sábado, 18 de junho de 2016

Capítulo 9 – Esteja onde eu estiver - Livro: Triste ao sonhar com os anjos

INTRODUÇÃO (Leia, muito importante):

            Em primeiro lugar, muito obrigado pelos acessos, que já estão passando de... Nossa, já perdi a conta... Muito obrigado (mesmo) pelo carinho!

          Muitas pessoas estão com "medo" do Blog, imaginando que, em minhas narrativas reais, eu possa estar citando algum fato constrangedor a respeito das mesmas (afinal, quase todos os meus amigos são personagens). No entanto, mesmo se eu citasse algo de ruim, todos os personagens estão com pseudônimos, ou seja, com a identidade preservada. Mas aceito opiniões e críticas, caso ocorra algum problema.

            O Blog "Grass Valley Memorial" tem como seu principal objetivo a publicação de obras pessoais e de amigos.
            A terceira obra a ser publicada no presente blog é "Triste ao sonhar como os anjos’", de minha autoria. A mesma está em processo de produção. A narrativa apresentada no livro é 100% real e, portanto, os nomes verdadeiros dos personagens foram substituídos por pseudônimos, no intuito de preservar os mesmos.
            Qualquer blog que se preze só se mantém ativo através da postagem de comentários (opiniões, críticas, etc) das pessoas que acessaram o mesmo; quando não ocorre a referida participação, a tendência é que o proprietário do blog (neste caso, eu mesmo) não se sinta mais motivado em manter o mesmo em atividade.
            Portanto, não deixem de postar a sua opinião, mesmo que você não seja (ainda) personagem participante dos livros apresentados. E se você já escreveu algum livro e tiver vontade de publicá-lo neste modesto blog, não hesite em pedir. Será uma honra! Bom divertimento a todos.

Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Capítulo 9 – Esteja onde eu estiver


            Passaram-se os anos e fui vendo cada vez menos Pam e Lang, até que chegou uma época em que o paradeiro dos dois se tornou desconhecido.
           Isso até que encontrei Lang novamente em meados dos anos 2000, no ônibus, e pudemos recordar juntos os bons momentos que vivemos com a nossa velha turma. Lang disse que foi a melhor época de sua vida, concordando com a mesma opinião que eu tinha a respeito de nosso passado. Depois desse encontro, não vi mais Lang, mas recebi notícias dele por intermédio de outras pessoas: ele trabalhava comprando roupas em São Paulo, depois revendia em outras localidades.
         Por volta de 2013, vi Pam em um escritório que vendia planos de saúde e que fornecia guias médicas para seus associados. Eu já sabia, por intermédio de Cindy, que Pam era casada e que tinha um filho. Não sei se ela me viu e, como eu estava com pressa, não tive a oportunidade de conversar com ela. Na ocasião, também não soube o porquê dela estar naquele escritório, provavelmente adquirindo uma guia médica, como pude constatar da pior forma, no futuro.
            Nessa mesma época, Vicky postou em sua rede social que estava no hospital e precisaria fazer uma cirurgia: estava com pedras na vesícula. Fiquei consternado quando vi a postagem e, sem pensar muito, mandei uma mensagem a ela perguntando como ela estava. Ela respondeu, dizendo que estava tranqüila e que eu não ficasse preocupado, pois era uma cirurgia simples.
            No meio de todos esses fatos, eu já estava trabalhando, na época, em uma assessoria de cobrança e, finalmente, em agosto de 2013, entrei de férias. As férias começaram tranqüilas, Vicky já havia feito a cirurgia e estava bem, mas Cindy me mandou uma mensagem desoladora, dizendo que Pam havia feito uma cirurgia, também na vesícula, porém não tinha sobrevivido. Lembrei na hora da ocasião em que vi Pam, pela última vez, no escritório de planos médicos (com certeza, estava cuidando da documentação referente à cirurgia).
           Depois de dois dias, após a mensagem de Cindy sobre a morte de Pam, algo ruim aconteceu comigo: minha narina direita e meu ouvido direito ficaram obstruídos, de modo que minha face direita ficou totalmente paralisada. Vicky e Pam, as duas garotas que eu mais amei, fizeram a mesma cirurgia e só uma delas sobreviveu: aquela ideia era aterradora. Assim, caí doente. Outro fato que me deixou ainda mais desconcertado foi lembrar que minha amiga Cyrinda também precisaria fazer uma cirurgia na vesícula. Temi pela vida dela, já que o seu plano de saúde estava demorando para marcar a cirurgia.
            Era um sábado e, desesperado, resolvi ir ao pronto socorro. Mas estava tão nervoso que o médico me deu apenas um calmante e nem se preocupou em analisar o problema mais grave, que era a minha paralisia. Ao chegar em casa, pensei em ligar para Cyrinda, para alertá-la da necessidade em fazer a cirurgia o mais rápido o possível. Mas como eu diria a ela que Pam morreu, sem deixá-la assustada? Então resolvi ligar para Carl e Bibi.
            Quando Carl atendeu o telefone, deve ter estranhado o meu desespero, visto que há uma semana atrás nós dois havíamos nos encontrado para comprar e fazer nossas prateleiras para carrinhos em miniatura. E estávamos muito felizes na ocasião. Contei para Carl que eu estava entrando em depressão e que precisaríamos, com urgência, falar para Cyrinda tentar agilizar a cirurgia da vesícula. Carl pediu para que eu me acalmasse, pois ele mesmo conversaria com Cyrinda assim que tivesse oportunidade.
        Na segunda, resolvi marcar uma consulta com uma otorrinolaringologista e foi constatado pela médica que eu estava com uma rinite muito acentuada. No mesmo dia, comprei os remédios e comecei o tratamento, de modo que os sintomas começaram a melhorar com os dias. Somente a depressão não estava melhorando. Eu estava lembrando muito do passado, do passado feliz, e lamentando o fato dele não voltar nunca mais.
            No final das férias, eu já estava completamente curado da rinite e a depressão já havia diminuído bastante a sua intensidade, apesar de ainda sofrer com a morte de Pam. Me lembrei de um cartão que ela me deu de aniversário, onde ela escreveu uma mensagem que nunca entendi direito. Resolvi consultar o cartão, depois de muito tempo, e finalmente entendi o que Pam quis dizer. Estava escrito assim: “Esteja onde eu estiver, eu sempre vou te adorar”.
            Depois de algum tempo, Cyrinda conseguiu fazer a cirurgia e tudo correu bem, para a felicidade de todos. E, em uma noite especial, mais ou menos na mesma época, sonhei com Lang e Pam, sonho onde pude conversar com os dois e dizer o quanto gostava deles. Ao acordar e constatar que tudo não passou de um sonho, fiquei triste. Muito triste. Triste ao sonhar com os anjos.

sábado, 11 de junho de 2016

Capítulo 8 – No colo de uma garota... - Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Capítulo 8 – No colo de uma garota...

            Passaram-se vários meses e o ano de 1995 finalmente chegou, trazendo consigo Pam para perto de mim novamente. Meus laços com Pam e Cindy haviam se estreitado, e agora estávamos sempre juntos. Jim também estava sempre com a gente, e sua rivalidade comigo, pela atenção de Pam, aumentava a cada dia.
            Certa vez, numa tarde ensolarada, estava sozinho no Grass Valley quando Jim chegou carregando um disco de vinil debaixo do braço: era um acústico do Nirvana, que havia sido lançado fazia pouco tempo. Fiquei empolgado em poder ouvir o novo disco e Jim me convidou para realizar referido o procedimento em seu quarto. Quando estávamos no portão de sua casa, Pam e Cindy chegaram e convidamos as mesmas para ouvir o disco com a gente. Um outro amigo nosso, o Alm, chegou um tempo depois.
            Eu e Jim gostamos bastante do acústico, mas Pam queria ouvir algumas músicas mais românticas, para poder dançar. Jim, então, trocou o disco: colocou aquele do Guns em que a capa tem um monte de espaguete espalhado. Ao som da primeira canção do disco, tive a oportunidade de dançar com Pam e Cindy. Em um dado momento, Pam se sentou na cama e pediu para que eu me sentasse no colo dela. Achei estranho, mas fiz o que ela pediu. Ficamos um tempo abraçados, nessa posição e, depois, me sentei na cama e comecei a beijá-la nos lábios. Aquilo era uma grande realização de um momento especial, de modo que nem me veio no pensamento que um dia tudo aquilo iria acabar.
            Eu poderia terminar a narrativa aqui, estabelecendo um final feliz para a mesma, mas prefiro me atentar aos fatos que aconteceram muitos anos depois e não me desviar da verdade, por mais dolorosa que ela seja.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Capítulo 7 – Acabando com o valentão - Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Capítulo 7 – Acabando com o valentão


            Andávamos pelas ruas do Grass Valley (eu, Paul, Jim e Lucy) quando soubemos que Lang havia sido avistado na região. Passado alguns dias, pudemos constatar que nosso amigo realmente havia retornado. A partir daí, nossa amizade voltou com força total.
            Lang, agora reconciliado com a família, estava mais louco do que nunca. Por essa época, ele se apaixonou por Ivy, uma garota que conhecíamos de vista, mas o romance não se desenrolou e Lang acabou esquecendo a mesma rapidamente. Outro fato digno de nota era quando eu acompanhava Lang nas suas idas à “feira do rolo”, onde o mesmo aproveitava a ocasião para trocar peças de bicicleta com os “rolistas” ali presentes.
            Lang era forte e poderia ganhar qualquer briga facilmente, apesar de não ser um cara violento. Porém, quando o inimigo era o valentão Celeste, este intimidava Lang facilmente, por motivos que não sei explicar (já que os dois tinham praticamente o mesmo tamanho e força). Mas Lang resolveu, certa vez, acabar com a valentia de Celeste. Lang era o mais novo de três irmãos, mas tinha uma irmã mais nova que ele também. Um dos irmãos de Lang, o Yano, era o irmão do meio e era muito bom de briga. Lang pediu para o seu referido irmão ficar escondido atrás de uma árvore, enquanto ele provocava Celeste, que vinha se aproximando. Quando Celeste foi agredir Lang, Yano apareceu, de punhos fechados, pronto para a briga. Celeste ficou desesperado, quase chorou mas, para sua sorte, um vizinho que por ali estava não deixou Yano bater em Celeste. Após esse fato, não me lembro de ter visto Celeste mexer com Lang novamente.

            Fiquei sem ver Pam por um tempo. Quando consegui vê-la novamente, foi numa situação muito dolorosa para mim: ela estava ficando com outro garoto, nas proximidades da igreja. Walter e eu estávamos passando por lá e vimos Pam com o outro rapaz. Algum tempo depois, ela acabou ficando com Jim, na igreja mesmo, mas por essa época eu estava aceitando o fato de que Pam, talvez, nunca pudesse ser só minha e acabei não ligando muito para a situação. Porém, o que eu não sabia era que, tempos mais tarde, existiria uma rivalidade muito forte entre eu e Jim em relação ao que sentíamos por Pam. O fato de Jim ter ficado com Pam naquela ocasião foi o início de tudo.

domingo, 21 de junho de 2015

Capítulo 6 - Palhaçadas - Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Capítulo 6 - Palhaçadas


             Lang partiu, mas suas “aprontadas” ficaram gravadas em nossa mente. São tantos fatos que receio me esquecer de algum, mas vou tentar narrar tudo o que lembro, aos poucos.
            Certa vez, Lang resolveu ser uma espécie de “montador” em cavalos, como Paul já era. Paul possuía os apetrechos necessários (como a sela de montaria), ao contrário de Lang, que nada tinha. Assim, Lang montava direto nas próprias costas dos cavalos, “no pêlo”, sem sela nenhuma. Suas primeiras tentativas de montaria até que tiveram um certo êxito: Lang montava, o cavalo dava algumas voltas e, quando se cansava, nosso amigo descia sem problemas das costas do animal. Isso até o dia em que um dos cavalos “disparou”, com Lang em suas costas. Gritando em desespero (“peloamordedeus”, “peloamordedeus”), Lang só foi descer do cavalo quando este trombou em um portão. Por sorte, ninguém se machucou (nem o cavalo, nem Lang). Mas foi sua última tentativa de montaria.
            Lang brincava e “tirava sarro” de todo mundo, mas se deu mal duas vezes ao fazer isso com nosso amigo Chad. A primeira vez foi quando os garotos resolveram empinar suas pipas e Lang, com seu “Cerol”, cortou a linha de Chad, na frente da avó do mesmo. A velhinha ficou possessa e Lang teve que ouvir uma “enorme bronca”.  Na segunda vez, Lang pegou a bola de futebol de Chad e chutou atrás do muro da igreja, onde havia alguns cães ferozes. Enquanto isso, outro amigo nosso, o Wand, aproveitava para imitar a voz da avó de Chad: “O que é que você quer com o Chad? O Chad não está aqui, o Chad morreu!”. Chad ficou furioso com Lang e Wand: correu para sua casa, para avisar os seus familiares que os dois estavam mexendo com ele. Wand aproveitou esse meio tempo para ir embora, pois não queria ouvir os xingos da família de Chad. Lang resolveu ficar e ver o que iria acontecer. Em poucos instantes, foi possível visualizar, virando a esquina, quase a família inteira de Chad: sua mãe, sua avó, seu tio, suas tias... Lang viu que a coisa ficaria feia e, assim que toda a gangue chegou perto dele, já tirou do bolso algumas notas e disse que estava disposto a pagar a bola perdida. O tio de Chad não aceitou, dizendo que jogaria Lang do outro lado do muro, com os cães, se o mesmo não fosse buscar, de livre e espontânea vontade, a bola original. Lang não conseguiu pular o muro (e enfrentar os cachorros). Assim, teve que dar a Chad uma bola de futebol que lhe pertencia.
            Em outra ocasião, Lang entrou em uma discussão durante um jogo de futebol. O cara chato com quem ele discutia não me lembro ao certo, mas o mesmo conseguiu tirar a paciência de Lang. Em um dado momento da discussão, Lang tirou sua própria camisa, ateou fogo na mesma e correu atrás do infeliz, que teve que fugir para não ser “queimado vivo”.
            Os mergulhos na poça d´água (existente no centro do campo de futebol) também se tornaram célebres: Lang tomava distância, vinha correndo e mergulhava de barriga na água imunda. Ele parecia ficar contente quando a bola era chutada na lama, pois era mais uma chance dele dar um bom mergulho, enquanto nosso amigo Cearense Bud protestava: “Não faça isso menino, essa água suja entra no seu pênis e te contamina”. Mas o aviso era em vão, Lang não se intimidava e não tinha medo nenhum de pegar alguma doença (e, por sorte, nunca pegou).
            Falando ainda em futebol, Lang dava duro durante os jogos, transpirava muito, de modo que sua camisa ficava totalmente fétida. Ao final dos jogos, Lang corria atrás dos meninos menores que ficavam lhe provocando e esfregava sua camisa na cara dos mesmos.  “É nitroglicerina pura”, dizia ele. Ou, ao invés disso, pegava aqueles coquinhos melados (que dava nos coqueiros, não me lembro ao certo a sua denominação) e esfregava na cabeça dos menores provocadores, dizendo que era shampoo.
            Lang, realmente, era o rei das “aprontações”, mas não era o único. Lumium, outro amigo nosso, também aprontava bastante. Sua vítima constante era o nosso amigo peso pesado Dudley. Certa vez, o pobre Dudley está sentado na calçada, quando Lumium ajeitou uma bola de futebol na direção do garoto e a chutou direto no seu rosto. Dudley queria acabar com Lumium, que teve de correr para não apanhar (Dudley era muito forte). Mas o caso mais célebre foi quando os dois combinaram de cada um ficar em uma esquina e, em dado momento, virem correndo um na direção do outro (Lumium de bicicleta, Dudley com todo o seu peso) de modo que, no final, tudo resultasse em uma grande “trombada”. Dudley levou uma pancada no joelho, proveniente do pneu dianteiro da bicicleta, enquanto Lumium acabou sendo lançado da mesma, ganhando alguns arranhões.
            Em um mundo onde impera a tristeza e a maldade, é muito bom aproveitar os momentos com os amigos para dar boas risadas. São fatos que ficam para sempre em nossa mente, e não é difícil, mesmo com o passar do tempo, lembrarmos novamente das “aprontações” e ainda acharmos graça de tudo aquilo que aconteceu. 

sábado, 7 de março de 2015

Capítulo 5 - Quando a felicidade se transforma em tristeza - Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Capítulo 5 - Quando a felicidade se transforma em tristeza



            Não era apenas com Pam e Cindy que eu me estava envolvendo, por essa época. Uma outra garota, chamada Lisa, estava se tornando minha amiga. Ela, que tinha uma amizade fortíssima com Pam, acabou cortando relações com a mesma, por motivos que desconheço.  Lisa era baixa, magra e tinha cabelos negros e compridos. Era um pouco sistemática e impaciente (inclusive, acredito que foi esse o motivo do desentendimento dela com Pam). Em certa ocasião, fiquei sabendo (por intermédio de alguém) que Lisa estava apaixonada por mim.
            Deve ter sido, com muito pesar, que Lisa contemplou uma terrível visão (para ela): eu e Pam nos beijando, na sala da casa de Paul. Estava ocorrendo uma festa naquela noite, e foi a oportunidade perfeita de eu poder ficar com Pam. Aquilo, com certeza, abalou a minha amizade com Lisa. Se, pelo menos, eu estivesse com alguma outra garota que não fosse Pam! Mas o destino quis que eu beijasse a menina que Lisa mais tinha rancor.
            A festa, aparentemente, estava animada. A única coisa estranha era que Lang ainda não havia comparecido ao local. Durante essa época, Lang não fazia outra coisa senão ficar atormentando as garotas com suas brincadeiras. Eu achava muito engraçado, mas as meninas não gostavam nenhum pouco. Lang utilizava o adjetivo “gostosa” regularmente e frases do tipo “está chovendo na minha hortinha”. Certa vez, Lang ficou provocando Pam até que a mesma perdesse a paciência e corresse atrás dele, enquanto ele gritava “pare, isto não está na constituição”.
            No decorrer da festa, Adam Ball, bastante abatido, finalmente nos esclareceu tudo a respeito de Lang: ele havia se desentendido com seu pai e havia sido expulso de casa. Foi horrível receber aquela notícia! Jim e eu ficamos transtornados! Lang era um cara louco, mas por outro lado era legal, irreverente, engraçado... Enfim, tinha seus defeitos, mas era um grande amigo. Alguns minutos mais tarde, ele acabou aparecendo na festa para se despedir. Fiz questão de acompanhar Lang até o ponto de ônibus. Ele disse que passaria a noite na casa de um parente. Na manhã seguinte, partiria para a cidade de Americana, talvez para nunca mais voltar.
            Depois que Lang tomou o ônibus, voltei sozinho para a casa de Paul. Já passava das 21h e, contemplando a escuridão da noite, pude averiguar como as nossas felicidades são substituídas facilmente pelas tristezas, de uma hora para a outra. Apesar de magoar Lisa, foi um momento bastante especial ter ficado com Pam naquela noite, uma felicidade substituída, posteriormente, pela tristeza de perder o amigo Lang. A intensidade da tristeza, muitas vezes, ultrapassa facilmente a intensidade da alegria (como no presente caso).


            Adam Ball, por sua vez, foi muito mais lesado pelas circunstâncias do que eu: além da perda de Lang, não conseguiu se aproximar de Sandy, pois a mesma estava sendo vigiada pelas irmãs July e Clau (a pedido da mãe de Sandy).

domingo, 25 de janeiro de 2015

Capítulo 4 – Momento Mágico - Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Capítulo 4 – Momento Mágico


             Uma dúvida me ocorreu, quando eu estava com meus dezoito anos: eu seria capaz de satisfazer uma mulher? Era muito, mas muito fácil me apaixonar por alguma garota, mas será que eu seria capaz de fazer alguma se apaixonar por mim também? A respeito dessa dúvida, na minha lembrança, eu sempre visualizava Vicky: a garota loira e bonita que não levava nada a sério, que fazia brincadeira com tudo e que falava o que bem entendia, sem o menor remorso. Qual seria sua reação se eu lhe contasse que eu era apaixonado por ela? Será que ela levaria a sério? Será que eu teria a capacidade de satisfazê-la no amor? Um fato bastante corriqueiro sobre Vicky é que ela sempre lavava os seus lindos cabelos antes de ir para a aula e, quando sentava perto de mim, no intuito de arrumar as sua franjas, balançava a cabeça de maneira que os seus cabelos batiam levemente em meu rosto.  Assim, eu podia sentir aquele perfume maravilhoso, que dela provinha, invadir as minhas narinas. Ela nunca percebia que suas madeixas atingiam em cheio o meu rosto ou, quem sabe, fingia não perceber. Enfim, eu não conseguia visualizar uma chance de romance com Vicky, pelos motivos que eu citei. Porém, com Cindy e com Pam, as chances pareciam mais prováveis.
            Cindy era a melhor amiga de Pam e, da mesma forma que ela, apresentava uma beleza descomunal: era um pouco mais baixa que Pam, tinha um corpo ao mesmo tempo forte e escultural, cintura fina e cabelos loiros. Lembrava Vicky. Conheci Cindy em uma festa que fizemos em minha casa, uma espécie de “brincote”, realizada alguns dias depois do “Concerto Death” em que as meninas compareceram. Ao som de algumas baladas mais lentas, tive a oportunidade de chamar Pam para dançar, o que foi algo surpreendente, levando em consideração toda a minha timidez. Ao dançar com ela, diferente de dançar com as outras garotas, senti alguma coisa especial, um sentimento difícil de explicar. Resumindo: em meu pensamento, eu tinha clara a ideia de estar dançando com uma garota tão bonita quanto Vicky e, o melhor de tudo, muito mais acessível.
            Alguns dias mais tarde, em outra “brincote” realizada agora na casa de meu amigo Jim, acabei ficando com Cindy, enquanto Paul e Pam ficaram juntos mais uma vez. Apesar deste último fato, foi surpreendente a reação de Pam em relação a mim: a mesma demonstrou, com seus elogios, que estava nutrindo uma espécie de admiração pela minha pessoa. Comecei a desenvolver uma espécie de romantismo à medida que pensava cada vez mais em Pam e Cindy, de maneira intensa. Essa paixão me fez lembrar de um desenho animado que eu assistia na infância, o “Archie Show”. No desenho, não ficava claro se o personagem principal gostava da sua amiga loira ou de sua amiga morena, da mesma maneira que eu ficava na dúvida se eu gostava mais de Cindy ou de Pam.
            Apesar de tudo, comecei a ter uma certa preocupação doentia com a minha aparência, principalmente com o meu cabelo.  Eu queria ter um “topete estilo anos 50”, mas a maneira que eu cortava o cabelo não permitia que esse tipo de penteado ficasse perfeito, do jeito que eu queria. Além disso, o meu cabelo era um pouco “crespo” nessa época, fato que dificultava ainda mais o penteado “anos 50”. Meus amigos Jim e Matt , por exemplo, possuíam cabelos “descolados”, apesar de não pentearem do jeito que eu tinha em mente.
            Além do problema do cabelo, passei por aquele tipo de “depressão adolescente” quando, em determinado momento, tive dúvidas se Pam e Cindy realmente gostavam de mim. Muitas vezes, eu me sentia esquecido! Na “brincote” realizada na casa de Jim, Sandy havia se declarado a Adam Ball, dizendo que nutria uma paixão por ele já fazia algum tempo.  Pam havia me feito alguns elogios, nunca foi tão direta e franca como Sandy foi para com Adam Ball. Cindy, por sua vez, nunca demonstrou (ou comentou) se realmente gostava de mim de verdade ou não. Para amenizar a dor, a melhor solução, para mim, era a música.  Antes de dormir, era obrigatório eu pegar o meu “discman” e ficar escutando meu rock, sonhando com dias melhores, apesar das coisas não estarem tão ruins assim.
            E não estavam mesmo!
            Alguns dias após a “brincote”, encontrei Pam nas proximidades de sua casa. Ela estava diferente, como se estivesse escondendo algo de mim. Depois de conversarmos um pouco, ela chamou um garoto, que era seu vizinho, e disse algo no ouvido dele. O mesmo, por sua vez, me chamou de lado e, como num sonho, perguntou se eu gostaria de ficar com Pam. Foram as palavras arrebatadoras “você quer ficar com Pam” que me deixaram totalmente a vontade, “senhor de mim”, de modo que, em seguida, consegui, com desenvoltura, perguntar diretamente a Pam se era verdade o que o garoto havia me perguntado. Ela confirmou e tive vontade de beijá-la ali mesmo, porém preferi ser mais discreto e perguntei se poderia ficarmos na próxima “brincote”, a qual me esforçaria para marcar o mais rápido o possível. Pam aceitou.
            Para mim, é muito especial o momento em que alguma garota diz que está disposta a “ficar”: durante o dia, o céu parece ficar mais azul e, durante a noite, as estrelas parecem ficar mais brilhantes. Um momento mágico que se desenrola bem na frente de nossos olhos. É justamente o referido momento que nos traz saudade no futuro, como se tivéssemos perdido algo no tempo.  

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Capítulo 3 – Qual a garota mais bonita? - Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Livro: Triste ao sonhar com os anjos

Capítulo 3 – Qual a garota mais bonita?



            No começo de 1994, finalmente eu já estava com 18 anos e, como era de se esperar, virei criança de novo (fato que é muito normal nessa idade). Meu novo brinquedo: o carro.  Provavelmente, quase todo mundo que atinge a maioridade fica naquela ânsia de poder dirigir pela primeira vez e comigo não foi diferente.
            Nesse contexto, em certa ocasião, eu estava na esquina do Grass Valley com meu livrinho de legislação de trânsito, estudando as placas e as leis. No outro quarteirão, estavam Roy, Paul e mais alguns garotos conversando com as irmãs July e Clau, em frente à casa das mesmas. Se não me engano, acho que Lucy e Sandy estavam também. Enfim, eu folheava meu livrinho quando ouvi Roy me chamar. Eu nunca freqüentava o círculo de amizade deles com aquelas garotas, então fiquei um pouco surpreso por Roy estar me convidando a me juntar ao grupo. Aquilo foi muito estranho, tão estranho como o dia em que vi, pela primeira vez, uma ilustração mostrando o Calvário com as cruzes: Jesus crucificado entre dois ladrões igualmente martirizados. Na verdade, o motivo da estranheza foi o fato de eu sempre ver a imagem de Jesus na cruz, normalmente, pendurada em alguma parede (nas igrejas ou na casa de cristãos). Nunca havia visto uma representação real da cena, com o monte Calvário, as três cruzes fincadas no solo, o céu nebuloso, os soldados repartindo os pertences de Jesus, Maria e os apóstolos arrasados pela dor da perda. Enfim, em minha mente (nessa época, quando vi a imagem pela primeira vez, eu deveria ter uns 6 anos de idade), eu imaginava a cruz sempre pendurada à alguma parede e nunca em uma situação real.
            Quando cheguei à casa de July e Clau, Roy me apresentou a elas, apesar de eu conhecer as mesmas de vista já fazia muito tempo. Por algum motivo, fiquei bastante encabulado com a presença daquelas meninas. Talvez por eu considerar as mesmas muito avançadas, confiantes, “donas de si” e, principalmente, pelo fato delas serem bastante críticas e terem resposta para tudo (algumas vezes, respostas bastante irônicas). Apesar de notar o meu acanhamento, July foi simpática comigo, ao mesmo tempo que, percebendo a minha vergonha, fazia algumas leves piadas sobre o fato. Ainda assim, fiquei contente de poder iniciar uma amizade com aquele pessoal: era uma experiência nova e estranha (assim como a cruz de Jesus fincada ao Calvário, sob o céu nebuloso). Diferente de toda essa experiência, estar com a outra turma (Lang, Adam Ball, Jim, Walter, etc) me deixava muito mais a vontade e confiante, assim como July e Clau eram na outra turma.

*****

            Notícias corriam que uma nova garota havia se mudado para o Grass Valley, em frente a um campo de futebol que construímos com nossas próprias mãos. Quando vi Pam pela primeira vez, notei que era uma garotinha nova (deveria ter uns 12 anos), magra, cabelos negros até os ombros, com os seus óculos sempre ao rosto e suas poesias sempre ao colo, escritas com todo zelo em um caderno. Paul havia se interessado por ela e dois sempre ficavam juntos, como um casal de namorados, apesar de não o serem.
            Passou um tempo e, ainda em 1994, eu e meus amigos tínhamos o costume de ouvir rock no quintal de minha casa. Ficávamos dublando as músicas, imitando nossos “astros do rock”, enquanto meu amigo Ohara filmava toda a “palhaçada”. Denominamos estas ocasiões como sendo “Concertos Death” (“Death” era o nome de nossa banda fictícia). Lang era o “astro”, com suas piadas infames e suas imitações. Nunca havíamos chamado as garotas para participarem dos “concertos” e não me lembro quem teve a ideia de chamá-las para o “Sexto Concerto Death”.  Como era de se esperar, ficamos bastante acanhados com a presença das garotas: as irmãs Lisa e Lane eram amigas de Sandy, e as mesmas (com exceção de Lane) tinham um certa rivalidade (sem sentido) com Pam.
            Se Lang era o garoto “astro” dos “Concertos Death” com o seu comportamento anormal, Pam era com a sua beleza. Nos meses que se passaram desde quando a vi pela primeira vez, Pam passou por uma transformação radical: com os seus 12 anos, Pam agora já estava virando uma mulher, com os seus caracteres sexuais femininos em pleno desenvolvimento. Seus cabelos negros haviam crescido e agora já passavam da altura dos seus ombros. Seu corpo, anteriormente magro, agora era marcado por formas curvelíneas e delicadas. Sem os seus óculos, era possível observar em Pam olhos negros e penetrantes. A garota mais bonita do Grass Valley, naquela época, era Sandy. Porém, com o desenvolvimento mais do que rápido de Pam, ficava dúvidas em escolher qual das duas era a mais bonita. A aparência de Pam lembrava um pouco a beleza de Sammy, nossa amiga desaparecida.