segunda-feira, 26 de março de 2012

Capítulo 16 – Original? Você chama isso de Original? - Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Capítulo 16 – Original? Você chama isso de Original?



            “O que aconteceu, de novo acontecerá; e o que se fez, de novo será feito: debaixo do sol não há nenhuma novidade. Às vezes, ouvimos dizer: ‘Veja: esta é uma coisa nova!’ Mas ela já existiu em outros tempos, muito antes de nós”.
            Uau! Solicito uma pausa para reflexão:
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            Retornemos agora à nossa narrativa...
            “Mas por que ele está citando o capítulo 1 do Livro do Eclesiastes, versículos 9 e 10?”, o leitor com maiores conhecimentos bíblicos deve estar perguntando. Já outro leitor (mais “matreiro”), deve ter concluído: “Já sei o porquê; esse cara sempre começa o capítulo com alguma ‘gracinha’”. Hum... Que seja, mas é uma “gracinha” que possui um certo sentido (ou um sexto sentido, quem sabe). Ih, olha eu divagando de novo...
            Na verdade, eu gostaria de relatar um fato muito interessante que ocorreu no decorrer dos anos de faculdade (“Pô, mas esse não é, justamente, o objetivo do livro?”). Afff, (mas que leitor mais crítico)! Retomando... Não tenho muito conhecimento a respeito do referido fato: não lembro quem me contou (se estava falando sério ou me “zoando”), em qual período ocorreu, o local, o evento (bom, acho que o evento foi um daqueles encontros de Design, talvez aquele “Interdesign”; nem sei se é assim que escreve, se tem hífen ou não, enfim...). Mas me disseram que, em um desses eventos, fizeram (e gravaram) o pessoal executando aquela “belíssima” dança, chamada “dança do quadrado”. Detalhe: isso alguns meses antes da referida dança “estourar” na mídia. “Dá licença, acho que não estou passando muito bem...”: sem problemas, entendo sua indignação, caro leitor designer, que se lembra daquele termo “Migué” (utilizado para se referir aos trabalhos de faculdade mal feitos). A turma de Design, “lançando” aquela irritante “dança do quadrado” (que nos atormentou por muito tempo, na TV e no rádio...), sem dúvida, acabou gerando a execução do procedimento “Migué” com a maior maestria do universo (incluindo as Terras Ativa e Paralela, se é que vocês me entendem). Mas não posso dizer, com certeza, se essa história realmente aconteceu (e, caso tenha acontecido, se realmente tinha a intenção de ser uma coisa irritante; quem sabe, de início, tenha sido uma coisa legal e criativa, que depois foi “regaçada” pela mídia, não é mesmo?). Também existem outras origens para a dança, relatadas em vários sites da internet, então fica a critério de cada um tirar suas próprias conclusões.
            “Debaixo do sol não há nenhuma novidade”: entenderam, agora, o porquê da minha citação? Também posso ir mais além: será que aquele trabalho de faculdade (que todo mundo achou o máximo), realmente, poderia ser classificado como um trabalho original? Ou, será que aquele outro trabalho (que todo mundo odiou), apesar de tudo, não poderia ter aquela grau de originalidade que estaria além de qualquer outro esforço? Qual o critério para distinguir o feio do bonito? Qual o critério utilizado para afirmar que “isso é arte e aquilo não é”?  E as vivências, os valores morais, as ideologias, o estado de espírito durante a confecção do trabalho: não deveriam ser todos elementos considerados? “Tudo é vaidade, uma corrida atrás do vento...”: mais uma citação do Eclesiastes (capítulo 1, versículo 14), bastante pertinente para o assunto em questão. Por outro lado, um trabalho “nem tão original” pode ser considerado um bom trabalho (mas que não é original, realmente não é mesmo).
            Para terminar todo esse assunto (“Graças a Deus, né? Esse capítulo está tão tenso!”), vou contar uma “historinha”: certa vez, a minha amiga (linda e estonteante) chamada Cindy (personagem de outros livros de minha autoria) estava passando em frente à casa de meu amigo Dezones e, ao avistar o mesmo, disse a seguinte frase: “Ai, se eu te pego!”. Esse fato aconteceu, segundo o próprio Dezones, em meados de 1995 ou 1996...  Não preciso dizer mais nada, não é mesmo? Mas vou repetir a citação do Eclesiastes só para reforçar: “O que aconteceu, de novo acontecerá; e o que se fez, de novo será feito: debaixo do sol não há nenhuma novidade. Às vezes, ouvimos dizer: ‘Veja: esta é uma coisa nova!’ Mas ela já existiu em outros tempos, muito antes de nós”. Pois é, “to falando prôceis”!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Capítulo 15 – “Ele não foi com a minha cara...” - Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Capítulo 15 – “Ele não foi com a minha cara...”

 
            Você chega ao lugar, pessoas novas, todo mundo sendo simpático com você e, de repente, você percebe que existe uma exceção. Ao contrário das outras pessoas, o sujeito mal fala com você, não sorri para você, enfim, não disfarça a aparente “antipatia” que sente pela sua pessoa. O máximo que o indivíduo faz é cumprimentar meio de “má vontade”, quando você chega ao ambiente. “Ele não foi com a minha cara”, é a primeira coisa que vem em sua mente. Nessas situações, qual a melhor atitude a ser tomada? “Se ele não gostou de mim, então eu não vou dar ‘bola’ para ele também; se ele é antipático comigo, também vou agir da mesma maneira em relação a ele...”. Enfim, é a melhor atitude a ser colocada em prática, certo? ERRADO!
            Não é a minha intenção (e nem seria possível) tentar impor a minha maneira de pensar aos meus leitores (se caso a minha argumentação convencê-los, é claro que ficarei contente, mas sinceramente não é a minha intenção). Mas, na minha modesta opinião, esse lance de “Ele não foi com a minha cara” pode, muitas vezes, não ser realidade. Melhor dizendo, acho que é uma situação que pode ser facilmente revertida ao nosso favor. Analisando friamente esse aspecto, não é que a pessoa não foi com a sua cara: na verdade, ela ainda não teve o tempo suficiente para te conhecer e poder, assim, admitir o quanto você é uma pessoa legal. E se você “virar” a cara com a mesma (por causa da sua indiferença em relação a você), ela jamais terá a chance de descobrir a pessoa maravilhosa que você é. Quantos dos seus (melhores) amigos pareciam ser “chatos” quando você os viu pela primeira vez? E depois que você os conheceu de verdade, a situação não mudou? Outro aspecto a ser considerado: se você “virar” a cara com alguém, é mais um inimigo que você acrescenta em sua vida (para falar mal de você para os outros e te prejudicar). Vale a pena?
Até aí todo mundo deve concordar comigo: agora é a parte que, talvez, muitos não concordem (como eu disse, sem problemas, não estou querendo impor a minha maneira de pensar). Vou direto ao ponto: eu procuro ser legal com todo mundo, mas, se eu percebo que alguém não gosta de mim, eu vou ser mais legal ainda com a referida pessoa. “Você é louco”, o leitor deve estar indignado. Tudo bem, parece um absurdo, mas esse procedimento sempre trouxe resultado para mim: foram poucos que, depois da minha (louca) atitude, não se tornaram meus amigos (muitos dos meus melhores amigos, inclusive são provenientes dessa minha maneira de pensar; hoje poderiam ser meus inimigos, caso eu “virasse a cara com eles”, por causa da sua antipatia inicial em relação a mim). “Mas, e se eu insistir e a pessoa continuar a me tratar com desdém?”: aí tudo bem, nesse caso deixe essa pessoa de lado também, sem cerimônia (sem ser mal educado, é claro, sempre com classe). Afinal, ninguém (nem mesmo ela) poderá dizer que você não tentou... Além disso, ela terá que arcar com as conseqüências e comentários do tipo: “Nossa, o fulano é tão legal com todo mundo e o cicrano, ainda assim, trata ele com indiferença. Cicrano não deve ser uma boa pessoa, não é mesmo? Maltratar uma pessoa tão legal como o fulano”.
E dessa forma agi, cursando a Unesp sem ter feito um único inimigo (o que foi, para mim, motivo de muito contentamento). E também foi, com muito contentamento, que pude participar da “cerimônia” (trote) de recepção dos “bixos” de 2006. Apesar de não ser (muito) a favor dos trotes (na verdade, dos banhos de tinta e outras babaquices), o desfile com as fantasias do ano de 2006 foi muito divertido. Infelizmente, não tive tempo de criar uma fantasia. Estava até pensando em pegar o uniforme do Megaman que August me fez e pintar de rosa, criando o uniforme da namoradinha do Megaman para alguma “bixete” (“ah, seu ‘sêin vegonha’, escolhendo uma namoradinha para você, né?”), mas realmente o meu tempo estava escasso. Assim, ajudei na “pintura” (e não banho de tinta) dos “bixos”. As fantasias estavam muito bonitas e criativas: Sal criou o “Kill Playmobil” (uma fantasia que misturava “Kill Bill” com “Playmobil”); teve os bois “Caprichoso e Garantido” que, na hora do desfile, “cruzaram” (?) (acho que as fantasias foram criadas por Taylor); teve a fantasia da “Gina” (lembram da caixinha de palitos para dente?); Tony criou a fantasia “toba” (justiça, já que a sua fantasia, no ano anterior, tinha sido o “pinto”); Doug criou a fantasia de “Darth Vader” (perfeita!); teve Liz (do nosso ano, que não tinha passado pelos trotes, quando entrou na faculdade) vestindo a fantasia de “Pantera-cor-de-rosa” (ela adorava a cor rosa) e May (também do nosso ano, que também não havia recebido o trote) trajando uma fantasia de “Jesus”... Enfim, foram tantas e tantas fantasias boas que fica até mesmo difícil de lembrar de todas (preciso rever as fotos)...
Depois que a “cerimônia” de recepção terminou, Marky (a par de todo o meu princípio de “pegar leve” com os “bixos” durante o trote) veio perguntar o que eu tinha achado (“Você viu, né Billy? Nós não maltratamos os ‘bixos’, como você mesmo tinha sugerido, foi tudo “de boa”). E eu respondi: “Só não gostei o que vocês fizeram com o ‘bicho-montinho’, vocês podiam ter machucado o garoto; fora isso, o restante do trote foi legal”: conforme o nome do “bixo” indicava, fizeram uma enorme “montanha de corpos” em cima do coitado. Mas, felizmente, nada de grave aconteceu (mas deve ter doído)...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Capítulo 14 – Os “bixos” de 2006 a caminho da faculdade... - Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Capítulo 14 – Os “bixos” de 2006 a caminho da faculdade...


            Eu estava disposto a ser o “veterano” mais legal de todos os tempos (e a tentar influenciar meus outros colegas a pensarem da mesma maneira). Assim, no decorrer do primeiro ano (sempre que tive a oportunidade), procurei disseminar um tipo de trote mais pacífico, lembrando coisas do tipo “foi ‘foda’ aquele lance de tinta na orelha, não é? Acho que não deveríamos repetir isso com nossos ‘bixos’, é duro ter que ficar limpando depois e...”. Tenho certeza que já falei sobre a minha ideia de “maneirar” no trote em algum dos capítulos anteriores, mas não estou disposto a “folhear” as páginas para checar onde o assunto está localizado (pois tenho certeza que vocês acreditam em mim, queridos leitores).
            “Os nossos ‘bixos’”: acabei de usar essa expressão no parágrafo anterior, o que me causou um certo arrependimento. Em outras palavras: onde está o documento que certifica, no início do ano letivo, a posse dos “bixos” por parte dos “veteranos”? Ninguém pertence a ninguém, a escravidão é uma das maiores imbecilidades que já surgiram nesse planeta. Tá, tudo bem, talvez eu esteja exagerando ao comparar a “situação dos ‘bixos’” com escravidão, mas a verdade é que, se vocês repararem na grafia tanto da palavra “bixo” como “veterano”, as mesmas estão sempre grafadas entre aspas (desde o começo do livro; caso contrário, se eu não coloquei as aspas em alguma dessas palavras, com certeza foi por motivo de esquecimento). “Mas, veja bem, eu uso a palavra ‘bixo’ e ‘veterano’ apenas como uma convenção, e não no sentido de posse”: se você pensa assim, meus parabéns! É exatamente dessa maneira que eu penso: são dois termos convencionados, nada mais que isso! “E as aspas? Você ainda não esclareceu o uso das aspas!”: me perdoem (já estava me esquecendo de explicar). O uso de aspas é justamente por causa do lance da “convenção”, para mostrar que, enquanto pessoas, não existe nenhuma diferença entre o “bixo” e o “veterano”. A única diferença é que o último entrou um ano antes na faculdade(ou dois anos, ou três...). Só isso...
Retomando a ideia do trote pacífico, como eu disse anteriormente, sempre fui contra o trote “violento” (também não é para tanto, talvez a denominação correta seria o trote “babaca”), mas se o “bixo” entra no Orkut e fica provocando os “veteranos”, “aí eu já não posso fazer mais nada”: foi até engraçado ver o “bixo” Teddy “zoando” com o “veterano” Hughes pela rede, mas eu sabia que as conseqüências desse ato não poderiam ser muito boas (para o “bixo”, é lógico). Mas até que Hughes “pegou leve” com Teddy, algum tempo depois (“Corta um pedacinho dos seus cílios e escova o seu dente com tinta guache!”). Hughes é um grande amigo, gente boa, um cara engraçado, um “noveleiro assumido”... Mas, por outro lado, é meio doido... Teddy tinha que “zoar” justamente com ele? Hahaha!!! Mas, enfim, a rede Orkut (bastante popular na época) foi bem interessante, no sentido de dar uma ideia do perfil dos nossos futuros “bixos” (me lembro que a primeira “bixete” que conheci pela rede foi Jeany, muito bonita e simpática).
Fantasias já preparadas, potes de tinta guache comprados, perfil dos “bixos” previamente conhecidos: restava chegar o primeiro dia de aula, o dia da recepção... Tudo seria muito divertido, como vocês poderão constatar no próximo capítulo...  “Aaaaaah, só no próximo capítulo? Você parou a narrativa bem na melhor parte?”: me desculpem leitores, eu sinceramente estou sem tempo. Já estou atrasado para o trabalho... Fui...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Capítulo 13 – As pérolas de Marky e agregados - Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Capítulo 13 – As pérolas de Marky e agregados


    Antes do segundo semestre do primeiro ano acabar (e antes do movimento “panelinha” se disseminar; “Olha só, rimou, cara!”), foi criada (por David) uma das comunidades (do Orkut) mais divertidas de todos os tempos, conforme a opinião do meu amigo Reynold (relatada na própria comunidade, não exatamente com as mesmas palavras, “mas mais ou menos assim”): “Eu estava aqui estressado com o trabalho de cartaz (guache mais giz pastel) que o professor Mitsu pediu e, para relaxar, fui olhar a nova comunidade de pérolas (que o pessoal havia comentado) e quase morri de rir. Meu stress foi embora na hora. Agora, boquinha fechada perto de vocês, hein?”. Mas, afinal, que lance é esse? O que vem a ser uma comunidade de pérolas?
    Já havia comentado algo a respeito (no capítulo 6), mas explicarei melhor dessa vez (“Olha só, quase rimou de novo, cara!”). No decorrer do curso, tivemos várias “pequenas gafes” (ou pérolas) ditas pelos integrantes da classe, que causaram várias gargalhadas durante as aulas. Eu não sei quem foi que teve a ideia de criar a comunidade (foi David quem a criou, mas não sei se a ideia partiu dele). Só me lembro que, durante uma apresentação de Marky (último seminário da disciplina de História da Arte, repleto de blocos de concreto, jornais e tinta para todo o lado), reparei que Sal e Richard, rindo, anotavam alguma coisa em um caderninho. Quando David, finalmente, criou a comunidade “Pérolas de DI”, descobri que Sal e Richard haviam anotado as pérolas ditas por Marky durante a apresentação (e, durante a semana, haviam anotado as pérolas de outros amigos também). Dessa forma, quando acessamos a comunidade, o material recolhido já era extenso (e muito divertido). Aqui relato algumas pérolas que eu lembro (pois o Orkut “fez o favor” de “deletar” os tópicos mais antigos):

“A Era do Make in Touch” – Pérola dita por Marky (se referindo ao computador Macintosh) durante o trabalho de História da Arte. O termo acabou virando o título do presente livro.

“Eu gosto de comer tomando” – Pérola de David.

“Seu vendedor, o senhor tem cola de Araldite?” – Marky confundindo a marca do produto com a matéria-prima utilizada para a “confecção” do mesmo”.

"Atualmente, hoje o local se encontra abandonado!" – Pérola dita por Marky.

“Cara, você acessou o site da Patona?” – Marky confundindo “Pantone” com “Patona”.

"Que tal: Quanto menor, maior de grande? É, pode ser assim também: Quanto maior mais maior de grande é!" - Marky pensando em uma frase para o trabalho de Antropologia.

"Sanders, me empresta o Tesão..." - Marky se referindo à régua T, durante um trabalho de desenho técnico.

"Quando nós vamos fazer a zarabatana do tubarão?" – Marky confundindo “barbatana” com “zarabatana”.

“Eu não quero pompons, eu quero pomponhas!” – Marky exigindo uma torcida feminina no jogo de basquete.

“Esse pedal de metal de guitarra... Bem, na verdade, não é que o pedal é feito de metal, o estilo é metal...” – eu falando besteira na apresentação do trabalho de Física.

“As meninas coalas...” – Marky lendo um texto na aula de Psicologia, trocando a palavra “caolha” por “coala”.

“Esse é o The Clash...” - Marky, durante o trabalho de História da Arte, se referindo ao som que tocava no momento.

“Aqui eu estou clicando na corda da minha guitarra e... Ops, digo, pressionando a corda...” – outra besteira dita por mim, na apresentação do trabalho de Física.

“Pode botar os cachorro, os passarinho, enfim, o zoológico inteiro”... – Marky, durante o trabalho de História da Arte.

“Tipo, uma cor bem colorida...” – Pérola dita por Naty ao Phil.

“Morreu o capitão morto do exército" – Pérola dita por Marky.

“Mó subúrbio, meu!” – Marky revoltado com os preços abusivos (?!).

_ Cadê o Alan, cara? – Marky pergunta.
_ Está ali! – eu respondo, não apontando para nenhuma pessoa.
_ Ali onde? – Marky insiste.
_ Olha ele ali: o alambrado! – eu revelando, finalmente, para onde eu apontava: para a cerca da Unesp.

"Isso aí é pra passar a Serafina, né?" – Abraham, quando viu a nova bermuda de Reynold (que tinha um passador de parafina).

“Posso ver o seu, pinto? – Dilis pedindo para ver um desenho pertencente a Tony (cujo apelido era “pinto”).

“Eu gosto de cachorro quente sem salsicha” – Yasmin falando sobre ser vegetariana.

“Dá para colocar umas comidas Barrocas aí?” – Liz fazendo uma inusitada sugestão para o trabalho de História da Arte.

_Vamos fazer uma lata de refrigerante com bocal no estilo chuveirinho? – eu disse.
_Não, é melhor fazer no estilo buchinha! – Adrian disse, indo além da minha “bisonhice”.

    Como vocês devem ter percebido, o número de pérolas ditas por Marky predominaram em relação aos nossos outros colegas. Assim, Marky acabou se tornando o “rei das pérolas”, de modo que, mais tarde, David mudou o nome da comunidade para “As pérolas de Marky e agregados”. Nada mais justo! Enfim, a comunidade foi algo divertido para terminar o primeiro ano de faculdade (rimei de novo, juro que foi sem querer)!

domingo, 11 de dezembro de 2011

Capítulo 12 – A personagem que deveria estar no inferno (e não no meu livro) - Livro: "A Era do 'Make in Touch' - Os anos Unesp sem censura"


Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"
 
Capítulo 12 – A personagem que deveria estar no inferno (e não no meu livro)



          Publicar ou não publicar? Eis a questão, que surge quando eu penso no primeiro livro que escrevi, chamado “Cicatrizar e Recomeçar”. É um livro que eu adoro, mas a ideia de divulgá-lo (seja no blog, seja para os amigos) me causa calafrios. “Cicatrizar e Recomeçar” contém um relato que abrange a época entre 1982 e 2005 (ou seja, os fatos apresentados no presente livro, “A era do Make In Touch”, podem ser encaixados logo após “Cicatrizar e Recomeçar”; resumindo, um é continuação do outro). Mas, qual o motivo de todo esse receio? O que o livro apresenta “de errado”? Na verdade, não apresenta “nada de errado” (e é justamente esse o motivo do referido receio). Vou explicar melhor...

          Certa vez, no segundo ano de faculdade (cujo relato está próximo, levando em consideração a cronologia do presente livro), o nosso professor de semiótica (Joe Vincent) disse algo muito interessante, “mais ou menos” com essas palavras: “Eu não reprovo nenhum aluno. Na verdade, o aluno que se reprova. Se ele falta à aula, eu apenas marco a falta dele em meu relatório. Se eu peço algum trabalho, eu apenas registro, em meu relatório, se ele entregou ou não o que eu pedi. No final do semestre, eu analiso todas essas informações e verifico se o aluno passou ou não”. Pois bem: aí está explicado todo o processo que eu utilizei para escrever “Cicatrizar e Recomeçar”. Ou seja, eu apenas relatei o que aconteceu: se alguém se portou mal (ou me prejudicou de alguma maneira, me deixando magoado), eu apenas relatei o que essa pessoa fez. Se alguém me dissesse “Ah, mas veja bem, você não poderia ter registrado isso publicamente, você expôs o que eu fiz para você no passado”, eu poderia responder “E você não deveria ter feito o que fez, me prejudicando; foi você quem escreveu a sua própria história; eu sou um escritor, e toda a “matéria prima” do que eu escrevo estão nos acontecimentos do meu passado; assim, todas as coisas (boas ou ruins) que você me fez agora me pertencem”. Dessa maneira, eu não deveria ter o menor receio de escrever sobre os referidos assuntos, já que todos eles formam a história da minha vida. Mas, confesso, como disse anteriormente, que eu realmente tenho o referido receio, justamente pelo fato das pessoas acharem que eu relatei tudo apenas por vingança ou para denegrir a imagem das mesmas. E o pior: boa parte dos meus personagens (até os que me fizeram mal no passado), hoje são meus amigos (mesmo os que sejam amigos apenas “via facebook” ou “orkut”). Ou seja, não restou nenhuma mágoa de minha parte em relação aos mesmos: os meus relatos em “Cicatrizar e Recomeçar” estão presentes apenas por ter sido interessantes, e não possuem a intenção de prejudicar ninguém (e nem poderia, já que o nome dos personagens estão todos ocultos, por meio de pseudônimos).

        No processo de escrita do meu livro “Diários de Billy Winston” (e, agora, que escrevo “A era do Make in Touch”) percebi que os meus relatos pareciam estar mais amenos e maleáveis em relação aos personagens, e atribuí esse fato à minha maturidade, à minha visão de mundo (mais realista) e à minha crescente admiração pelo ser humano (e pelo seu criador, Deus). Depois de um tempo, pensando melhor, concluí que não apenas eu me tornei uma pessoa mais amena, mas os meus amigos também: todos, da mesma maneira que aconteceu comigo, tiveram um crescimento espiritual e intelectual muito grande. Então, consequentemente, os relatos dos acontecimentos também ficaram bem mais leves e agradáveis, diferentes de todo o drama psicológico presente em “Cicatrizar e Recomeçar”. Mas existem algumas exceções... Pois bem, o amigo leitor, agora, tem em mãos (ou melhor, na tela de seu computador) o capítulo que está mais próximo do estilo de “Cicatrizar e Recomeçar”, fato que pôde ser confirmado a partir da leitura do próprio título (“Ai, que medo, quem será a personagem que deveria estar no inferno?”).
        Estávamos no final do segundo semestre, tudo estava correndo muito bem, nossa classe estava cada vez mais unida (os grupos existiam apenas por afinidade entre as pessoas, mas “todos eram amigos de todos”). No entanto, essa “personagem” se “adentrou” justamente ao meu grupo de amigos mais queridos, e causou uma divisão, uma espécie de ruptura, que jamais pôde ser “restaurada”. “Quem é essa personagem, meu Deus, fale logo, estou morrendo de curiosidade”. Então lá vai: é uma personagem velha, que também fez parte dos meus outros livros citados, que atende pelo nome de “panelinha” (“Ufaaaaaaaaaaaaaaaaa, que alívio!”). Se assustaram, achando que era alguém em especial, que estava estudando em nossa classe? Na verdade, eu não poderia culpar ninguém pelo que aconteceu, então culpei esse “processo de isolar certas pessoas” e formar grupinhos, cujo nome popular é “panelinha”. Esse “processo” é muito popular, e parece surgir de tempos em tempos, como uma espécie de “estraga prazeres”, pronto para destruir amizades lindas e significativas. Pode ser que tenha existido algum “personagem” que tenha sido o “pioneiro” em “disseminar” o movimento da “panelinha” em meu grupo de amigos de classe, mas até hoje eu tenho as minhas dúvidas quando penso em responsabilizar alguém pelo acontecido. Prefiro acreditar (ao invés de acusar alguém) que a “panelinha”, como referi anteriormente, é esse procedimento horrível que atinge os grupos de amigos, de tempos em tempos. Para entender melhor, vocês terão a chance de ler um trechinho de “Cicatrizar e Recomeçar”, onde eu relato o que eu acho das “panelinhas”. Aqui está ele:


       “Como eu disse, Jordy tinha alguns amigos que eram prioridade para ele: Bad Landon, Walter, John Paul e agora o Ferdinand também (irmão mais novo de Turky). Quando ele marcava algum esquema, sair para algum lugar, coisa e tal, ‘tinham’ que ir somente essas pessoas e mais ninguém. Nunca entendi a razão disso. Por volta de 1993 e 1994, quando eu, Lang, Adam Ball e o resto do pessoal íamos para o Shopping, quanto mais amigos a gente conseguisse reunir para o evento, melhor. Maior seria a diversão. Não fazíamos nenhuma maldita exclusão, como Jordy fazia. E, como eu disse anteriormente, com o tempo ele foi excluindo até o seu irmão, o Mick. Mick me contou de uma ocasião em que eles iriam para algum lugar, uma cidadezinha por perto e o carro já estava cheio. Na última hora, Bad Landon resolveu ir. Jordy simplesmente chegou para Mick e disse: ‘Olha, você não vai poder ir mais. O Bad Landon vai no seu lugar’.”



     Que coisa, não? Pois é, algo semelhante ao desprezo de Jordy pelo seu irmão Mick aconteceu comigo, nesse período da faculdade (quando o movimento “panelinha” já estava disseminado). John havia combinado algum evento com o pessoal (não me lembro ao certo o que foi, mas com certeza deve ter sido algo muito divertido (sempre era)) e eu, ainda sem saber do movimento “panelinha”, fui todo “animadão” convidar justamente as pessoas que haviam se afastado do nosso grupo. Fui recebido da maneira mais fria que se pode imaginar: ninguém ao menos respondeu se aceitaria o convite ou não, todos me olharam seriamente e apenas resmungaram alguma coisa. Se fosse qualquer pessoa, talvez eu não ficaria tão arrasado. Mas ali estavam as pessoas que eu considerava, que eu adorava, que para mim eram “modelos perfeitos de amizade”. Maldita “panelinha”! A última reunião da “turma completa e realmente unida” (ainda sem as “panelinhas”) ocorreu em fevereiro de 2006, onde foram registradas lindas fotos. Foi um churrasco na república onde Líria morava, na época. Na capinha do “Cd”, onde tenho as fotos gravadas, escrevi o título “Churrasco ‘Nós éramos uma turma linda’”. E éramos mesmo, podem ter certeza. Depois disso, até o final do curso, aconteceram algumas reuniões com a referida turma, mas já não era a mesma coisa. Uma pena!

       E qual o motivo da “personagem” (ou melhor, do “sentimento” chamado “panelinha”), “dever estar no inferno” (conforme diz o título do capítulo)? Escolhi o referido título ao me lembrar do último disco do Raul Seixas (juntamente com o Marcelo Nova), cujo nome é “A Panela do Diabo”. Devia ser essa “panelinha” que o Raul e o Marcelo estavam se referindo, não é mesmo?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Capítulo 11 – Branca de Neve e os sete anões canibais - Livro: "A Era do 'Make in Touch' - Os anos Unesp sem censura"

Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Capítulo 11 – Branca de Neve e os sete anões canibais


            “Que título mais estranho!”: tenho certeza que muitos devem ter pensado. Na verdade, esse título nem foi criado por mim. Ele pertence a um livro do gênero “terror infantil”, segundo as palavras de um dos seus autores, ou melhor, segundo as palavras do meu velho amigo Landon. Os outros amigos, que também são autores da obra: Maggie (personagem do meu livro “Diários de Billy Winston”, “Jimball Bilangs” e “Cicatrizar e Recomeçar”), Ann Call e Skat (também personagem dos livros citados). A estória, até onde eu sei, narra as aventuras (na verdade, as desventuras) de uma “Branca de Neve” diferente, que só se dá mal (por exemplo, em determinado ponto da narrativa, a coitada tem um dos seus braços comidos por um dos anões e, no final da estória, se não me engano, ela termina tetraplégica). “Credo! Que horror! De onde vocês tiram essas idéias?”: foi o que a professora escreveu quando deu o seu visto, no final do trabalho (era um trabalho de língua portuguesa, da oitava série, realizado em 1990, onde cada grupo deveria escrever o seu livro; ah, e naquele tempo, a palavra “ideia” tinha acento, por isso eu mantive o mesmo no parecer da professora). Na verdade, boa parte das ideias saíram da mente de Skat (um gênio na arte da morbidez, diga-se de passagem). O livro, realmente, era muito superior se comparado aos outros livros escritos naquele período (inclusive ao do meu grupo (composto por mim, Adrian e Rod), que contava uma inocente “estórinha” de alguns irmãos que se perderam em uma caverna). Os outros grupos (também composto por personagens dos meus livros já citados) escreveram alguma estórias interessantes: o de Casey, pelo que me lembro, escreveu uma estória de guerra; o grupo de Robert escreveu “O menino que queria ir à lua” (mas o foguete explodiu no final); o grupo de Flower escreveu uma estória romântica, e por aí vai. Infelizmente, não tive a chance de ler algum desses livros mencionados. Mas, pelo menos, o da “Branca de Neve e os sete anões canibais” eu consegui ler algumas páginas iniciais e pude reparar como era bom (Maggie não deixou eu ler o resto, queria fazer uma espécie de surpresa para classe ou alguma coisa do tipo). Mas, por que estou mencionando esse fato, que parece não ter nada a ver com a nossa narrativa habitual? Na verdade, até que tem um pouco a ver: tudo o que conquistamos nesse mundo quase nunca acontece de maneira fácil. Ou seja, é a custa de muito sofrimento (por isso me lembrei dessa “Branca de Neve”, citada anteriormente; no entanto, como não li a estória até o fim, não sei se ela conquistou alguma coisa significativa no final). E passar no vestibular, em uma Universidade Pública (no caso, a Unesp), não foi tarefa fácil para mim, que passei três anos estudando como um louco (nos finais de semana e nas horas de almoço no trabalho), sacrificando praticamente todos os meus raros momentos de lazer. Quer prova maior de responsabilidade? Existe mais alguma coisa a ser provada?
            Retornando: conforme eu havia dito no capítulo anterior, já estávamos no segundo semestre do primeiro ano. Uma mudança aconteceu nesse período: eu deixei de ser o “rei das caronas”, pelo fato da gasolina estar “pesando” muito em meu orçamento e, assim, percebi que o ônibus (ou melhor, o vale transporte) era muito mais econômico. Apesar de ter conhecido muitas pessoas interessantes durante as caronas (inclusive, o oriental Armand, que foi quem me falou, pela primeira vez, do livro “On the Road” e de seu autor, “Jack Keroauc”), a experiência de andar de ônibus aumentou ainda mais esse número de novos conhecidos (eu não tinha ideia de como eu era comunicativo (tirando o lance dos seminários, que eu ainda morria de medo)). Mas, ainda assim, eu tinha saudade das caronas: era muito divertido, quando o carro já estava lotado, ver Marky segurando uma enorme faixa com os dizeres “lotado”; ou as meninas (de jornalismo, eu acho) que, ao avistarem meu carro vindo de longe, já começavam a vibrar (pois sabiam que eu pararia para apanhá-las); ou David que (próximo aos radares de trânsito, à noite) colocava uma máquina fotográfica para fora da janela do carro e disparava o flash (“Hãm, veja bem Billy, é para assustar os outros motoristas, para eles acharem que o radar pegou eles fora da velocidade permitida, enfim...”). Para não “perder tantos pontos” no quesito “rei das caronas”, comecei a “dar caronas de ônibus” para meus amigos, quando sobravam alguns passes que eu recebia de vale transporte (uma vez ou outra eu ainda utilizava meu carro e, por causa desse fato, ainda era possível economizar os referidos passes).
            Mas, e “Branca de Neve e os sete anões canibais”? Será que eu ainda terei a chance de ler esse livro na íntegra? Skat e seu grupo mostrou que a criatividade pode até mesmo vir de coisas “mórbidas” (confesso que não é o meu gênero preferido, mas admito que, ainda assim, é possível produzir coisas boas a partir do mesmo; a prova está no próprio livro de Skat). No entanto, no presente capítulo, citei o livro apenas para enfatizar as adversidades que enfrentamos na vida: quanto a parte referente a criatividade, falarei em breve.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Capítulo 10 – Só vou te beijar depois... - Livro: "A Era do 'Make in Touch' - Os anos Unesp sem censura"

Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Capítulo 10 – Só vou te beijar depois...




            O segundo semestre voltou e, pela primeira (e única) vez, tivemos várias greves e paralisações na faculdade. Assim, aproveitávamos para adiantar os trabalhos (principalmente os de Desenho de Observação) e estudar nossa matéria preferida, que era matemática (até parece).

            Várias cenas engraçadas aconteceram nessa época, durante as aulas (quando não estávamos em greve, é claro). Considerada, por muitos, como um dos momentos mais engraçados de todo o curso, foi uma das vezes que Caleb contestou o professor de Geometria Descritiva, deixando o mesmo bastante irritado:

            _ Tá errado! – berrava o professor.

            _ Mas professor, como tá errado se...

            _ Tá errado!

            _ Errado como, se eu...

            _ Tá errado, cacete!

            Aí o professor finalmente “perdeu a estribeira”, riscando o desenho “errado” na lousa (com tanta força, que o giz chegou a quebrar em suas mãos), enquanto John cantarolava, baixinho, aquela “musiquinha” de festa junina (Turururu, Tutu, Tutuuu, Turururu, Tutu, Tutuuu). “Porque você tá cantando essa “musiquinha?”,  eu perguntei. John respondeu “Para dar uma animada no ambiente”.

            Marky também se destacou nesse período, ganhando fama de incendiário, nas aulas de Plástica: “botou” fogo em sua própria pintura (inspirada em Stuart Stucliffe), incendiou uma cabeça feita de gesso (!?), queimou uma camisinha (e aquele “fedozão” de plástico queimado se espalhou por toda a classe)... Só faltou queimar a própria classe (o que não seria difícil; afinal, com aquelas salas feitas de papelão, não é?). E, por falar em aulas de Plástica, eu também me destaquei (negativamente) com uma proeza pra lá de inusitada. Meu amigo Phil me lembrou da mesma há alguns dias atrás; foi sorte, pois eu não me lembrava e, consequentemente, ela acabaria ficando fora do livro (e vocês não poderiam tirar uma na minha cara). Bom, vou começar do início (e isso não é um pleonasmo vicioso, pois escrevi alguns textos começando pelo fim; mas, na verdade, ninguém perguntou isso e, então, deixa eu começar a relatar a história de uma vez por todas, antes que eu seja xingado por “matar” todo mundo de curiosidade e...).

            O professor Claude, de Plástica, havia anunciado que o tema do trabalho, naquela semana, seria “Nave”. Pááá! Era como se eu ouvisse o “tiro de largada”, e isso acontecia toda vez que algum trabalho era anunciado. Digo isso pelo fato do meu tempo ser muito curto (lembrando: eu trabalhava 9 horas por dia na empresa de autopeças e, dessa forma, só me restava os finais de semana para executar os trabalhos). Então era isso, era como se iniciasse uma contagem regressiva, onde eu teria que pensar em uma ideia (no caso, como seria confeccionada a nave) e, posteriormente, colocar a mesma em prática. Na maioria das vezes, as minhas ideias até que eram boas, mas o resultado final não saía muito satisfatório, por causa do pouco tempo que eu tinha. No caso do trabalho da “Nave”, infelizmente, o melhor que consegui pensar foi em construir a mesma utilizando uma garrafa plástica de refrigerante (para o corpo) e um pratinho de papelão (para as asas). Dessa forma procedi, e o resultado ficou terrível. Para tentar dar uma pequena melhorada no visual da mesma, encapei cuidadosamente o corpo e asa da nave utilizando papel alumínio. No final  de todo o processo, coloquei um boneco (soldado inimigo da série “Star Wars”) como piloto.

            Chegou o dia da aula de Plástica daquela semana e, quando retirei a “nave” de dentro da minha mochila (para apresentar para a classe), a asa de papelão havia entortado e todo o papel alumínio (que eu havia colado com o maior cuidado) havia se desprendido. “Dou uma semana inteira para você construir uma nave, e você me traz uma bosta dessas”, o professor Claude disse (mas em “tom de brincadeira”, pois ele era muito bacana). E, realmente, estava uma “bosta” mesmo, eu tinha que admitir.

            A aula terminou e, juntamente com Phil, me dirigi até o ponto de ônibus. Apesar do meu fracasso durante a aula, eu gostaria, ainda assim, que o meu trabalho tivesse alguma coisa de interessante em sua “cerne” (afinal de contas, apesar de ruim, ele acabou me custando boa quantidade de horas do meu fim de semana). Pensando dessa maneira, primeiro guardei o bonequinho do Star Wars (o piloto) em minha mochila e, logo em seguida, lancei a “nave” em cima do teto do ponto de ônibus. Depois, disse, para Phil, algo do tipo:

            _ Não levarei essa “nave” para casa hoje... Depois que o curso terminar (ou seja, depois dos  4 anos de faculdade), eu venho pegar ela (é claro, se ela ainda estiver aqui).

            Phil ficou me olhando, tipo “Esse cara é louco!”. E o assunto acabou caindo no esquecimento. Isso até o Phil me lembrar, há alguns dias atrás.

            Então, decidi ir buscar a nave, como havia prometido (bem atrasado, pois o curso terminou há, aproximadamente, dois anos atrás). Coloquei a minha jaqueta de couro, amarrei o meu cabelo, arrumei algumas coisas em minha mochila (água e comida) e resolvi ir a pé até a Unesp. Seria uma longa caminhada, e o trajeto mais próximo, pelos meus cálculos, era seguir a rodovia Marechal Rondon, até ponto que ela cruza com a avenida Nações Unidas. Quando, finalmente, havia colocado o pé na rodovia, um carro parou no acostamento, distante alguns metros de onde eu estava, com a motorista me acenando. Corri até o veículo e, para a minha (grande) surpresa, era a garota dos meus sonhos quem estava “pilotando”:

            _ Billy, pra onde você vai, meu querido?

            _ Estou indo para a Unesp – respondi.

            _ Então sobe no meu carro...

            _ Que coincidência, você está indo para a Unesp também?

            _ Na verdade não, mas vai ser um prazer te dar uma carona até lá...

            _ Legal!

            Assim, entrei no carro e perguntei se ela não gostaria que eu ajudasse com a gasolina, pois ela estaria se deslocando do seu caminho só por minha causa. E ela respondeu, fazendo bico:

            _ Não vou cobrar a gasolina, mas eu gostaria que você me desse um beijo nos lábios, como pagamento...

            _ Tudo bem, mas só vou te beijar depois que a gente recuperar a minha “nave” – disse, com firmeza.

            _ Ah, claro! Fica combinado assim, então! – ela me disse, sorrindo e, logo em seguida, deu partida no veículo.

            Em poucos instantes, chegamos ao nosso destino, ou seja, o ponto de ônibus da Unesp.  Com certa dificuldade, escalei o mesmo e (que loucura), a “nave” ainda estava lá, intacta. Daí, me deu uma certa vertigem, algumas imagens psicodélicas apareceram e eu acordei.

É claro que só poderia ter sido um sonho: a “blasfêmia” dita por mim à garota dos meus sonhos já comprova todo o devaneio: “só vou te beijar depois que a gente recuperar a minha ‘nave’” (“Que cara mais burro!”, eu sei que muitos devem ter pensado; no entanto, antes disso, intitulei “garota dos meus sonhos” pelo fato da mesma estar presente no meu próprio sonho, mas quem poderia imaginar?). Mas, ainda assim, acho que o meu sonho poderia ter sido um belo desfecho para essa história... Agora (no mundo real), só me resta saber se a “nave” ainda se encontra em cima do ponto de ônibus. Quem sabe?