terça-feira, 27 de setembro de 2011

Capítulo 7 - De volta à Vinoma - Livro: "A Era do 'Make in Touch' - Os anos Unesp sem censura"


Capítulo 07 – De volta à Vinoma

Festa de Desenho Industrial - 2005 - República Vinoma
  
            Aqui vamos nós de novo: essa paixão louca mexe comigo bem quando eu pensava que isso iria acabar e...     Não, não é que eu esteja apaixonado (e essas palavras nem são minhas): só estava cantarolando e lembrando da letra (traduzida) de ”Going to Pasalacqua” (do Green Day), ao começar escrever o presente capítulo. Bela canção, mas não tem nada a ver com o que relatarei a seguir... Nadinha!
            Bom, eu havia decidido (como contei anteriormente) que não compareceria mais às festas de Desenho Industrial (pelos motivos desagradáveis já “enumerados”), mas acabei mudando de ideia no decorrer do primeiro semestre (“Vamos lá rapaz, seja mais tolerante, não fique guardando mágoa, e...”). As comemorações que eu mais gostei foram aquelas mais “particulares”, onde “juntava” somente o pessoal da minha classe (dava para conversar e tocar violão numa boa). Mas, em um determinado momento, tive minhas dúvidas se compareceria à festa “oficial” do meu curso (que acontece uma vez por ano; é a “maior festa de todas” e a que aglomera mais pessoas), pelo fato da mesma ter sido marcada na República Vinoma. Conforme já disse (usei um capítulo inteiro para isso), não havia tido uma boa impressão daquele lugar. Mas, no final das contas, “Primeira festa, né? Você vai perder? Olha que o arrependimento pode te matar depois, hein?”. Então fui...
            Na noite da festa, estacionei o carro próximo à Praça da Paz (localizada na Avenida Nações Unidas) e, juntamente com John (e mais alguns amigos que agora não me recordo), nos dirigimos para a República Vinoma (ela meio que “beirava” a rodovia Marechal Rondon). Havia tanta gente na entrada, que chegava a ser difícil achar um espaço vazio onde pudéssemos ficar “estacionados”.
            Achei que a noite estava bonita e agradável, mas dentro de mim havia aquele sentimento de “os velhos tempos se foram e jamais poderão ser repetidos”: não era a turma do São José, ou do Objetivo, ou do meu bairro (Grass Valley) que estavam ali reunidos. Era uma turma totalmente nova, uma atmosfera completamente desconhecida, enfim, o meu mundo já não possuía nada de familiar. E o rock, que me acompanhou durante toda a minha vida? Bom, a verdade é que grande parte gostava do referido estilo, mas não se aprofundava em conhecer o mesmo mais a fundo ou, até mesmo, adotar as suas vestimentas, enfim... Por falar em estilo, sabia que em poucos meses o meu cabelo voltaria ao aspecto natural (já tinha crescido uma boa porcentagem) e, assim, poderia “armar” o meu topete “estilo anos 50” novamente.
            Quando a festa começou e a multidão adentrou ao “recinto”, pude notar que a República era enorme. Um fato que comprova a sua grande dimensão eram dois estilos de som que não se atrapalhavam ou se confundiam: a música eletrônica imperava por todo o ambiente, mas, numa espécie de porão, o som que dominava era proveniente de uma banda de rock (pertencente à uma “veteranete”, vocalista, que eu conheceria tempos depois). Como eu havia comentado, a festa não me trouxe (como era de se esperar) os meus velhos tempos de volta... Mas, mesmo assim, foi a melhor festa “oficial” de Desenho Industrial que participei, fato que contrariou as minhas expectativas negativas referentes à “malfadada” República de onde, certa vez, fugi com meus amigos.
            Bom, a tradução de “Going to Pasalacqua”, realmente, não teve nada a ver com o presente capítulo. No entanto, terá muito a ver com o próximo onde, ao sair da citada festa, encontrei uma menina carente, simplesmente “largada” no meio do caminho.   

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Capítulo 06 - A primeira pérola - Livro: "A Era do 'Make in Touch' - Os anos Unesp sem censura"

Capítulo 06 – A primeira “pérola”



      O orgulho! Ah, o terrível orgulho! As vezes, é quase impossível “segurar” o orgulho! No entanto, o orgulho, por sua vez, não faz questão de “segurar” as minhas opiniões, enquanto escrevo os meus textos. Ou seja: quando o orgulho realmente me “pega” (por mais que eu evite e ache errado e tenha consciência de ter caminhado mais um “passinho” para os portais do inferno, com os diabinhos, os caldeirões de água quente, calor, fogo e ânsia de vômito (ah, esse sintoma com certeza foi criado no inferno)), enfim, quando o orgulho me “atinge”, sinto que as minhas palavras escritas fluem tão bem, da mesma maneira que fluem os meus passos para os portais do inferno quando me encontro orgulhoso. Mas por que estou tocando nesse assunto? E tipo: “Pô, o cara repetiu a palavra ‘orgulho’ umas seis vezes!” (sete vezes contando com essa). Explicarei em breve.

         Voltando ao curso de Desenho Industrial, a atividade mais praticada em seu primeiro ano é, com certeza, o Desenho de Observação (a partir de referências de revistas e objetos reais). Assim, meus fins de semana eram exclusivamente reservados aos desenhos (e, também, aos trabalhos das outras disciplinas). Era meu único tempo disponível, já que eu trabalhava nos outros dias da semana. Dessa forma, aos sábados, eu chegava da faculdade por volta do meio-dia, almoçava e, depois, sem perder tempo, me dirigia para a minha mesa de desenho. Só me levantava dela lá pelas 22:00h do domingo. Observação: é claro que eu parava, de vez em quando, para escovar os dentes, comer, tomar banho; só não devo ficar citando essas coisas óbvias para não cair no erro de “encompridar” muito o texto e deixá-lo cansativo para o leitor (apesar que deu no mesmo, já que citei o que não precisaria citar nessa última observação, “encompridando” o texto da mesma maneira; e já que escrevi mesmo, estou com dó de “deletar” tudo, então vou deixar como está). Voltando aos desenhos, sorte minha que eu gosto de desenhar e, assim, não foi tão ruim gastar meu tempo com eles. O único “desequilíbrio” em minha vida ocorria quando a empresa de autopeças, onde eu trabalhava, marcava horas extras no final de semana. Ah, como era difícil convencer os patrões que eu não queria faltar às horas extras para “vagabundear”, e sim para estudar!

          Quanto ao período das aulas, realmente estava muito difícil que os alunos (da classe de Programação Visual) estabelecessem um bom vínculo de amizade (o pessoal de Projeto de Produto teve mais sucesso nessa “empreitada”). Eram muitos grupinhos, muitas rivalidades, muitas dissidências (por exemplo, no início Marky e Caleb tinham um único grupo de trabalho que, posteriormente, acabou se dividindo em dois).

      Mas, apesar de tudo, tinham bons (e engraçados) momentos. Eu e Marky vivíamos trocando materiais a respeito de rock, de forma que conseguimos atingir um vasto conhecimento a respeito de bandas desconhecidas e estilos que ainda não éramos familiarizados. Certa vez, eu tinha gravado, em um Cd, uma coletânea de bandas para Marky poder curtir. Entreguei o Cd, para ele, durante a aula e ele ficou muito contente (e ansioso para poder escutar o material). A aula prosseguiu e, num determinado momento, o professor sugeriu um trabalho onde, para sua entrega, seria preciso gravá-lo em Cd (ou algo parecido; realmente não me lembro do que se tratava o trabalho, nem do professor que o sugeriu). Eis que Marky vira para mim e, humildemente, lança a pergunta: “Billy, por acaso você tem gravador de Cd?”. E eu respondi: “Não, meu filho, eu gravei a sua coletânea com o dedo”. Marky coçou a cabeça e ficou tipo “Ai, cara, é mesmo né? Se você gravou o Cd, é quase certeza que você tem um gravador”. Na verdade, o meu referido diálogo com Marky não foi o acontecimento mais engraçado do mundo, mas inaugurou as famosas “pérolas de Marky e agregados” que, mais tarde, teria a sua própria comunidade no Orkut. Inesquecível!

        Ao final de mais um capítulo, me resta esclarecer o porquê de ter falado sobre o “orgulho” no primeiro parágrafo. Na verdade, não estou nem um pouco “orgulhoso” (ou nervoso e desiludido, como pode ter parecido num primeiro momento) e os fatos comentados no presente capítulo não tiveram nada a ver com “orgulho” (com exceção das “picuinhas” existentes em minha classe; mas confesso que não tinha previsão de comentá-las, lembrei “de repente” e acabei incluindo as mesmas em última hora). O que aconteceu foi que, ao planejar o que eu escreveria para a presente narrativa, percebi que não teria nada de “filosófico” para apresentar, ou melhor, alguma opinião ou mensagem para transmitir... Ou seja, ficaria tudo limitado a um mero relato de fatos... E isso não é legal! Quando meu amigo Jim leu “Cicatrizar e recomeçar” pela primeira vez, ele sugeriu que eu não ficasse apenas me baseando em fatos (que muitas vezes poderiam ser interessantes apenas para quem vivenciou a história, como era o seu caso, sendo ele personagem do referido livro), mas também colocasse as minhas opiniões, mensagens e filosofias (pois isso acaba criando uma empatia com o leitor). Por isso, resolvi começar falando sobre o “orgulho”, no intuito de não deixar o capítulo tão pobre (apesar de imaginar que alguns leitores estão naquela “Pô meu, só por causa disso? Não gostei, nada ver!”). Então, amigo leitor, faça-me o favor: “larga a mão” de ser orgulhoso e respeite os meus textos!

 

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Capítulo 05 - Reconquistar!!! - Livro: "A Era do 'Make in Touch' - Os anos Unesp sem censura"


Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"


Capítulo 05 – Reconquistar!

  

            Felizmente, a nossa fuga da Vinoma não teve uma repercussão tão negativa quanto eu esperava (pelo menos, para nós, os “fugitivos”). Os “veteranos” até mostraram um certo senso de humor em relação ao acontecido (“Vai, ‘bixo’ fujão!”). Só não entendi como o caso ficou tão conhecido e popular na época, ou melhor, não sei quem “espalhou” para “toda a faculdade” que tínhamos fugido da república (eu não fui). Agora, aqui vai uma pequena especulação ou teoria: Chan e Nathan, poucos dias depois do incidente da Vinoma, foram à classe a qual eu pertencia, ou seja, a de “Programação Visual” (uma das duas “vertentes” do nosso curso, a outra era “Projeto de Produto”). Ambos estavam bastante chateados, pelo fato da maioria dos “bixos” não estarem comparecendo às festas (diferente do passado, quando “DI dominava”) e, encarecidamente, pediram para que participássemos mais. A repercussão para os “fugitivos” da Vinoma, como eu disse, não foi lá tão negativa. Mas, e para o restante da classe? Será que a maioria ficou assustada com o acontecimento e, assim, resolveu não participar mais das festas? Não sei... Mas, quanto a mim, “Nunca mais boto o pé em alguma festa de faculdade”, foi o que decidi: “Por que esquentar a cabeça? Pra que me sujeitar à situações tão constrangedoras? Eu não sou mais moleque (apesar da cara), estou com 28 anos, não preciso me estressar por causa dessas coisas desagradáveis!”.

            “Eu não sou mais moleque”, diga-se de passagem, era uma opinião que pertencia apenas à minha mente, pois ninguém sabia a minha verdadeira idade. E, sendo assim, eu era tratado como um moleque; na verdade, tratado como um igual, já que eu aparentava a idade dos demais colegas. Apenas Lydia era mais velha que eu e foi para ela que revelei, primeiro, a minha idade (o que foi determinante para estabelecermos um laço de amizade). Na referida época, eu já havia escrito boa parte de “Cicatrizar e Recomeçar”, o meu primeiro livro e, assim que comentei com Lydia a respeito dos meus referidos escritos, a mesma me pediu para que eu os enviasse por e-mail, para que ela pudesse conhecer as minhas histórias. Foi algo muito importante e significativo para mim, visto que Lydia (que se identificou totalmente com a história), a medida que lia os capítulos, aproveitava para tecer as suas considerações sobre os mesmos, além de revelar algumas de suas experiências de vida muito parecidas com as relatadas por mim. Os e-mails que trocamos, referentes ao “Cicatrizar e Recomeçar”, acabaram formando um outro livro, que chamo de “Memórias de Lydia”, o qual tenho boa parte guardado nos meus arquivos (incluindo aquele triste e derradeiro e-mail, o qual comentarei mais tarde).

            A segunda semana de aula foi legal para poder conhecer melhor os novos amigos, formar grupos de trabalho e trocar novas ideias. Mas confesso que, durante os intervalos, eu preferia ficar isolado, sozinho “comigo mesmo”, tentando relaxar a minha mente, a fim de me adaptar à minha nova vida universitária. Àquela altura já não estava triste nem nada, apenas queria “dar um tempo”. Somente quando me encontrava com John, durante o intervalo, ele me convencia a ficar junto do nosso grupo de trabalho. Assim, depois de alguns dias, comecei a ficar junto do grupo o tempo inteiro, estreitando, dessa forma, os laços de amizade. E, numa dessas ocasiões, quando estávamos lanchando na entrada da Unesp, acomodados numa espécie de plataforma com mastros de bandeira (lembro que fazíamos “vaquinha” para comprar refrigerante), resolvi comprovar se haveria (ou não) algum tipo de animosidade (que eu não concordava) com os nossos futuros “bixos”, perguntando:

            _ Ei caras, e se, no ano que vem, a gente amarrasse os “bixos” nestes mastros e “içássemos” eles, como se fossem bandeiras?

            _ Não, não pode, Billy! Isso é trote violento! – Sal disse, me deixando contente com a sua opinião.

        Mas nem tudo andava às “mil maravilhas”, com relação à uma outra parcela dos meus colegas de classe. Certa vez, estava voltando da cantina (acredito que foi no intervalo de uma aula, no sábado de manhã) e essa parcela de colegas, a qual me referi, estava aglomerada próximo ao bosque (localizado em frente à biblioteca). Acenei para eles, e eles retribuíram o aceno, “meio de má vontade”. Em seguida, escuto uma das meninas do grupo dizer algo do tipo “Que babaca esse Megaman”. Na hora do acontecido, não dei lá muita atenção (“ela deve ter dito isso por causa das minhas palhaçadas, no dia do desfile com as fantasias”), mas depois de um tempo, ao refletir a atitude da garota (“Pôxa, ela parecia tão legal!”), me lembrei de uma cena, lá por volta dos meses finais do meu cursinho no Objetivo: eu no pátio, rodeado pelo pessoal da minha classe (que era bem numerosa), tocando no violão a música “Proudy Mary” (do Creedence) e, depois da execução da mesma, sendo aplaudido e elogiado por todos. Me lembrei, também, muitos meses antes da referida apresentação, logo quando o cursinho começou, do pessoal me olhando com cara feia e me ignorando (“Quem é esse babaca?”). Me recordo, ainda, do período intermediário entre o começo do curso (eu, o cara babaca) e o final do curso (eu, o cara sincero, simpático e amigo de todos), onde houve aquele exaustivo trabalho, da minha parte, em conquistar um por um dos meus desafetos e, consequentemente, formar uma das turmas mais especiais que eu já tive em toda a minha vida. “Pois bem, tive sucesso no Objetivo, mas os tempos mudaram: agora, na Unesp, terei que recomeçar o trabalho de conquista dos desafetos a partir da estaca zero”: eu sabia que não seria uma tarefa fácil, mas também tinha certeza que não iria fracassar.

sábado, 6 de agosto de 2011

Capítulo 04 - Terror na Vinoma - Livro: "A Era do 'Make in Touch' - Os anos Unesp sem censura"

Capítulo 04 – Terror na Vinoma

  
    No restante da primeira semana de aula, poucos fatos marcantes ocorreram e, por causa disso, tenho apenas algumas “raras” lembranças do que aconteceu: a simpática Carolyn me pedindo alguns lápis emprestados (para desenhar uma mão segurando uma escova dental, a pedido do professor Mitsu); David na aula de História da Arte, sentado em uma posição estranha (o verdadeiro homem-borracha, que conseguia colocar seu corpo em posturas impossíveis), dizendo que não se importava com nada (ou algo parecido); o “veterano” Chapolin, medalha de ouro em “nado na janela” (!?); Nathan avisando aos “bixos” que não precisariam mais ficar fugindo, pois estavam (finalmente) “abolidos” os banhos de tinta; eu com dificuldade em distinguir um “bixo” de outro (pois todos estavam carecas)... Enfim, o que acabo de relatar ocorreu no período compreendido entre terça e quinta-feira. E tudo estava muito tranquilo, diga-se de passagem...
     Mas, na sexta-feira, as coisas iriam mudar...
         Depois da Aula de Desenho Geométrico, decidi comparecer, pela primeira vez, em uma festa de Desenho Industrial. As “vibrações” estavam boas, pois, na referida sexta-feira (na hora do almoço) fui comprar um Cd dos Rolling Stones, duplo, que as lojas Americanas fizeram o favor de taxá-lo (por descuido) com o preço de um Cd simples (“porra Billy, como você consegue descobrir essas coisas?”, lembro de John perguntando, quando lhe contei o fato). Tá, tudo bem, eu exagerei quanto ao lance das “boas vibrações”, por causa de um mero Cd dos Stones... Mas a verdade é que eu estava “mó animadão”, na verdade “mó animadaço” ou, melhor, “mó animadaçadão” em relação às expectativas (referentes à festa). Cheguei a me lembrar das festas que organizei entre 1994 e 1995, com a mulherada para ficar, com o rock n´ roll “rolando Stones” (quer dizer, “rolando solto”) e com as bebidas abundantes que faziam com que eu (junto com Adam Ball e Lang) ficássemos mal depois da festa: bêbados, vomitando “excrementos” pra todo lado (principalmente macarrão com cerveja), passando vexame e... Bem, tirando a parte das bebidas (e dos vexames; mas, pensando bem, seria erguida uma estátua na Unesp em minha homenagem, caso todos conhecessem o meu passado de “beberrão”), eu imaginava que aquela minha primeira festa de DI traria à tona, novamente, esses sentimentos referentes aos primeiros anos da minha adolescência. Não posso deixar de citar, também, a boa impressão a respeito dos “veteranos”, depois do evento com as fantasias. Então foi tipo “E aí moçada, quem vai na festa hoje?”. Bom, eu não me lembro como foi organizado o lance das caronas (e não me lembro quem foi comigo, no meu carro). Apenas me recordo das pessoas* que acabaram se encontrando em frente à República Vinoma, onde a festa aconteceria: eu, John, Marky, Naty, Magye (do curso de química) e um aluno de engenharia (que não me lembro o nome). E Taylor prometeu comparecer mais tarde.
* Nota do Autor aos leitores do blog: me desculpem se, porventura, acabei me esquecendo de mais alguém que compareceu à festa; no entanto, caso alguém tenha comparecido (ou saiba de alguém que compareceu) e não foi citado, me avise para que eu atualize a narrativa.
   Foi Chan quem nos recebeu e, muito simpático (apesar do “ai do ‘bixo’ que deixar meu cachorro escapar”), pediu para que nós entrássemos na casa, na enorme casa que agora era uma república. Depois que todo mundo entrou, Chan fechou o portão com a chave (pensei “Normal, os tempos mudaram, a criminalidade está alta, segurança é tudo e...”). Já no interior da república, a primeira impressão que tive do ambiente foi a de um “caos organizado”: pilhas de livros de um lado, Cds de música em outro, algumas mesas, cadeiras... Em seguida, apareceu um “veterano” (acho que não era de DI) meio antipático, dizendo que todo mundo cairia na piscina depois que estivesse bêbado (“Ele deve estar brincando, mas... E se for verdade? Eu não bebo mais, porra!”, pensei comigo, sendo sincero e, agora, lamentando a derrubada da “virtual” estátua “unespiana” de “pinguço”, erguida em minha homenagem). Depois, os outros “veteranos” foram aparecendo, trataram todos bem (menos o coitado do engenheiro), conversaram, brincaram, muitas risadas ecoando pela sala... E de repente: “Segura aqui minha lente de contato” ou “ Perdi minha lente de contato” ou, ainda, “Que merda, pisaram na minha lente de contato”, ou algo assim, só sei que tinha “lente de contato” na frase dita pela “veteranete”. Em seguida, todo mundo desapareceu... Na verdade, os “veteranos” desapareceram e apenas os “bixos” (incluindo eu) ficaram ali, sozinhos, na sala: prostrados, cheio de dúvidas, tipo: “Mas que porra é essa?”. Quando percebemos que tinha algo de estranho no ar, todos (principalmente as meninas) começaram a entrar em pânico (menos o engenheiro). E começamos a gritar o nome de Chan... Mas ninguém respondeu!
      _ Um de nós vai ter que ir atrás de Chan e pedir pra ele abrir a porta! – alguém disse.
     “Boa ideia!”, pensei comigo.
       _ Mas quem vai então?
     _ Que tal o mais velho? – John sugeriu, rindo.
     “Putz! Que bosta de ideia, John!”, pensei, mudando de opinião na hora.
           Como ninguém decidia, Magye resolveu ir atrás de Chan. Para não ficar feio (eu era o mais velho), fui junto com ela. Enquanto isso, o restante dos “bixos” permaneceram na sala, tentando encontrar a chave da porta principal, que deveria estar em algum lugar (o que eu considerava uma missão quase impossível, pelo “caos organizado” em que o ambiente se encontrava). Mas eis que alguém, por algum milagre, encontra a chave, de modo que eu e Magye nem precisamos ir atrás de Chan. Marky preparou um bilhete, avisando os “veteranos” que iríamos comer alguma coisa, mas que, depois, voltaríamos (até parece!). Então começamos a pensar na melhor maneira de fugir da república.
    _ Primeiro, a gente abre a porta e o portão... Depois, fecha ambos e joga a chave no quintal! – alguém sugeriu.
     _Não! Os “veteranos” podem não encontrar a chave depois... Mas também não podemos largar a casa deles aberta: se não der para fechar a porta, pelo menos o portão deve ficar fechado! Vocês saem para a rua, eu fecho o portão, devolvo a chave no lugar que a gente encontrou e, depois, eu pulo a grade! – Sugeri, e todos concordaram.
   No entanto, logo que a porta foi aberta, percebi, de cara, que era quase impossível pular a grade (se não me engano, ela possuía até mesmo uma cerca elétrica). Então, infelizmente, além da porta, o portão também ficaria aberto. Por um momento, pensei em fechar a porta e jogar a chave pela janela, mas fiquei com receio dos “veteranos” não acharem a mesma, depois. No momento em que todos os “bixos” já estavam na rua, entrei sorrateiramente no interior da república (estava de “sangue frio”, algo surpreendente para alguém que sofria de ansiedade), deixei a chave perto do bilhete que Marky escreveu (pois havia me esquecido do lugar aonde a mesma havia sido encontrada) e, logo em seguida, partimos em direção ao Habib´s (pois estávamos com muita fome).
   Depois do susto, fiquei com muita raiva (juntamente com Marky, que estava no meu carro), desfilando todos os palavrões possíveis e impossíveis, enquanto dirigia. Aquele acontecimento na Vinoma foi uma grande decepção! “Logo agora que as coisas pareciam ter se acertado; logo agora que os ‘veteranos’ estavam se mostrando tão simpáticos (após o evento das fantasias); logo agora que...”, enfim, a minha boa impressão de tudo estava voltando à estaca zero: eu me sentia iludido, enganado... “Realmente, na Unesp, tudo é do ‘naipe’ daquele horrível banho de tinta da matrícula”: não tinha como pensar de outra forma. No entanto, num segundo momento, a mágoa e o ódio deram lugar a um sentimento de preocupação: “Como os ‘veteranos’ reagiriam à nossa fuga da Vinoma? Ficariam com raiva? Iriam querer ‘descontar’ de alguma forma?”. Quando chegamos ao Habib´s e nos acomodamos em uma mesa, o engenheiro ainda disse: “Não sei porque vocês entraram em pânico: isso que aconteceu é muito comum, em qualquer faculdade!”. “Muito comum? MUITO COMUM?”, minha alma remoía de aflição. “É, eu sabia que poderia acontecer, mas acontecer isso logo na primeira festa é ‘foda’!”, John disse, confirmando a minha opinião sobre tudo.
     De repente, avistei, em outra mesa, a minha turma do cursinho do Prevê: Cyrinda, Bibi, Carl, Diana Lee... Era a minha querida (e antiga) turma, que tantas alegrias me deu no passado, antes de eu “entrar” na Unesp (que, para mim, estava sendo o verdadeiro inferno na Terra). Que queda de nível havia sofrido a minha vida! “Quem tá bem não anda com largado!”: eu havia, simplesmente, jogado na lata de lixo o referido ditado (criado pelo meu patrão). Ao mesmo tempo em que eu pensava: “Porra, passar no vestibular não era o que eu queria? Não era o que todo mundo queria? Então, o que deu errado?”. Sentia que até mesmo a sociedade moralista (“Você deve fazer uma faculdade para ser alguém na vida!”) havia me enganado.
     Eu estaria cometendo uma grande injustiça se esse tipo de decepção tivesse acontecido apenas comigo... Mas não aconteceu! Conheci várias pessoas (“bixos” e “veteranos”) que tiveram algum tipo de “depressão” ou descontentamento (muito piores do que os que relatei) ao adentrar ao “maravilhoso mundo da Unesp”. Todos nós temos um lugar dentro da nossa mente, que contém uma espécie de mundo proveniente de lembranças de tempos mais felizes (que jamais esquecemos) e que, infelizmente, não conseguimos trazê-los à tona novamente. No entanto, ao adentramos em um ambiente novo (no caso, a universidade), sempre existe uma certa esperança de poder, pelo menos, tentar recriar esse mundo feliz (que tanto nos deixou saudade). O fracasso dessa tentativa é que nos torna tão tristes, tão desanimados e, por que não dizer, tão intolerantes. Demora um pouco para se acostumar com algum novo lugar, com as suas pessoas e com os seus preceitos... Alguns demoram mais para se adequar, outros menos... Um pouco de força de vontade é fundamental para vencer essa dificuldade inicial que, vencida, nos dá um novo tipo de ânimo para continuar... Mas não é fácil... Só Deus sabe como não é fácil...
      “Tentar recriar o nosso mundo, proveniente de lembranças de tempos mais felizes”: bom, o mais próximo que consegui disso, depois que voltei para casa naquela noite, foi ouvir o meu novo Cd dos Stones. O rock, para mim, sempre foi uma boa maneira de se esquecer dos problemas... Pelo menos, enquanto a música estivesse rolando no aparelho de som...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Capítulo 03 - Por quê? Pra quê? - Livro: "A Era do 'Make in Touch' - Os anos Unesp sem censura"


Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Capítulo 03 – Por quê? Pra quê?



Bom, lá estava eu, finalmente, com a fantasia de “Megaman”, todo sorridente e um pouco mais aliviado. Ou seja, os efeitos das 15 miligramas de Buspirona em seu “estado máximo”. Troquei algumas breves palavras com o “bixo” Abraham (que estava com a fantasia do “Yoshi”), com o “bixo” Reynold (trajado de “Tigrão”) e com a “bixete” Dilis (vestida com a fantasia de “pastora”). Os três foram bastante simpáticos comigo. Lembro também de David, com os seus olhos aparecendo logo acima da boca do personagem “Homer” e, o mais curioso, o mesmo segurava uma latinha de refrigerante na mão: afinal, como será que ele fazia para beber, sendo que a boca amarela de seu personagem tapava-lhe completamente os lábios?

De repente, eis que surge o “veterano” Chan, com um pincel e uma lata de tinta guache nas mãos, me dizendo: “Bixo, tira o capacete para eu pintar a sua orelha”. No entanto, August tinha passado tanto durex (para fechar o capacete) que seria impossível retirá-lo na minha cabeça sem estragá-lo. Expliquei para Chan que não tinha como retirar o capacete, pensando comigo mesmo: “Huhuu! Me livrei da tinta na orelha! Que bela ideia August teve em fazer essa fantasia de ‘Megaman’, hein? Como minha vida é maravilhosa! Viva!”. No entanto, para acabar com a minha breve felicidade (maiores detalhes sobre ela no primeiro capítulo), Chan conseguiu arranjar um pincel com um cabo bem mais comprido, que alcançava facilmente o fundo da minha orelha, protegida (aparentemente) no interior da fantasia. E dá-lhe tinta!

Depois de algum tempo, os “veteranos” conduziram os “bixos”, em fila, para a cantina da Unesp. Na verdade, não em fila, mas sim de uma maneira bem cansativa, denominada “elefantinho”, bem parecida com o “aperto de mão secreto do clubinho Banana Split”, dos estúdios Hanna-Barbera (do que esse cara tá falando?). Confesso que invejei a “bixete” Bell que, vestida de “lombada”, apenas ficava deitada no chão, enquanto os outros “bixos”, na cansativa posição de “elefantinho”, tinham a pesarosa tarefa de pular a mesma.

Enquanto a fila seguia o seu caminho, os “veteranos”, pedindo a colaboração dos “bixos”, cantavam os seus engraçados “hinos de guerra do curso”. A “veteranete” Samantha, vendo que eu não cantava, me deu um bronca: “Ei, você é o único ‘bixo’ que não está cantando!”. E não era o caso de eu estar me fazendo de rebelde e ignorando os cantos: na verdade, o capacete de “Megaman”, envolvendo minha cabeça, estava “agindo” como uma espécie de isolante acústico, de modo que era muito difícil ouvir, com clareza, as canções. Então, para deixar Samantha mais calma, comecei a dublar as canções, ou seja, apenas mexia a boca, fingindo que estava cantando.

Chegando à cantina, cada “bixo” teria que fazer uma coreografia diferente, de acordo com o seu personagem. Aí a coisa ficou muito legal, criativa e divertida: foi quando comecei a ver o trote com bons olhos! O único inconveniente foi que eu me encontrava na metade da fila e, infelizmente, não pude ver todas as performances dos “bixos” que estavam na minha frente. Quando chegou a minha vez, estiquei o braço direito para a frente e ergui uma de minhas pernas (tipo saci). Em seguida, saí rodopiando pela cantina como se fosse um peão. Não sei como consegui realizar essa “proeza”, já que sou muito tímido. Quem sabe, a explicação poderia até ser as 15 miligramas de Buspirona. No entanto, até onde eu sei, o medicamento tira apenas a ansiedade (e não a timidez). Para finalizar a minha participação, tive que lutar com John (vestido de “Army Man”). Inesquecível!

Quando todos os “bixos” terminaram de fazer as suas performances, os “veteranos” explicaram os procedimentos do pedágio (para arrecadar dinheiro para as festas do curso) e nos encaminharam até o bar “Ubaiano”. Ainda um pouco receoso, fui conversar com alguns dos “veteranos” (agora não me lembro quem eram), a fim de explicar a minha situação: como eu trabalhava de segunda a sexta, com certeza não poderia estar presente nos pedágios. E eles foram muito simpáticos comigo, entendendo perfeitamente os meus motivos e dizendo que não tinha problema se eu não pudesse comparecer. Depois, comecei a perambular solitário pelo bar, quando alguns “veteranos” do terceiro ano, vendo a minha “solidão”, me chamaram para participar da roda deles (entre eles estava Reg, que eu já conhecia).

Por fim, os efeitos da Buspirona passaram e eu concluí que já tinha condições de dirigir meu carro de volta para a casa (não fui à festa que se desenrolou mais tarde, naquela noite, já que teria que trabalhar no dia seguinte). Quando cheguei ao meu carro, estacionado próximo às salas “cinqüentas”, fui tentar tirar o meu capacete de “Megaman”, pois não queria passar a vergonha de enfrentar o trânsito de Bauru fantasiado (diferente de Marky, que, naquela mesma noite, compareceu ao Habib´s trajado de “Diane dos Santos”). “Pôxa, cara, o que eu fiz de mais? Normal ir fantasiado de ‘Diane dos Santos’ ao Habib´s!”, Marky deve estar dizendo, ao ler essas linhas. Alguns “veteranos”, vendo a minha dificuldade em retirar o capacete da cabeça, vieram me ajudar. Eu agradeci e, finalmente, voltei para casa.

No dia seguinte, terça-feira, ao chegar à Unesp, o “veterano” Nathan, veio me cumprimentar. Diferente do dia anterior (onde ele parecia muito mal humorado), ele estava muito simpático (e assim foi durante todo o tempo que estudei na Unesp). Fiquei feliz com a sua atitude e até pensei comigo: “Nossa! Eu pensei que ele não tinha ido com a minha cara!”. E, assim, toda a minha má impressão, referente aos trotes e “veteranos”, começou, aos poucos, a ir “por água abaixo” (desde o momento das performances dos “bixos” até aquele encontro com Nathan, no segundo dia de aula), de modo que foi inevitável o questionamento: “Então, por quê aquele horrível banho de tinta, no dia da matrícula? Pra quê toda aquela intimidação no ato de vestir as fantasias?”. Ou seja, se a integração entre “bixos” e “veteranos” era algo desejável, qual a finalidade de todas essas coisas desagradáveis, acontecidas anteriormente? Por quê não ir direto à parte criativa e legal de todo o evento, ou seja, o desfile das fantasias? Entendo e considero lamentável o fato de meus “veteranos”, quando “bixos”, talvez terem “sofrido” nas mãos de seus próprios “veteranos”. No entanto, eu e os outros “bixos” do meu ano nada tínhamos a ver com esse fato! Sabe, me lembra aquele caso (muito comum) da criança que, em seus tempos de escola, sofreu Bullying e que, anos mais tarde, volta ao local de seu sofrimento e mata outras crianças que não tiveram nada a ver com os seus problemas do passado. Não sei se resolveu muita coisa mas, no primeiro ano, sempre que foi possível, procurei influenciar o pessoal da minha turma a “pegar leve” com os nossos “bixos” (mas essa é outra história, que relatarei mais para frente).

Mas, nada de ressentimentos e posso dizer, sem exagero, que tive os melhores “veteranos” do mundo. Se, num primeiro momento, acabei odiando os mesmos, em compensação acabaria gostando deles para o resto da vida. Bom, pelo menos, gostaria depois daquele terrível acontecimento na república Vinoma...



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Capítulo 02 – 15 Miligramas - Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Agradecimentos especiais aos amigos Antônio Neto e Henrique Ferraresso pela pequena (mas importante) ajuda referente à produção do presente capítulo. Muito Obrigado!

 Capítulo 02 – Quinze Miligramas

 
            Buspirona: qual a dosagem máxima permitida por dia? Consultei a bula do medicamento e verifiquei que eram 15 miligramas. Perfeito: 15 miligramas para eliminar o estado de ansiedade e enfrentar os trotes do primeiro dia de aula numa boa. Naquela época, eu utilizava, no meu tratamento para ansiedade, 5 miligramas por dia, quantidade suficiente para me acalmar os ânimos. Com 15 miligramas, certamente me tornaria uma rocha inabalável. Assim, logo que terminou o meu expediente na empresa de autopeças, tomei as minhas 15 miligramas de Buspirona, calculando de antemão o tempo que a droga faria efeito, ou seja, eu teria tempo suficiente para dirigir meu carro até a Unesp antes de ficar “grogue”. E também poderia voltar para casa tranquilamente após os trotes, já que o efeito da droga, àquela altura, já estaria totalmente amenizado. Sim, eu lia todas as bulas dos remédios que eu tomava e tinha consciência total dos seus efeitos (meninão responsável, hein?).
            Por fim, chegando à Unesp, estacionei meu carro nas vagas localizadas próximas às salas “cinquentas” Foi uma coincidência, pois eu não sabia que as salas “de papelão” eram pertencentes ao Curso de Desenho Industrial. Tirei minha roupa de trabalho e me vesti com uma roupa bem vagabunda (no dia da matrícula, inclusive, eu tinha perdido a minha camisa preferida dos Ramones no maldito banho de tinta; assim, mudei as vestimentas para evitar algo semelhante). Só me esqueci de colocar algum tipo de tênis velho no pé (estava trajando um All Star novinho). Que saco! Sempre esqueço de alguma coisa!
            Depois de trocar as roupas, ao descer do carro, avistei August saindo detrás das salas “de papelão” (onde eu e os outros “bixos” iríamos, com certeza, passar por um “papelão”). Ele foi simpático como sempre, apenas um pouco mais “durão” (afinal, ele era meu “veterano”). Nos dirigimos para o pátio das “cinquentas” e eu entrei em uma fila de “bixos”, enquanto August foi dar os últimos retoques em minha fantasia (além de ir preparar uma plaquinha com o nome do meu personagem). Tentei cumprimentar o “bixo” que estava logo na minha frente (que seria um dos meus grandes amigos), mas ele apenas me olhou com desdém, como se quisesse me dizer “Tá pensando que é gente, seu imbecil?”. Já que a Buspirona, àquela altura, já estava começando a fazer o seu efeito, acabei não me sentindo (muito) mal com a atitude de meu futuro amigo.
            Uma “veteranete” passou recolhendo, de cada “bixo”, um “pé” de cada tênis (um dos “pés” de meu All Star foi embora) e, logo em seguida, outra “veteranete”, a Diana Pier, colocou em meu pescoço uma plaquinha com a indicação “Bixo Smurf”. Eu devia estar um pouco perdido em relação ao evento, visto que nem procurei protestar, tipo “Ei, eu já tenho dono, eu sou o ‘bixo’ de August, ele me ligou ontem, nós já combinamos, etc...”. Por falar em August, não entendia o porquê da sua demora com a minha fantasia.
            Todavia, eis que surge, do nada, o “veterano” Nathan, com um semblante de mau. Nathan olhou pra mim e disse que eu seria o seu “bixo”. Pensei: “Ah, com certeza ele fez a fantasia de Smurf em parceria com aquela moça bonita que, agora há pouco, colocou a plaquinha no meu pescoço; mas, aos diabos, onde se meteu August?”. Nathan, então, pediu que eu o acompanhasse até o banheiro. Ele parecia tão mal-humorado que eu imaginei que ele não tinha ido com a minha cara. Até pensei em dizer: “Ei cara, veja bem, eu sei que eu pareço um idiota à primeira vista, mas na verdade eu sou bem legal... Sério! O pessoal do cursinho do Objetivo me adorava, não conheci uma pessoa neste mundo (e olha que esse mundo é grande, hein?) que não gostasse de mim depois de me conhecer melhor, e...”. Por fim, acabei não dizendo nada, mas, “sem ressentimentos de minha parte”: 15 miligramas de Buspirona, o efeito já era de uma névoa ao redor de mim, que me protegia de todo o mal (nossa, “mó Xuxa” isso!)”. Então, quando chegamos ao banheiro, ele finalmente viu a minha placa “bixo Smurf”. “Porra, bixo, você já está com placa? Por que não me avisou?”. E eu (15 miligramas), tipo “Nossa cara, não esquenta com isso, vamos passar um corretivo nessa placa, coloca o nome do seu personagem aqui, posso ser seu bixo e... Porra, onde está August?”. Então Nathan me levou de volta à fila dos “Bixos” e foi procurar outro que já não tivesse dono. A fantasia que ele tinha confeccionado era a do “Seu Boneco” e seria Hughes quem a usaria, a partir de então. Bom, se August não voltasse a tempo, pelo menos eu seria “bixo” de Diana Pier, a moça bonita (e, aparentemente, mais “boazinha” que Nathan).
            Todavia, August finalmente apareceu e foi, tipo “Mas que porra de placa é essa no seu pescoço?”. E eu (15 miligramas): “É a placa do ‘bixo’ Smurf, cara!”. “’Bixo’ Smurf é o C..., você vai ser o ‘bixo” Megaman, a partir de agora”. Em seguida, August retirou a placa com a indicação “Bixo Smurf” do meu pescoço e a colocou no pescoço de Richard (que estava ali por perto).
            Quando eu e os outros “bixos” entramos em uma das salas “cinqüentas”, eu já carregava comigo a plaquinha “bixo Megaman”. Por fim, August trouxe a minha respectiva fantasia, que consistia em um capacete azulado e uma espécie de “bazuca de mão”. Trouxe, também, tinta guache da cor azul, que usaria para pintar o meu corpo. Quando comecei a me trajar, finalmente “saquei” (15 miligramas) qual seria o meu personagem: “Ah, agora entendi, aquele carinha azul da Nintendo, daqueles chatíssimos jogos de plataforma, onde se enfrentava uns outros carinhas de armadura, não é mesmo?”. Os fãs que me desculpem, mas eu nunca tive paciência de jogar os “games” do Megaman. No entanto, nada tenho contra o personagem em questão e, inclusive, achei que a fantasia confeccionada por August ficou realmente muito boa. Mas prefiro jogar “Pong” do que jogar “Megaman” (não que eu seja um cara velho).
            Mas, por fim, confesso não estava achando as coisas nem um pouco animadoras naqueles primeiros contatos com os trotes da Unesp. Em minha modesta opinião (como já comentei), eu entendia que a animosidade entre “bixos” e “veteranos”, a partir das minhas lembranças do final da década de 80, não havia mudado praticamente nada. Todos os acontecimentos desagradáveis, referentes ao trote, eram assustadores para mim, que tinha problemas de ansiedade. Mas as coisas estavam prestes a mudar!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Capítulo 01 – A Má “trícula” - Livro: "A Era do ‘Make in Touch' – Os anos Unesp sem censura"

Capítulo 01 – A Má “trícula”



            Hoje eu estou, realmente, muito feliz! Talvez não devesse: nenhum acontecimento especial, mas ainda assim estou me sentindo bem! Quando isso acontece, geralmente duas conclusões surgem em minha mente: ou alguma coisa está errada comigo (felicidade suprema no planeta Terra?) ou admito que é o momento certo de aproveitar ao máximo esse estado de graça, antes que algo de ruim aconteça. Hoje eu fico com a segunda opção, me baseando naquele famoso ditado que diz que tudo o que é bom dura pouco.
            No entanto, há mais ou menos dois meses atrás, uma outra ideia diferente, a respeito da felicidade, surgiu para me animar: “A felicidade não tem morada fixa, então temos que seguir a mesma, para onde ela for”. Assim, como os acontecimentos não estavam tão animadores aqui em Bauru, eu e Cyrinda concluímos que a felicidade poderia estar na grande cidade de Curitiba, com suas ruas verdes e seus bosques acolhedores. Então resolvemos seguir a mesma, ainda que a felicidade não pudesse ser considerada aquele tipo de amiga fiel para com os seus seguidores. Na verdade, ela é ingrata, injusta e, muitas vezes, falsa... Ah, que horrível aquela falsa felicidade, que nos gera falsas esperanças! Em outras ocasiões diferentes, ela entra em nossa vida sorrateiramente, de maneira que não conseguimos perceber a sua presença. Quando ela finalmente vai embora (como sempre), pronunciamos outro ditado popular muito comum: “eu era feliz e não sabia!”. A tristeza é algo desagradável, no entanto é mais honesta e muito mais fiel que a felicidade. Mas por que estou a divagar tanto? Por que não ir direto ao assunto e falar do início dos preparativos da viagem até Curitiba? Não sei, só posso dizer que, ao iniciar essa narrativa, acabo de digitar quase metade de uma página em apenas 10 segundos. E fiquei muito feliz de começar o livro de maneira tão rápida. Assim, devo admitir que a felicidade pode surgir até mesmo em algo comum e banal, como a rapidez do fluxo de ideias e a sua posterior digitação. E, nesse ínterim, acabo de encontrar algo comum entre a tristeza e a felicidade: ambas podem se manifestar a partir de coisas banais.
            Pois é, bem que eu tentei difamar a felicidade nas linhas anteriores, mas, no final das contas, sou obrigado a concluir que ela ainda é muito melhor que a tristeza: ficar triste por banalidades é ridículo, mas ficar feliz com banalidades talvez seja algo sublime. Se o caro leitor está achando esse início um pouco confuso, então vou resumir o que de mais importante eu disse até aqui: o importante é ser feliz (ou pelo menos tentar). Então, “seja feliz e cale a boca!”.
            Marquei com Cyrinda um local, na rodoviária, para nos encontrarmos: perto do boneco “Bauruzinho”. E foi inevitável a lembrança dos meus anos de Unesp e seus acontecimentos marcantes, a partir da visão daquele boneco que causou tanta polêmica no nosso meio acadêmico. Muitas e muitas recordações vieram (ou melhor, voltaram à tona), referentes àqueles anos felizes (sem o “glamour” dos velhos tempos, é verdade, mas ainda assim muito divertidos). Bom, enquanto eu e Cyrinda organizamos os preparativos para a viagem, aproveito para relatar, aqui, as lembranças desse tempo tão feliz, que jamais irá voltar. Aproveito, também, para enxugar as lágrimas (não que eu seja um cara exagerado).
            A minha história na Unesp (e também a história de meus colegas de classe) começou em 2005, quando ingressei na referida universidade, após vários anos de tentativas frustradas no vestibular. Epa, mas peraí! Pensando melhor, posso dizer que a história que irei relatar se iniciou mesmo em 2004, quando os nossos “veteranos” iniciaram o curso (Desenho Industrial ou Design): afinal, os mesmos não deixam de ser personagens (principais e importantes) nos acontecimentos que aqui serão comentados. É aquela velha história, do tipo “seriado”, que já comentei em outras publicações (ah não, você vai falar disso de novo?): a “primeira temporada da série” começou em 2004, onde os personagens principais eram os nossos veteranos (que eram “bixos”, na referida época); na “segunda temporada da série” em 2005, os personagens da minha classe finalmente entraram no seriado (como “bixos”); em seguida, “na temporada de 2006”, se tornaram “veteranos” e vieram novos “bixos”... E assim por diante, até o final dos tempos (ou até as nossas “classes de papelão”, as famosas “cinqüentas”, desabarem por falta de melhores cuidados e o curso vier a ser extinto pelo referido motivo).
            Obviamente, iniciarei a narrativa a partir da temporada em que vivi, ou seja, a de 2005, já que não tenho ideia do que aconteceu antes do referido período... Mas... Veja bem, eu poderia tentar perguntar para o meu amigo Marky o que aconteceu em 2004, mesmo ele tendo ingressado na faculdade em 2005, juntamente com a minha turma... Afinal, já que ele nasceu por volta de 1984 e se lembra perfeitamente da Copa de 1982 (ou seja, nem era vivo ainda), recordar o que aconteceu em 2004, para ele, seria muito mais fácil... Grande Marky!
            Então vamos lá... Como se estivéssemos numa máquina do tempo, vamos recordar o que aconteceu... E o que não aconteceu... E o que poderia ter acontecido...

           
            No início de 2005, em um tradicional salão de cabeleireiro, localizado no centro de Bauru, o professor Mitsu esperava tranquilamente a sua vez de cortar o cabelo quando Gilbert, dono do salão, comenta:
            _ Seu aluno do curso particular de desenho, o Billy, apareceu por aqui semana passada, para cortar o cabelo e arrumar o seu topete estilo “Elvis Presley”!
            O professor Mitsu, indignado, comentou logo em seguida:
            _ Ah, que grande besteira ele fez! A lista de aprovados de Desenho Industrial saiu ontem, e eu vi que ele estava incluído nela! Ele jogou fora o dinheiro do corte de cabelo!
            Pois bem, dias depois eu apareci no salão de Gilbert com o cabelo todo “pitimbado” (que Diana Fish, Hamil e outros amigos de trabalho me fizeram o favor de estragar) e, com cara de besta, disse:
            _ Pois é, Gilbert, pode raspar meu cabelo: o seu belo trabalho no meu topete já era, passei no vestibular!
            O legal foi que Gilbert (por dó) não cobrou para fazer o serviço. Mas confesso que me senti muito mal em ter que me desfazer do meu topete e ficar careca... Só não chorei (como a Carolina Dickman da novela) por motivos de força maior (vergonha)...
            Passaram-se alguns dias e chegou, finalmente, a data da matrícula. Imaginei que os “veteranos” iriam dar aos “bixos” uma bela “pintada” (no bom sentido), utilizando as famosas tintas guache de segunda categoria. No entanto, o que acabamos recebendo foi, na verdade, um verdadeiro banho de tinta. Pois é, concluí, a partir dessa atitude exagerada, que as relações de animosidade (entre “bixos” e “veteranos”) não haviam mudado tanto desde os meus tempos de colegial (sim, quem passava da 8ª série para o primeiro colegial, na década de 80, tinha a cabeça raspada). “Que merda!”, pensei comigo mesmo. Ou seja, até o dia da libertação dos “bixos”, teríamos que nos sujeitar a ouvir, calados, as grosserias dos “veteranos”, aguentar as brincadeiras tontas (medir um prédio utilizando palitos de fósforo, matar formiga no grito e outras babaquices) e (o pior e mais vergonhoso): quando nos tornássemos “veteranos”, esquecer de todas as afrontas recebidas e cometer as mesmas atrocidades com os nossos “bixos”. Resumindo: fazer tudo o que estava contra os meus princípios...
            Bom, o que realmente salvou o dia da matrícula foi poder ter uma ideia das pessoas com quem eu conviveria nos meus próximos anos de Unesp, inclusive alguns que eu já conhecia (John e Marky, por exemplo). Também conheci Lydia que, por ser um pouco mais velha, enganou os “veteranos”, dizendo que estava fazendo a matrícula para alguém, por procuração. Mas a pessoa que estava fazendo o processo da matrícula (cara chato do inferno) revelou toda a mentira e Lydia não escapou do banho de tinta. Pobre Lydia!
            Quando chegou a véspera do início das aulas, meu grande amigo August Richard me telefonou (ele era um dos meus veteranos) para avisar que havia confeccionado um bela fantasia (azul) para mim. Eu utilizaria a mesma no “primeiro dia de aula”, ou seja, eu seria o “bixo” que August iria trajar. Alguns esclarecimentos (para os leitores que não estudaram na Unesp): no primeiro dia, existe uma comemoração realizada pelos “veteranos” de Desenho Industrial, um misto de trote com baile a fantasia, onde cada “bixo” utiliza uma traje diferente. Apesar dos elogios que eu havia ouvido, referentes à tradicional comemoração, aquele horrível banho de tinta (recebido na matrícula) ainda estava em minha lembrança, de modo que eu não tinha boas expectativas em relação ao referido evento. Ainda mais que August, pelo telefone, me alertou: “vá na comemoração com a sua roupa mais velha e com o seu tênis mais vagabundo”. No dia seguinte, eu realmente faria o que ele pediu, em relação à roupa. Mas, infelizmente, me esqueci do detalhe referente ao tênis vagabundo...