente e, assim, não posso ser “inocentado” da culpa). Porém, em um segundo momento (não sei explicar exatamente o que aconteceu; quem sabe, tenha sido a voz da consciência ou amadurecimento), além de continuar não fazendo críticas ao trabalho dos colegas direta e abertamente, pude “relaxar” minha mente e acabar com as “terríveis” opiniões que por meio dela eu formulava. Ou seja, quem era eu para julgar e dar um “veredicto final” ao trabalho de um amigo? Eu, por acaso, era o professor? Eu conhecia os verdadeiros motivos pelos quais o referido trabalho havia sido produzido? Quem sabe (e com certeza, isso ocorreu) o colega havia colocado “a sua própria alma” naquele trabalho? Ou seja, havia utilizado os seus sentimentos mais escondidos, as suas vivências, os seus medos, enfim, a sua própria vida para desenvolver aquele projeto? A maior parte das vezes, eu também procedi assim em minhas empreitadas.
            Parei com as críticas “íntimas”, fruto da minha mente e comecei a respeitar o trabalho dos amigos... Aquele desrespeito não tinha sentido... E eu também não era o “melhor Designer do Mundo”, fato que não justificava a minha atitude (e nunca desejei ser o “melhor Designer do Mundo”)... No entanto, mesmo que eu fosse o melhor, não era correto o menosprezo pelo trabalho dos outros (mesmo apenas em pensamento). Eu mesmo fui, muitas vezes, incompreendido e menosprezado. Conhecendo exatamente o sentimento de indiferença e sofrendo por causa disso, não poderia fazer o mesmo com os colegas. Seria muita hipocrisia de minha parte.
            Parei, também, de falar de Design com um Designer, fora do ambiente das aulas. Não valia a pena ficar discutindo, ninguém daria “o braço a torcer”: cada um, naquela altura, estava apenas interessado pelas suas ideias e tudo o que viesse de terceiros era, simplesmente, considerado lixo. “Hãããããããã?” Certo, peço perdão, talvez eu esteja exagerando um pouco: não era um desrespeito tão acentuado assim, mas eu achava melhor evitar o mesmo e não ficar com discussões a respeito de Design. E, realmente, nem todos eram desrespeitosos.
            Além disso, se eu amava a minha turma mais do que nunca, para que ficar com brigas desnecessárias? Sinto falta desse pessoal até os dias de hoje (e também dos professores)... Gostaria que nunca tivéssemos nos separado, mas no futuro isso seria inevitável... Afinal, após a faculdade, cada um seguiria seu caminho... Mas que dá saudade, dá saudade mesmo... Uma saudade ao som do Count Basie... 

domingo, 4 de novembro de 2012

Capítulo 20 – Provando do próprio veneno... - Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Capítulo 20 – Provando do próprio veneno...



            Uma das melhores coisas do mundo é dar risada, e estar em um lugar onde as pessoas são divertidas e bem humoradas nos dá aquela sensação de “parada no tempo”: os problemas simplesmente “somem” de nossa mente e pensamos somente no motivo pelo qual nossas gargalhadas “vazam” de nossos lábios. Que bom seria se tudo fosse sempre dessa maneira! É verdade que existe a possibilidade de se lembrar de coisas engraçadas a todo momento, de modo que o sentimento de alegria permanece inalterado, como se estivéssemos vivenciando a “piada” pela primeira vez...  A minha classe de Programação Visual (juntamente com a outra, de Projeto de Produto) nos rendeu muitos momentos de alegria, diversão e gargalhadas (seguindo mais ou menos o sentimento que relatei até aqui).
       Mas tudo tem limite...
       É claro que muitos não concordarão (pelo fato de serem muito jovens para entender), mas eu tenho certeza de que, quando chegarem à “Idade da Razão” (na qual eu me enquadro no momento), irão admitir que muitas das “trapalhadas” e “bagunças”, durante as aulas, eram extremamente exageradas. Não estou querendo defender a minha classe, mas devo admitir que os amigos de Projeto de Produto, na maioria das vezes, eram os que mais passavam dos limites no que se refere às brincadeiras (apesar da minha classe de Programação Visual não estar isenta da “palmatória” em relação à referida atitude). “Pô, mas primeiro você diz que ser divertido é bacana, depois diz que as diversões eram muitas vezes exageradas... Em que sentido? Não dá para explicar melhor?” Sim, explicarei com mais detalhes.
            Realmente, eu concordo que a classe deva estar sempre feliz, fazendo piadas e “coisa e tal”, contanto que a referida atitude não atrapalhe a explicação do professor (muitas vezes deixando o mesmo constrangido) ou que prejudique a apresentação de um seminário ministrado por algum colega de classe. Devo admitir que, muitas vezes, as brincadeiras durante os seminários me ajudavam a reduzir a ansiedade (era tipo um “quebrando o gelo”). Outras vezes, porém, a atitude dos colegas em satirizar uma pequena “gaguejada de nervoso” ou uma palavra estrangeira “mal pronunciada” me causava calafrios durante as apresentações. Até o momento em que resolvi usar isso ao meu favor... Uma pequena “vingança benigna”, que não prejudicaria ninguém e, quem sabe, faria com que as “brincadeiras exageradas” tivessem o seu fim (mera ilusão, descobri tempos depois).
            “Olhar com estranheza aquilo que é natural, olhar com naturalidade aquilo que é estranho”: foi o tema do trabalho final de Antropologia (ou mais ou menos isso; escrevi com minhas próprias palavras o tema proposto pelo professor). Um dos melhores trabalhos foi, sem sombra de dúvida, o apresentado pelo grupo de Abraham: fizeram uma visita a um albergue e entrevistaram os seus “moradores”. Posteriormente, os referidos “moradores” cantaram o Hino Nacional. Toda a visita foi registrada em vídeo e, particularmente, foi um dos trabalhos mais geniais e tocantes que presenciei nos meus anos de Unesp, um trabalho que realmente nunca sairá da minha memória.
            Quanto ao meu grupo (eu, Marky e John), de início tivemos algumas dúvidas em relação ao nosso trabalho: o que poderíamos apresentar de interessante, que respeitasse o tema proposto? A inspiração veio ao acaso: eu havia acabado de adquirir o filme “O homem elefante”, que conta a história das aventuras (e desventuras) do pobre Joseph Merrick, ser humano que sofria de uma rara doença, a qual deformou parte de seu corpo. Impressionado com toda a trama, resolvi pesquisar na Internet a história do Merrick verdadeiro e acabei descobrindo um site que mostrava outras enfermidades da mesma natureza (às vezes muito piores). No entanto, o site não era de “mau gosto” ou desrespeitoso. Pelo contrário, o mesmo mostrava as pessoas felizes, motivadas, trabalhando (apesar das graves deficiências físicas que as mesmas possuíam). Enfim, o que para nós era algo estranho (no caso, as deficiências), para essas pessoas era algo natural, ou seja, as mesmas aprenderam a conviver com as suas limitações, sem perder a alegria de viver. Mostrei para Marky e John a ideia e os dois concordaram que a mesma tinha muita relação com o tema do trabalho de Antropologia proposto. Assim, resolvemos fazer um vídeo mostrando as fotos das pessoas deficientes (imagens organizadas por John) e uma “mixagem” com algumas músicas legais (“mixagem” produzida por Marky e eu). Além disso, resolvi introduzir a minha pequena “vingança benigna”, no intuito de “minar” as brincadeiras fora de hora, que tanto prejudicavam os seminários. Qual foi o procedimento? Imaginei, de antemão, qual seria a reação (satírica) dos “telespectadores” em relação às imagens apresentadas e, posteriormente, no próprio vídeo, organizei algumas frases que, por sua vez, iriam satirizar a reação sarcástica do público que assistia à “película”. Por exemplo: tinha uma gravura que apresentava uma pessoa com vários “pênis”: gravura que, com certeza, iria gerar várias gargalhadas e até algumas “piadinhas” (a reação). Logo após a projeção da referida gravura (e das “piadinhas”), o vídeo apresentava a legenda “Você ri? Só ri da cicatriz quem nunca foi ferido”. Dessa forma, durante todo o vídeo, as reações sarcásticas eram “minadas”, logo em seguida, pelas próprias frases sarcásticas, uma espécie de “provando do próprio veneno”. Infelizmente, durante a apresentação, houve uma falha no computador e as legendas não apareceram. Affff! Ainda assim, meu amigo David disse que achou legal a apresentação, que as músicas e o conteúdo das imagens, conceitualmente, fizeram todo o sentido (apesar do vídeo ser bem rudimentar). No entanto, devo admitir que as frases, em forma de legenda, eram o ponto alto de todo o trabalho e, ao ficarem de fora, por motivos técnicos, muito prejudicaram o conceito original do projeto. Uma pena! Pretendo encontrar esse vídeo (eu ainda tenho guardado em algum CD), para verificar o conteúdo do trabalho e “matar” a saudade. Não supera, de forma alguma, o trabalho do Albergue (apresentado por Abraham e seu grupo), mas foi um dos meus trabalhos favoritos.
            Quando comecei a trabalhar no presente livro, eu tinha em mente escrever algo mais “despojado” e divertido. No entanto, devo admitir que os últimos capítulos (incluindo este) se apresentaram de maneira muito “técnica” ou “filosófica”, fugindo do meu intuito original (exatamente como a ausência das legendas do nosso trabalho, fato que expliquei anteriormente). Pretendo retomar o conceito inicial nos próximos capítulos, podem ficar tranqüilos, amigos leitores! Mas vocês devem admitir que, ainda assim, é divertido e curioso um livro que critica o seu o próprio conteúdo (o que acabei de fazer neste último parágrafo). Além disso, tem o meu exagero em repetir sempre o termo "devo admitir", várias vezes, durante a narrativa... É, até que não estou fugindo muito do conceito original não...
           

domingo, 26 de agosto de 2012

Capítulo 19 - Como era o “download” na década de 80 ? - Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"


Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"


Capítulo 19 - Como era o “download” na década de 80 ?


            Isso mesmo! O título fala por si mesmo! Não foi com o “lançamento” da internet que o referido procedimento surgiu. “Mas por que ele está falando nesse assunto? O livro que eu estou lendo não é sobre os anos Unesp?”: o leitor, certamente, está perguntando. Na verdade, estou tocando no assunto pelo fato de ter apresentado um seminário na Unesp (juntamente com John e Marky) falando sobre a história dos computadores. E sobre o referido tipo de download, infelizmente, acabamos nos esquecendo de explicá-lo no seminário (justamente um dos assuntos mais legais).  Então, decidi falar dele no presente capítulo.
        A ideia do seminário sobre os computadores surgiu quando a professora Leidy, que ministrava as aulas de “História do Desenho Industrial”, propôs um trabalho onde cada grupo deveria escolher um objeto e contar a sua história, desde os primórdios. No ato, lembrei dos meus computadores antigos que ainda guardo com carinho (um Msx Hotbit e um Pc XT) e perguntei a John e Marky o que eles achavam de um trabalho sobre a História dos Computadores (equipamento tão popular nos dias de hoje), com direito à exposição dos meus velhos equipamentos na sala de aula. Os dois acharam a ideia muito boa e, assim, começamos a preparar o conteúdo da apresentação, desde os tempos do ábaco (considerado, por muitos, o primeiro computador) até os computadores mais atuais. E no dia do seminário, instalei, na sala de aula, meu velho Pc XT (com direito à uma demonstração do seu barulho de “turbina de avião”, ao ser ligado) e o meu MSX. Um fato que me deixou um pouco desapontado (estou exagerando, não é para tanto) é que a maior parte do pessoal achou que o MSX era um videogame, pelo fato de ser ligado direto em uma TV (na época de seu lançamento, os monitores eram monocromáticos e, por esse fato, utilizávamos a TV para desfrutar de suas cores). Quando o seminário começou e, finalmente, pude apresentar a minha parte (referente aos computadores da década de 80), entendi o motivo do engano (referente ao monitor improvisado): apesar de ter sido muito popular no Brasil, boa parcela de meus amigos nunca tinha ouvido falar de um MSX (pelo fato de serem mais novos que eu). Justificando esse desconhecimento, foi com assombro que eles receberam a informação referente ao armazenamento de dados, realizado por meio de Fita Cassete (isso mesmo, a mesma utilizada para gravar músicas). A Fita Cassete era uma alternativa “barata” para quem não tinha condições de comprar os drives que utilizavam “disquetes”. No entanto, o armazenamento de programas em fita cassete, apesar de ser uma alternativa barata, não era a mais eficiente. Na maior parte dos programas, o carregamento demorava cerca de 10 a 15 minutos (alguns demoravam até mais), isso quando não aparecia a mensagem irritante de “Erro Periférico” e era preciso rebobinar a fita, iniciando o carregamento desde o princípio. E aqui, finalmente, com essas últimas explicações, posso falar do assunto referente ao download na década de 80 (o qual esqueci de relatar no seminário).
            O que aconteceria se pegássemos uma Fita Cassete com um programa de computador e colocássemos para tocar em um aparelho de som convencional? Eu já fiz isso e o resultado é um ruído ensurdecedor que sai das caixas de som. Apesar de eu não saber explicar em termos mais técnicos todo o processo, é justamente o referido ruído que contém todos os dados para o carregamento do programa. As Fitas Cassetes eram uma verdadeira decepção no carregamento de programas, porém era possível transmitir, via rádio FM, o referido ruído que elas proporcionavam. Assim, se você estivesse em sua casa, bastava sintonizar a rádio FM e gravar todo ruído transmitido em uma Fita Cassete qualquer. Em seguida, era só colocar a mesma em seu computador e mandar carregar o programa. Pronto, era assim o download naquela época! E não estou “viajando na maionese”, pois existiam algumas rádios universitárias, na época, que realmente transmitiam os programas para os seus alunos via rádio FM. Eu, particularmente, não tive a chance de realizar o experimento (pois fiquei sabendo do mesmo muitos anos depois, quando os disquetes já “dominavam”). Porém, desfrutei da oportunidade de ver o meu pai unindo dois “toca-fitas” (naquele tempo ainda não existiam os aparelhos com “duplo deck”, ou seja, com dois gravadores) e gravando o ruído dos programas de uma fita para a outra (para fazer “back-up” dos referidos programas).
            Pois é! E nos dias de hoje, às vezes, eu ainda reclamo quando o computador fica lento! A lentidão de hoje seria considerada “a velocidade da luz” na década de 80. Apesar disso, a época dos primeiros computadores pessoais me deixou muitas saudades!

sábado, 23 de junho de 2012

Capítulo 18 – Nunca brigue com o seu professor... - Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Capítulo 18 – Nunca brigue com o seu professor...



            É engraçado como as coisas mudam nessa vida... A idade chega, mas, para mim, o referido acontecimento só me trouxe benefícios. É possível manter a paciência e a serenidade em qualquer momento, em qualquer situação. A razão utilizada em seu “grau máximo”, “balanceada” com os sentimentos. Surge aquele tipo de otimismo saído das “entranhas”, surgimento que eu nunca havia imaginado que pudesse acontecer. Acredito que o “ponto da virada” (para toda essa paz de espírito), cronologicamente falando, aconteceu na época da “passagem”, ou seja, quando o meu livro “Diários de Billy Winston” passou da primeira para a segunda parte (pretendo comentar o referido fato mais para frente, para não atrapalhar a cronologia do presente livro). Ao despertar pela manhã (ontem mesmo), imaginei um esquema que representa tudo o que eu falei até aqui (referente à serenidade, paz de espírito, enfim):

Otimismo----------------------------------1ª divisão

Espaço “em branco” para a ação do ser humano

Pessimismo-------------------------------2ª divisão

            Não sei se o meu esquema pode ser considerado pertinente ou não passar de uma grande “alienação”. Ou talvez, quem sabe, alguém já tenha pensado nele antes de mim (se eu vi o mesmo em algum lugar, juro que não me lembro; ficarei feliz, caso seja uma “inspiração original” de minha parte, apesar disso não ser mais importante do que o seu significado). Mas, o que significa esse esquema? Simples: imaginei eu mesmo como ser humano em tempos passados, vagando entre o espaço compreendido entre a 1ª divisão (Otimismo) e a 2ª divisão (Pessimismo). Ou seja, infinitas possibilidades de variação de humor: quando mais próximo da linha do Otimismo, mais feliz eu estava; quando mais próximo da linha do Pessimismo, mais triste eu me encontrava; se eu estivesse “alinhado” à 2ª divisão (ou seja, exatamente em cima da linha do Pessimismo, que constitui o grau máximo do referido sentimento), com certeza eu estava no “fundo do poço”; na minha situação atual, acredito que eu, pelo menos na maior parte do tempo, esteja exatamente “alinhado” à 1ª divisão, pertencente ao Otimismo e, por esse fato, estou sempre de bem com a vida, por mais que ela seja cruel em certas situações.
            “E qual o segredo para ficar sempre alinhado à linha do otimismo e estar sempre de bem com a vida?”, o leitor deve estar perguntando. Infelizmente, não tenho como responder a pergunta com precisão: afinal, são tantos seres humanos, tantas diversidades de caráter, tantas aptidões diferentes; ou seja, cada um deve tentar encontrar, com paciência, o seu próprio caminho para a felicidade. O máximo que eu posso fazer é explicar como eu consigo me manter no caminho da felicidade, pelo menos na maior parte do tempo: me dedicar, de corpo e alma, às coisas que eu gosto (a maior parte delas inseridas no campo da arte, como a literatura, desenho, pintura e música). Exercendo tantas atividades, para mim tão prazerosas, a minha mente “não tem tempo” de se alinhar à linha do Pessimismo e, consequentemente, a vida será sempre tão interessante. A parte mais legal de toda essa “empreitada” são os amigos que possuem os nossos mesmos gostos e com quem podemos trocar ideias, estabelecendo um convivência saudável e duradoura. Resumindo: não dê tempo para a sua mente ficar pensando em “bobagens”, não permita que ela se aproxime (ou se alinhe) à linha do Pessimismo, exerça as suas atividades favoritas e divida as suas satisfações com os amigos.
            “Quer dizer, então, que você nunca fica com raiva? Quer dizer, então, que eu posso lhe ‘xingar’ e ‘ser grosso’ com você à vontade, que você não vai se importar?”, eu sabia que algum leitor faria essa pergunta. É óbvio que eu me sentirei (muito) ofendido com esse tipo de “grosseria” e, com certeza, ficaria algum tempo próximo à 2ª divisão (Pessimismo). Mas, com certeza, a mudança de divisão (ou seja, a transição de “pessimismo” para “otimismo”) seria muito mais rápida, ao se adotar o procedimento “de estar de bem com a vida”, conforme relatei acima. Ou seja, seria uma transição mais rápida entre o momento da ofensa (ou ”grosseria”) e o retorno às coisas que eu amo (e, consequentemente, o retorno aos amigos com quem eu me importo). Não existiria mais aquele “lance” de ficar se “remoendo” por vários dias, por causa da ofensa.
            Por falar em ofensas, qual a sua atitude quando, inesperadamente, alguém chega até você “com uma pedra em cada mão” e destila os maiores insultos contra a sua pessoa? “Me dá vontade de xingar e até ‘bater’ na pessoa, só não faço isso para não perder a compostura”, o leitor deve estar refletindo. Pois é, quando você toma essa atitude com o seu professor, ele também tem o mesmo sentimento. Finalmente, chegamos ao assunto principal do capítulo (até que enfim!).
            Em meados de 2006, no primeiro semestre do referido ano, minha classe teve vários problemas com o professor de Semiótica (Joe Vincent). Eu (assim como várias pessoas), particularmente falando, nunca guardei nenhuma mágoa por algum erro que o professor tenha cometido (afinal, todos, como seres humanos, estão sujeitos aos erros, frase que virou “clichê” já faz muito tempo). Pelo contrário, eu respeitava o professor Vincent, pois o mesmo sempre me tratou com educação. Além disso, eu achava muito legal o seu senso de humor “ácido” e irreverente.  No fim do semestre, juntamente com Marky e John, conversamos com o professor Vincent a respeito do trabalho final: estávamos pensando em criar uma animação, onde várias linhas fossem desenhando vários elementos, culminando com o logo da faculdade ao final da exibição. O professor gostou muito da nossa ideia, deu várias sugestões e, assim como nós, pareceu bastante empolgado com o projeto.
            Final do semestre, nosso tempo bastante escasso (por causa da enorme quantidade de trabalhos de outras disciplinas), mas, ainda assim, teríamos um domingo livre para podermos desenvolver o trabalho final de semiótica. Até que aconteceu o desentendimento, durante a aula, entre o professor Vincent e a maior parte da classe (que era formada pelas duas turmas de Design, ou seja, Programação Visual e Projeto de Produto). Não gostaria de me “alongar” muito a respeito do desentendimento e nem poderia, pois, realmente, não me recordo, ao certo, o que aconteceu (pelo que me lembro, era uma discordância da classe em relação ao próprio trabalho final). Aconteceu que, na aula da semana seguinte, o professor chegou à classe com uma proposta de um relatório (gigantesco) que deveria ser entregue juntamente com o trabalho (e que não estava nos planos, pelo menos antes do desentendimento). Não quero acreditar nessa hipótese, mas muitos diziam que seria uma espécie de vingança por parte do professor, que gerou ainda mais animosidade (incluindo até um suposto abaixo-assinado).
            Quanto ao meu grupo de trabalho (eu, John e Marky), nosso primeiro pensamento foi: “Ferrou, não vai dar tempo de fazer a animação, vamos ter que fazer um trabalho mais simples, o relatório vai tomar quase todo o nosso tempo disponível”. Porém, num segundo momento, a nossa atitude foi “vamos ter uma conversa (amigável) com o professor”. Naquele tempo eu, particularmente, não chegava nem perto da teoria entre a linha que separa o otimismo do pessimismo (explicada acima). Porém, no que se refere ao diálogo amigável com as pessoas (no caso, nossos superiores), posso dizer, modéstia a parte, que eu “tirava o procedimento de letra” (juntamente com Marky e John, que compartilhavam comigo o referido procedimento). Ou seja, no decorrer do curso, nunca tivemos nenhum desentendimento com qualquer professor. Enfim, fomos até o professor e, educadamente, explicamos toda a situação (precisávamos de tempo para fazer a animação, o relatório tomaria muito tempo, etc). Após toda a nossa “explanação”, o professor simplesmente disse: “Sem problemas, não precisam entregar nenhum relatório, vamos trabalhar apenas na animação, ela vai para a rede”. Problema resolvido!  Agora, imaginem se nós tivéssemos “colocado o dedo no nariz do professor”: certamente ele iria nos julgar “mal educados”, ficaria estressado e concluiria “Por que eu deveria ajudar as pessoas que me maltratam?”.
            Concluindo, se você não aprendeu o referido procedimento, nunca é tarde para incorporá-lo em sua vida. Qual procedimento? “Com o professor (ou gerente, ou chefe, ou coordenador) nunca se briga: sempre se conversa amigavelmente”, eis aqui a “máxima” do presente capítulo. Pode ser que, conversando educadamente, você não consiga mudar a opinião do seu superior, mas, pelo menos, ele não vai guardar mágoa de você e, em uma outra oportunidade, pode até “acatar” as suas sugestões.
            Nossa! O presente capítulo deu trabalho, ficou enorme... Assim, peço ao leitor que não façam que todo o meu trabalho tenha sido em vão: reflitam sobre tudo o que eu falei. Adquirindo toda essa “carga” a qual me referi exaustivamente nessa “narrativa”, vocês irão perceber que aquilo que várias pessoas chamam de “o segredo da vida” ou “o segredo da felicidade” simplesmente está nas mãos de cada um. Basta praticar...